Da série recordar é viver: Conheça a biografia de Geraldo Alckmin

Uma breve história de um direitista.

Altamiro Borges, lido no site Transparência São Paulo

Natural de Pindamonhangaba, no interior paulista, Geraldo Alckmin sempre conviveu com políticos reacionários, alguns deles envolvidos na conspiração que resultou no golpe militar de 1964, e com simpatizantes do Opus Dei, seita religiosa que cresceu sob as bênçãos do ditador espanhol Augusto Franco. Seu pai militou na União Democrática Nacional (UDN), principal partido golpista deste período; um tio foi prefeito de Guaratinguetá pelo mesmo grupo; outro foi professor do Mackenzie, que na época havia sido convertido num dos centros da direita fascista.

Alckmin ingressou na política em 1972, convidado pelo antigo MDB para disputar uma vaga de vereador. Na ocasião, diante do convite formulado por seu colega do curso de medicina, José Bettoni, ele respondeu: “Mas meu pai é da UDN”, talvez temeroso dos seus laços familiares com a ditadura. Até hoje, Alckmin se gaba de ter sido um dos vereadores mais jovens do país, com 19 anos, e de ter tido uma votação histórica neste pleito – 1.147 votos (cerca de 10% do total).

Um bajulador da ditadura militar

Mas, segundo o depoimento de Paulo de Andrade, presidente do MDB local nesta época, outros fatores interferiram na sua eleição. O tio de Alckmin, José Geraldo Rodrigues, tinha acabado de ser nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal pela ditadura. “Ele transferiu prestígio para o sobrinho”, diz Rodrigues. A outra razão era histórica. Geraldo é sobrinho-neto do folclórico político mineiro José Maria Alckmin, que foi o vice-presidente civil do general golpista Castelo Branco. “Ter um Alckmin no MDB era um trunfo [para o regime militar]”, diz Andrade.

Tanto que o jovem vereador se tornou um bajulador da ditadura. Caio Junqueira, em um artigo no jornal Valor (3/4/2006), desenterrou uma carta em que ele faz elogios ao general Garrastazu Médici. Segundo o jornalista, Alckmin sempre se manteve “afastado de qualquer movimento de resistência ao regime militar. O tom afável do documento encaminhado a Médici, sob cujo governo o Brasil viveu o período de maior repressão, revela a postura de não enfrentamento da ditadura, fato corroborado por relatos de colegas de faculdade e políticos que com ele atuaram”.

Seguidor da seita Opus Dei

Em 1976, Alckmin foi eleito prefeito da sua cidade natal por uma diferença de apenas 67 votos e logo de cara nomeou seu pai como chefe de gabinete, sendo acusado de nepotismo. Ainda como prefeito, tomou outra iniciativa definidora de seu perfil, que na época não despertou suspeitas: no cinquentenário do Opus Dei, em 1978, ele batizou uma rua da cidade com o nome de Josemaria Escrivá de Balaguer, o fundador desta seita fascista.

Na sequência, ele foi eleito deputado estadual (1982) e federal (1986). Na Constituinte, em 1998, teve uma ação apagada e recebeu nota 7 do Diap. Em 1991, tornou-se presidente da seção paulista do PSDB ao derrotar o grupo histórico do partido, encabeçado por Sérgio Motta. Em 1994, Mário Covas o escolheu como vice na eleição para o governo estadual. Já famoso por sua truculência, coube-lhe presidir o Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização.

Centralizador e a “turma de Pinda”

As privatizações das lucrativas estatais foram feitas sem qualquer transparência ou diálogo com a sociedade, gerando muitas suspeitas de negócios ilícitos. Nas eleições para a prefeitura da capital paulista, em 2000, obteve 17,2% dos votos, ficando em terceiro lugar. Com a morte de Covas, em março de 2001, assumiu o governo e mudou toda a sua equipe, causando desconforto até em setores do PSDB. Em 2002, ele foi reeleito governador no segundo turno, com 58,6% dos votos.

Numa prova de sua vocação autoritária, um de seus primeiros atos no governo foi nomear, para o estratégico comando do Departamento de Inteligência da Polícia Civil, o delegado Aparecido Laerte Calandra – também conhecido pela alcunha de “capitão Ubirajara”, que ficou famoso como um dos mais bárbaros torturadores dos tempos da ditadura. Com a mesma determinação, o governador não vacilou em excluir os históricos do PSDB do Palácio dos Bandeirantes, cercando-se apenas de pessoas de sua estrita confiança e lealdade – a chamada “turma de Pinda”.

