Resistência seguida de morte é disfarce para execuções em São Paulo

O torturador Erasmo Dias criou a expressão “resistência seguida de morte” para encobrir assassinatos da polícia.

No auge da “ameaça comunista”, resistência de bandidos era simulada para justificar mortes.

Com informações de Bruno Paes Manso

Em maio de 1970, o tenente da Polícia Militar Alberto Mendes Júnior foi morto pelo grupo de Carlos Lamarca. A informação só chegou ao Exército quatro meses depois, quando um integrante do grupo esquerdista foi torturado e apontou aos militares o local onde estava o corpo do oficial.A “ameaça comunista” estava no auge. Um dos responsáveis pelo cerco malsucedido a Carlos Lamarca era o coronel do Exército Erasmo Dias. Em companhia do delegado Sérgio Paranhos Fleury, ele foi peça-chave no combate à guerrilha urbana. Três anos depois, em 1974, Dias assumiria a Secretaria de Segurança Pública para combater crime comum. Os bandidos seriam seus novos inimigos e alvos. A tortura e os assassinatos continuariam sendo as ferramentas de trabalho de alguns policiais.

“Desde aqueles anos, as simulações de resistências seguidas de morte se tornariam uma das formas de disfarçar execuções”, afirma Ivan Seixas, que hoje preside uma entidade de direitos humanos. Em abril de 1971, aos 16 anos, Ivan foi preso com o pai, o operário Joaquim Alencar Seixas, do Movimento Revolucionário Tiradentes. Ambos foram levados ao Destacamento de Operações e Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), formado por integrantes do Exército e das polícias Civil e Militar. O pai de Ivan foi morto no dia seguinte, durante sessões de tortura. Oficialmente, policiais informaram que ele havia morrido em um tiroteio no dia anterior.

A caçada aos bandidos comuns, iniciada pelo esquadrão da morte no fim de 1968 e adaptada na luta contra a guerrilha, levaria tensão e medo para as periferias em formação ao longo da década de 1970. Os novos agentes dos homicídios seriam grupos de policiais militares.

O enfrentamento era incentivado pelo secretário Erasmo Dias, que premiava com medalhas e elogios PMs envolvidos em tiroteio, como conta o coronel João Pessoa Nascimento.

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Uma resposta to “Resistência seguida de morte é disfarce para execuções em São Paulo”

  1. Marcos Pinto Basto Says:

    Triste figura a desse coronel Erasmo Dias, pessoa de trato muito difícil e fiel lacaio dos mandantes da ditadura. Um ditadorzinho de meia tigela que via bandidos até debaixo d’água. Tomava uma injeção intravenosa de vitamina C diáriamente. Tinha como motorista privativo um capitão da PM a quem tratava como simples praça. Vi muitos videos de suas conversas com o governador do estado e intervenções na assembléia legislativa quando vereador.

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