Partidos mudam de nome para vender velhacaria como novidade

22 de agosto de 2017

A deputada federal Renata Abreu, o deputado Silas Freire e o senador Álvaro Dias no lançamento do Podemos.

Mauro Donato, via DCM em 9/8/2017

Já conhece o Livres, o Avante, o Podemos, o Mude? Não? Conhece sim, você é que não sabe.

Na quinta-feira, dia 10/8, por exemplo, houve o anúncio oficial da candidatura de Jair Bolsonaro pelo “Patriota”. Nunca ouviu falar? Pois bem, é o antigo PEN (Partido Ecológico Nacional). Bolsonaro deixou o PSC (Partido Social Cristão), que pelo visto anda sem ideias de marketing, e pulou para o tal Patriota. Algum dia saberemos se foi a ida do deputado que motivou a mudança de nome do partido ou o contrário.

Já os eleitores do PTN (Partido Trabalhista Nacional) precisam ir se acostumando. Se quiserem assinalar os candidatos da sigla, terão que procurar pelo novo nome do partido que foi alterado para “Podemos”.

É obviamente uma descarada alusão ao partido espanhol surgido após o movimento dos “Indignados” tomar as ruas. Aqui, o PTN deseja herdar essa imagem de estar em sintonia com os tempos atuais.

“Juntos podemos mudar o Brasil”, disse a presidente da legenda, Renata Abreu, na ocasião de apresentação em que convidava as pessoas a conhecerem o partido. Como assim conhecer? O PTN tem registro eleitoral no TSE desde 2 de outubro de 1997!! É novo?

Tem mais. O PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil) – que é ainda mais antigo, é de 1994 – trocará de nome, para “Avante”. O PSL (Partido Social Liberal), outro que já tem 22 anos de idade, está com o nome “Livres”.

E o bom e velho DEM (Democratas)? Esse também deseja ser rebatizado para MUDE (Movimento de Unidade Democrática). Mas esse partido nem poderíamos colocar na lista, afinal é especialista na matéria. Já foi Arena (1965-1979), depois PDS (1979-1985), PFL (1985-2007) e atualmente é DEM. Por enquanto.

O que desejam com isso? Querem se adequar às expectativas populares pelo “novo” para as eleições de 2018. Sem um novo conteúdo, alteram o nome, a embalagem, e assim ludibriam os incautos que aguardam “uma solução antipolítica, vinda de fora”, como declarou Armínio Fraga – outro ex-amigo de Aécio Neves – em entrevista à Folha de S.Paulo.

A medida de maquiar uma marca ou produto desgastado após algum tropeço é comum. Para ficarmos em exemplos ainda relacionados ao tema, a JBS mandou retirar o logotipo da Friboi nas peças de carne que comercializa. Lavou à jato forte sua mácula pelo envolvimento os esquemas de propinas.

Outra empresa duramente afetada, a Odebrecht também está em fase de mudar nomes e logomarcas de empresas do grupo, como estratégia para se dissociar dos escândalos. Será uma busca por “recuperação reputacional”, segundo afirmou o vice-presidente Marcelo Lyra, responsável pela comunicação da holding. É pelo mesmo motivo que companhias aéreas suspendem a veiculação de propagandas quando ocorre um acidente com alguma de suas aeronaves.

Mas partidos não são produtos. E o fato de preferirem varrer para baixo do tapete o antigo nome em vez de realizarem uma faxina na alma, reflete que pouca coisa realmente irá mudar em suas diretrizes.

Quando se fez um balanço da operação italiana Mãos Limpas, observou-se que a corrupção apenas havia aperfeiçoado seus métodos e não sido extinta, por obvio.

Por essas bandas, o saldo do vendaval de 2014, o resultado do “passar o Brasil a limpo” gritado aos quatro cantos pelos arautos da operação Lava-Jato será semelhante em termos de substância. Muita espuma.

A face mais visível no momento é a movimentação dos partidos em busca de uma nova embalagem, um novo rótulo para as eleições do próximo ano. Quem quiser que acredite que estas siglas sejam verdadeiros pokemons e tenham evoluído.

O dia em que a presidenta do STF prestou contas a Sérgio Moro

22 de agosto de 2017

Via Jornal GGN em 15/8/2017

A presidente do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia se encontrou com o juiz Sérgio Moro na terça (15), num evento promovido pela Jovem Pan, em São Paulo, e de acordo com relatos do Estadão, a ministra fez questão de dizer ao juiz estrela da Lava-Jato que não vai mudar seu voto sobre a prisão em segunda instância.