Criminalização dos movimentos sociais

Como governador de São Paulo, Alckmin nunca escondeu sua postura autoritária. Ele se gabava das ações “enérgicas” de criminalização dos movimentos sociais e de satanização dos grevistas. Não é para menos que declarou apoio à prisão dos líderes do MST no Pontal do Paranapanema; aplaudiu a violenta desocupação de assentados no pátio vazio da Volks no ABC paulista; elogiou a prisão do dirigente da Central dos Movimentos Populares (CMP), Gegê; e nunca fez nada para investigar e punir as milícias privadas dos latifundiários no interior do estado.

Durante seu governo, o sindicalismo não teve vez e nem voz. Ele se recusou a negociar acordos coletivos, perseguiu grevistas e fez pouco caso dos sindicalistas. Que o digam os docentes das universidades, que realizaram um das mais longas greves da história e sequer foram recebidos; ou os professores das escolas técnicas, que pararam por mais de dois meses, não foram ouvidos e ainda foram retalhados com 12 mil demissões.

A linguagem da violência

Os avanços democráticos no País não tiveram ressonância no estado. Alckmin sabotou os fóruns de participação da sociedade criados no governo Lula, como o Conselho das Cidades. Avesso ao diálogo, a única linguagem do ex-governador foi a da repressão dura e crua. Isto explica a sua política de segurança pública, marcada pelo total desrespeito aos direitos humanos e que transformou o estado num grande presídio – em 2006, eram 124 mil detentos para 95 mil vagas.

Segundo relatório oficial, o ex-governante demitiu 1.751 funcionários da Febem, deixando 6.500 menores em condições subumanas, sofrendo maus-tratos. Nos seus quatro anos de governo, 23 adolescentes foram assassinados nestas escolas do crime, o que rendeu a Alckmin a condenação formal da Corte Internacional da OEA.

A submissão dos poderes

Contando com forte blindagem da mídia, Alckmin conseguiu submeter quase que totalmente o Poder Judiciário, infestando-o de tucanos, e garantiu uma maioria servil no Poder Legislativo. Através de um artifício legal do período da ditadura militar, ele abortou 69 pedidos de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) na Assembleia Legislativa – destas, 37 tinham sido solicitadas para investigar irregularidades, fraudes e casos de corrupção da sua administração.

Como sintetiza o sociólogo Rodrigo Carvalho, no livrete O retrocesso de São Paulo no governo tucano, Geraldo Alckmin marcou sua gestão pela forma autoritária como lidou com a sociedade organizada e pelo rígido controle que exerceu sobre os poderes instituídos e a mídia. “Alckmin trata os movimentos sociais como organizações criminosas, não tem capacidade de dialogar e identificar as demandas da sociedade. Além disso, ele utilizou sua força política para impedir qualquer ação de controle e questionamento das ações do governo”.

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13 Respostas to “Da série recordar é viver: Conheça a biografia de Geraldo Alckmin”

  1. Wilson Maejima Says:

    PRESTAI ATENÇÃO POVO BRASILEIRO !!!
    ASSISTAM ESTE VIDEO …
    “Senhores Barões do Minério, preparai vossas mortalhas,
    pois é chegado o tempo de GUERRA …
    E não há foice contra espada…
    Não há fogo contra pedra…
    Não há fuzil contra enxada…
    União contra granada…
    Soberania contra metralha…
    E NOSSA GUERRA É JUSTA , E A NOSSA GUERRA – NÃO FALHA !!! ”
    ALCKIMIN e o RICHA do PSDB – com o plano de REORGANIZAÇÃO DAS ESCOLAS ESTADUAIS – foram derrotados e não conseguiram se apossar de centenas de terrenos públicos com escolas de alto valor imobiliário- esta era a verdadeira intenção neste plano transloucado do PSDB .
    Que fecha escolas e constroi prisões –
    PARE E PENSEM :
    Durante os oito anos do governo FHC / PSDB . Eles não criaram sequer uma única UNIVERSIDADE . E ainda criaram uma lei – o FHC/PSDB – Extinguindo todo o ENSINO TÉCNICO por todo o País .
    E privatizaram mais de cento e sessenta empresas que ao povo brasileiro pertenciam , entre elas a VALE DO RIO DOCE , com um patrimônio avaliado em CEM BILHÕES , foi vendida por TRES BILHÕES ,toda esta lambança esta documentada e descrita no livro a PRIVATARIA TUCANA…
    O PSDB que deu a preço de banana a VALE DO RIO DOCE e todos os nossos minérios , é o RESPONSÁVEL DIRETO pelo DRAMA de MARIANA em MG …
    Imaginem levaram todas as nossas riquezas embora, o ouro , a prata , o ferro , o aço , todos os minerais nobres – o NIÓBIO , uma fortuna INCALCULÁVEL e com os residuos tóxicos desta exploração.
    Criaram barreiras de contenção de LIXO , todas construidas – mais de setecentas barreiras acima da cabeceira de cidades que já existiam – um crime já anunciado, mas que tem origem no entreguismo e no VIRA LATISMO do PSDB …
    LULA E DILMA criaram 18 UNIVERSIDADES FEDERAIS e mais de 500 CAMPUS FEDERAIS Criaram o PRONATEC , hoje com mais de 8 milhões de matriculados , e mais TREZE MILHÕES no PRONATEC II
    Criaram o ENEM – PROUNI – FIES – mais de CEM MIL estudantes – bolsistas – estagíarios no exterior …
    O PSDB e seus políticos psdbistas são entreguistas vendilhões antipatriotas corruptos sonegadores traficantes quadrilheiros e muito mais . São responsáveis inclusive pelo desastre terrorista que ocorreu com muitas mortes e desaparecidos – seres humanos – na tragédia anunciada de MARIANA – MG .
    Acreditem nem em CEM ANOS , a natureza, as nascentes, os rios o oceano – os peixes – a fauna , a flora e toda as regiões que foram atingidas em tres estados da federação e que atráves da contaminação do oceano poderão ainda prejudicar mais estados .Mas muito mais crimes estes políticos corruptos cometeram contra o povo e a nação brasileira .
    Todos estes crimes – mensalão tucano – tremsalão tucano – privataria tucana – Lista de Furnas – e muito mais crimes gravissímos – estão temporariamente blindados , porque corromperam pessoas do alto escalão – Pessoas que trabalham nos centros onde as decisões sujas são tomadas .
    Todos foram aliciados pela corrupção, então muitos dos juízes que trabalham no judiciário e em posição decisórias ,estão envolvidos e aliciados pela corrupção. O que determina que esse pequeno número de pessoas travestidos de juízes – senadores – deputados federais- deputados estaduais, vereadores representantes do povo …
    A maioria eleitos pelo dinheiro da corrupção e dos corruptores – com absoluta certeza não representam os verdadeiros interesses e necessidades da população – Haverá de se criar instrumentos – Como um JURI POPULAR – para prender os corruptos e puni-los.
    Se estivessemos na China e em mais 54 países do planeta – todos seriam condenados a PENA DE MORTE E morreriam fuzilados no paredão , ou enforcados por uma corda , ou com a injeção de uma substância letal no sangue , ou na cadeira elétrica .
    TODO CORRUPTO É UM ASSASSINO EM POTENCIAL – mata as pessoas nas filas dos hospitais, na falta de segurança nas estradas e nas cidades , na falta de educação, saúde , segurança , e muito mais … CORRUPÇÃO É CRIME HEDIONDO – E NÃO PRESCREVE – E NÃO PRESCREVERÁ –
    A corrupção é um crime hediondo igual ou pior que os crimes cometidos durante a DITADURA pelo menos, na ditadura os assassinos sabiam a identidade das pessoas que eles torturavam e matavam .
    Já o corrupto …
    Mata as pessoas que não são atendidas nas fila dos hospitais .e muito mais .
    Acrescentar confisco dos bens de todos os herdeiros até os valores roubados do erário público – mais multas e correção.
    http://www.brasil247.com/…/Document%C3%A1rio-relembra-o-%E2…

  2. Marcos Pinto Basto Says:

    Maria Sonia, se tivéssemos uma justiça com cidadãos dispostos a fazerem cumprir a lei, Geraldo Opus Dei Alckmin estaria confinado há muito em tempo em presídio de segurança máxima, onde poderia planejar um túnel para escapar da punição.

  3. jorge geovane Says:

    você é funcionaria do governador e que mais dele

  4. Mª. Sonia C.Gomiero Says:

    Não vi nenhum comentário aqui favorável ao Alkmin, o estado de São Paulo ainda é o coração do país, para governa-lo o pulso tem que ser firme e a rédea curta. Na opinião de todos aqui o governador somente tem defeitos e só faz coisas erradas. E´ bem estranho isso, uma vez que os eleitores de São Paulo o elegem com satisfação. O que será que todos comentarista desse blog diriam do governo Federal ?

  5. Jéthero de Faria Cardoso Junior Says:

    Gostei muito do site. Quer mais sobre Alckmin? Vai ser longo, mas terei de colar aqui. Lá vai.
    (E-mail enviado há algumas semanas a toda a bancada paulista na Câmara dos Deputados e a toda a bancada da Assembléia Legislativa de São Paulo)

    Acorda, São Paulo!

    Vem aí a campanha eleitoral. Uma infinidade de temas será discutida pelos candidatos, envolvendo saúde, transportes, educação, habitação, saneamento e, também, uso do dinheiro público.
    É sobre este último ponto que quero dar minha contribuição ao debate, particularmente entre os candidatos a cargos eletivos no Estado de São Paulo. Trata-se da ligação seca entre Santos e Guarujá, planejada há décadas e em vias de execução.
    O governo Alckmin planeja cometer um absurdo!
    Ocorre que em 2009 foi feita a licitação para a construção de uma ponte ligando Santos ao Guarujá. A Vetec Engenharia ganhou a concorrência para o projeto básico. O então governador, José Serra, chegou a mostrar a maquete da futura ponte em um evento. A previsão é de que a ponte custaria R$ 975 milhões. Estranhamente, no entanto, a Dersa lançou novo edital em 2012, desta vez determinando a construção de um túnel. Este foi orçado inicialmente em R$ 1,4 bilhão, mas já em 4/9/2013 o secretário estadual de Transportes, Saulo de Castro, tratou de anunciar (Estadão dessa data) que o custo previsto passou para R$ 2,4 bilhões!
    Inconformado com essa decisão, que vai contra os princípios da boa engenharia e, ainda, implica um dispêndio desnecessário de muito dinheiro público, o engenheiro Catão Francisco Ribeiro moveu ação civil pública contra a Dersa, ação esta que vem correndo na Justiça paulista.
    A questão é essencialmente técnica, mas também de custos.
    1) Se construído o túnel, a balsa que há décadas opera na ligação Santos-Guarujá nunca será desativada; se construída a ponte, a balsa será aposentada. Essa balsa fornece lucros absurdos à Dersa (200.000 veículos por dia a R$ 9,10 de pedágio; 3,3 milhões de veículos previstos para a atual temporada de verão). Caminhões pesados, acima de 6 toneladas e com não mais de 30 toneladas, só podem passar pela balsa entre meia-noite e 6 horas da manhã.
    2) A Dersa pretende instalar a entrada do túnel 4 quilômetros antes do embarcadouro usado há 100 anos pela população; logo, o túnel não atenderá à população da Baixada Santista.
    3) A construção do túnel obrigará em várias ocasiões a paralisação do porto de Santos; a construção da ponte permitirá o uso do porto sem interrupções.
    4) O prazo de construção da ponte é muito menor.
    5) A manutenção do túnel é caríssima, envolvendo bombas de sucção, iluminação artificial e ventilação; a ponte dispensa tudo isso.
    6) Para construir o túnel, haverá necessidade de muitas desapropriações: para a ponte, pouquíssimas.
    7) A ponte oferece segurança, porque visível; o túnel, especialmente em horários avançados, na madrugada, é certeza de riscos.
    8) O túnel desembocará, do lado do Guarujá, na favela de Vicente de Carvalho (insegurança!). A ponte desembocará em terrenos do Estado.
    9) Quanto à beleza arquitetônica, desnecessário comparar.
    10) O custo! R$ 975 milhões contra R$ 2,4 bilhões. Quando ainda anunciavam um custo previsto de R$ 1,3 bilhão, a Dersa teve o desplante de dizer que o custo do túnel seria “quase igual” ao da ponte! Agora essa diferença “quase igual” já passou para R$ 1,4 bilhão!
    São esses os pontos principais. A seguir, para fornecer mais dados, reproduzo minha carta que saiu no Estadão de 24/1 e, também, o artigo “A farra na lama”, extraído do site da Enescil.
    Este é um assunto da maior gravidade pelo desperdício do dinheiro público! Dinheiro jogado na lama!
    Uma palavra define os planos do governo Alckmin, amancebado com a Dersa: descalabro!

    Se houver interesse em aprofundar-se no assunto, sugiro ao(s) candidato(s) interessados no tema que procurem o engenheiro Catão Francisco Ribeiro na sede da Enescil: (11) 3087-0055.

    (Artigo encontrado no site http://www.enescil.com.br , no link “Notícias”.)

    A farra na lama

    Associado à Dersa, o governo estadual de São Paulo prepara um verdadeiro descalabro contra o dinheiro público. Trata-se da construção da ligação seca entre Santos e Guarujá – um projeto acalentado há pelo menos sete décadas por diversos governos mas que nunca saiu das boas intenções.
    Agora, finalmente, o projeto reaparece, mas, ao que parece, completamente distorcido. Ora, em agosto de 2009 o DER fez uma licitação cujo objetivo era a elaboração de um projeto básico para a futura construção de uma ponte estaiada ligando os dois municípios. A licitação correu normalmente e no final foi aprovado o projeto básico da Vetec Engenharia. O então governador, José Serra, aprovou o projeto e chegou a mostrar, em um evento, uma maquete da futura ponte. O custo da obra seria de no máximo R$ 925 milhões.
    Estranhamente, em abril de 2012 a Dersa promoveu uma nova concorrência pública, desta vez determinando que a ligação viária Santos-Guarujá fosse realizada por um túnel. E já definiu que a licitação envolveria o projeto executivo, sem observar o artigo 7º da Lei 8666/93, que normatiza as formas das licitações para a execução de obras (públicas) determinando “em particular a seguinte sequência: I) projeto básico; II) projeto executivo; III) execução das obras e serviços”.
    Não bastasse esse atropelamento da lei, a Dersa anunciou então que o custo de construção seria de R$ 1,3 bilhão – quase 40% a mais, ou R$ 375 milhões, que a estimativa para o custo da ponte estaiada. Mais adiante veremos que o custo da obra será muito maior.
    Inconformado com o que define como uma malversação do dinheiro público, o engenheiro Catão Francisco Ribeiro, diretor-executivo da Enescil, entrou com uma ação popular na qual, além de argumentos técnicos irrefutáveis, denuncia a diferença de custos entre os dois projetos – uma diferença que a Dersa, em sua defesa, classificou de “custos quase iguais entre a ponte e o túnel”. Para ela, portanto, R$ 375 milhões é “quase” igual a zero. Mas é seguramente um dinheiro que, para ficar só em uma das carências da população, daria para construir bons hospitais na Baixada Santista. Imaginem-se, então, quantas escolas nasceriam desse “quase zero”.
    Nada disso interessa à Dersa, que há quase 40 anos opera a verdadeira mina de ouro que é a ligação por balsa entre Santos e Guarujá. Segundo dados da própria empresa, “o sistema de ferryboats atende cerca de 22 mil veículos leves e 8 mil motos por dia”. Caminhões pesados, acima de 6 toneladas e com não mais de 30 toneladas, só podem passar pela balsa entre meia-noite e 6 horas da manhã. O pedágio custa R$ 9,10. Logo, só com os veículos leves, o faturamento é de R$ 200 mil diários!
    Começa a ficar claro, então, por que a Dersa insiste em construir um túnel que, ademais, ela mesma informa ser único no mundo, portanto de difícil execução técnica, e acrescenta candidamente que não dispomos de tecnologia para construí-lo. De olho no filão das balsas, que aparentemente pretende eternizar, a Dersa mobilizou suas equipes e produziu uma alternativa técnica para inviabilizar a construção da ponte.
    Pelo projeto da Dersa, a entrada do túnel deverá ficar 4 quilômetros antes do ponto de onde hoje saem as balsas. É óbvio que a população preferirá continuar usando as balsas, em vez de se deslocar para longe do lugar onde há décadas faz sua travessia. Além disso, essa decisão significa que o túnel servirá muito mais de ligação São Paulo-Guarujá do que Santos-Guarujá.
    Ora, o hábito secular de os moradores de Santos e Guarujá atravessarem o canal é justamente na rota atual das balsas. Em vez de observar o simples e consagrado pelo uso, a Dersa decidiu que a rota atual não é boa para a ligação. Levando a boca do túnel para 4 quilômetros dali, a Dersa sabe que continuará operando as balsas indefinidamente. Já a construção da ponte na rota das balsas significará, evidentemente, o fim delas e do cativo faturamento de R$ 200 mil/dia.
    Mais considerações técnicas. A ponte obrigará a poucas desapropriações dos dois lados, e se darão basicamente em áreas públicas estaduais e federais, enquanto o túnel forçará a desapropriações custosíssimas e provavelmente inviáveis, pois exige para sua execução uma área de grande metragem. Todas as áreas da Baixada Santista ou são reservas ambientais ou estão ocupadas por permissionários de concessões.

    Sem comparação – Quando se analisam as particularidades dos dois projetos, fica evidente a superioridade da ponte sobre o túnel. Começando pelos custos: contra os R$ 925 milhões da ponte, R$ 1,3 bilhão do túnel. Na verdade, muito mais que isso: o jornal O Estado de S. Paulo, em sua edição de 4 de setembro de 2013, trouxe informações do secretário estadual de Logística e Transportes, Saulo de Castro Abreu Filho –aquele mesmo que foi, um dia, secretário de Segurança. Agora o custo do túnel já passou seguramente para R$ 2,4 bilhões! Como diz a Dersa, “quase igual” ao custo da ponte, já que agora a diferença subiu para quase R$ 1,5 bilhão! Em suas alegações finais na argumentação contra a ação popular movida pelo engenheiro Catão, a Dersa ainda teve o desplante de afirmar que “o túnel custará aproximadamente o mesmo valor que a ponte estaiada”. E nem tocamos ainda na questão dos famosos e indefectíveis “aditivos ao contrato”.
    Mas há muito mais. O prazo de conclusão previsto para a ponte é de 36 meses; para o túnel, entre 48 e 60 meses. A ponte nascerá em um canteiro central da Avenida Portuária, implicando em poucas desapropriações, e cairá do lado do Guarujá em uma área de mangue pertencente ao Estado. Logo, revitalizará o entorno. Já o pretendido túnel, de difícil e importada tecnologia, desembocará na comunidade de Vicente de Carvalho.
    A Dersa definiu-se pelo túnel sem fazer nenhuma sondagem do terreno. E é certo que, para sua construção, a operação do porto de Santos terá de ser interrompida em várias ocasiões. Já a ponte pode ser feita sem interferir no tráfego de navios e na operação do porto.
    Outras questões tornam, na verdade, risível a comparação entre ponte e túnel. A ponte representa a arte em engenharia – por suas formas, sua evidente beleza. Tem ventilação e iluminação natural e permanente e baixo custo de manutenção. Oferece muito mais segurança, pois é visível em toda a sua extensão. Já o túnel envolve um alto custo de manutenção, pois exige bombas hidráulicas para retirada de água, ventilação e iluminação artificiais. E oferece um grande risco à segurança.

    “Má-fé” – Incrivelmente, apesar de todas as evidências técnicas e econômicas apontarem para a inequívoca vantagem da ponte, a Dersa chegou ao cúmulo de imputar ao engenheiro Catão uma litigância de má-fé. Na verdade, a má-fé reside na lama que repousa no fundo do estreito canal de Santos – lama, registre-se, tecnicamente de difícil extração. A um custo estimado de R$ 2,4 bilhões, a Dersa pretende provar a quadratura do círculo argumentando que esse valor é “quase igual ao da ponte estaiada”.
    É nessa lama, ali no escondido do submerso, que se violenta frontalmente o erário, um desperdício de dinheiro público em um país de tantas carências. É ali que vão desaparecer absurdamente centenas de milhões, enquanto na superfície as balsas deslizam suavemente a mais de R$ 200 mil reais diários.
    Faça-se o túnel, e a balsa atravessará o canal até o final dos tempos.
    É a festa do túnel, a farra na lama. Uma obra caríssima, já anunciada em juízo.

    (A carta a seguir foi publicada na pág. 3 do Fórum dos Leitores do Estadão de 24/1/2014, sexta-feira.)

    Ponte x túnel

    Como filho de um grande calculista de pontes em concreto protendido, já falecido, eu só queria entender por que uma ponte – a tão esperada, há décadas, ligação seca entre Santos e Guarujá – orçada em R$ 975 milhões e já aprovada pelo governador anterior, José Serra, é preterida arbitrariamente pela Dersa (que opera as balsas Santos-Guarujá e aufere R$ 200 mil por dia com um pedagiozinho a R$ 9,10), que prefere fazer um túnel orçado a princípio em R$ 1,9 bilhão mas já avaliado pelo secretário Saulo Abreu (Estadão, 4/9/2013) em R$ 2,4 bilhões. E é claro que, como sempre, vai ser muito mais.
    O governador Alckmin, estranhamente, prefere gastar R$ 2,4 bilhões e quer porque quer que seja um túnel! 2014 é ano eleitoral… e reza o manual dos políticos que obras que não aparecem, enterradas na lama, não dão voto. É o caso da rede de esgoto: poucos políticos investem nela porque “não dá voto”. Muito estranho, portanto, esse túnel. Para completar, a própria Dersa alerta que a tecnologia do pretendido túnel é inédita no país e exigirá grande esforço (leia-se importação) tecnológico. Mais: se o túnel for feito, a balsa continuará a operar até o fim dos tempos. Já a ponte decretaria a morte da balsa.
    Finalmente: li os planos da Dersa e a previsão de movimento só nesta temporada, segundo o Estadão de 27/12, é de quase 3,3 milhões de veículos na balsa Santos-Guarujá. Multiplique-se por R$ 9,10. Nem audiência pública foi feita, quando a lei exige que para obras acima de R$ 150 milhões haja duas delas.
    Dinheiro fácil, pobre povo que precisa de hospitais e escolas. Como o Estadão titulou em editorial no domingo 29/12, embora tratando de outro assunto, esta é a república do despudor.

    JÉTHERO CARDOSO
    jetherocardoso@yahoo.com.br
    Bauru

  6. Antonio Says:

    Um sujeito sarcástico, dissimulado e cruel, certamente tem o DNA dos seus ancestrais ativo nas veias, a arrogância é sua referência de vida.

  7. Jésus Araujo Says:

    Como um cidadão com essa biografia e “folha de serviços” é eleito e reeleito (e tem possibilidades de ser novamente reeleito)? A esmagadora maioria do eleitorado é popular. Que se passa na cabeça do eleitorado paulista? Faz-me lembrar uma das características do povo brasileiro, ditas por um personagem de Calabar, peça teatral de Chico Buarque.

  8. pintobasto Says:

    Mas ele mesmo cavou a própria cova onde cairá para não mais se levantar. É um indivíduo muito falso..
    Celina, conta tudo que sabes! A gente te agradece muito.

  9. Nemia josé de queiroz Says:

    Um dos Políticos mais dissimulados e perigosos que eu vi. Despreza todo conceito de igualdade humana e leva consigo uma legião de seguidores!

  10. celina Says:

    E tem mais, faltou dados, negativos, claro, tb moro em Pinda.

  11. Edu Kogempa Says:

    Moro em Pinda e assino embaixo.

  12. Marcos Pinto Basto Says:

    Keila Pitta, este tremendo pilantrão do Geraldo Alckmin está marcado pela justiça dos homens honestos pelo que fez no bairro Pinheirinho em S.José dos Campos/SP. A PM expulsou violentamente cerca de 6.000 cidadãos de suas humildes casa, na base da porrada e depois destruiu parte das habitações.Foi um violento crime hediondo em plena luz do dia. Vai pagar caro por isto!

  13. Keila Pitta Stefanelli Says:

    Muitas coisas eu já sabia, o que não me espanta, mas me deixa bem preocupada com o futuro de nosso Estado de SP, e de nosso país, por tabela. Como funcionária pública estadual, lamento muito ainda estarmos sob o poder dos tucanos, chefiados pelo Alckmin. O mais lamentável é que o povo se deixa enganar facilmente com a conversa sutil e dissimulada deste homem. Dizem que cada povo tem o governo que merece, mas não é justo que este mesmo povo que adula este governo, reclama dos serviços prestados por este mesmo governo. Então, por que os tucanos continuam no poder? Acorda, São Paulo!!! Acorda, Brasil!!!

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