Na semana passada, a grande mídia apontou que o ministro Ricardo Lewandowski queria que o assunto voltasse à pauta o quanto antes, sinalizando que outros colegas de Corte estão interessados em derrubar a possibilidade de um réu poder ser preso para cumprir pena antes mesmo de ter apelado a todas as instâncias possível.

No evento, Moro – que também deu pitacos sobre a reforma política e criticou as mudanças da Polícia Federal na força-tarefa da Lava-Jato na capital do Panará – se disse preocupado com essa “movimentação” de alguns ministros.

O Estadão disse que, nos bastidores, Moro chegou a abordar Cármen Lúcia com o tema. “Estou preocupado com a segunda instância lá”, disse Moro. A ministra prestou contas sobre seu posicionamento ao juiz de Curitiba. “Eu não mudei”, respondeu.

Diante de uma plateia majoritariamente admiradora da Lava-Jato, Moro disse que não estava tocando nesse assunto para “pressionar ninguém”. “[…] longe de mim querer efetuar qualquer espécie de pressão” no Supremo, comentou. “[…] mas espero que a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal tenha a compreensão de que essa mudança foi importante, essencial e foi legado do ministro Teori Zavascki”.

Moro ainda disse que, no Brasil, o réu condenado não deveria ter direito a aguardar as apelações em liberdade porque há recursos demais em prol das defesas, a ponto de tornar a Justiça morosa e, no limite, adepta da impunidade.

“Claro que é ótimo, em tese, se falar: vamos espera a última decisão para não correr nenhum risco de condenação equivocada, para executar uma pena. Mas no nosso sistema processual existe uma infinidade de recursos, aliada a uma carga excessiva, desumana, realisticamente, irracional de processos nos tribunais superiores, no STJ e no Supremo Tribunal Federal, a exigência do trânsito em julgado significa na prática impunidade de crimes praticados pelos poderosos que tem condições pelas brechas da lei, não há nada de errado nisso, usam as brechas da lei, o errado está as brechas, para manipular o sistema para que esses processos nunca cheguem ao fim”.

O juiz ainda disse que “seria uma grande surpresa para mim se isso viesse do Supremo Tribunal Federal, que há pouco mais de um ano decidiu diferente”.

Brasil, um país que perdeu o medo do ridículo

22 de agosto de 2017

Luis Nassif, via Jornal GGN em 15/8/2017

Em São Paulo, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima discorre sobre história do Brasil. Fala dos degredados que incutiram nos brasileiros a malandragem atávica, poupando apenas os procuradores.

Em algum lugar do Brasil, o ministro Luís Roberto Barroso cita Faoro e Buarque e o grande pensador Flávio Rocha, dono das Lojas Riachuelo, para discorrer sobre reforma trabalhista e sobre a malandragem brasileira, que poupou apenas o Supremo

No Twitter, o procurador Hélio Telho rebate o economista Paulo Rabello de Castro e diz que ele (Telho) precisa ensinar capitalismo de verdade a esses capitalistas de compadrio.

Seu colega goiano, Ailton Benedito, da Procuradoria dos Direitos do Cidadão, afirma, no Twitter, que os nazistas eram socialistas, porque seu partido se chamava Nacional Socialismo e em que breve os socialistas-nazistas brasileiros matarão os cidadãos nacionais.

Não bastassem os atentados ao estado de direito, a invasão da política, esses gênios do data vênia resolvem agora enveredar por todos os campos do conhecimento, com mesma desenvoltura de um Romário, de Neymar falando platitudes. Tornaram-se celebridades e se sentiram no direito de falar bobagens e não serem cobrados, como fazem as celebridades, que são inimputáveis.

Onde se vai parar esse exibicionismo maluco? Daqui a pouco estarão discorrendo sobre a Teoria da Relatividade, como Ayres Britto. Quando a imprensa terá coragem de dizer para esses gênios que o espaço dado a eles é apenas utilitarista, porque ajudam no seu jogo político e que sua militância intelectual é ridícula e expõe o próprio poder ao qual pertencem?

Esse mundo de faz-de-conta da mídia criou egos tão monumentais, que, além de discorrer sobre os degredados portugueses, Carlos Fernando se viu com o poder de puxar a orelha da futura procuradora-geral da República! E tudo isso do alto da autoridade conferida por uma cobertura displicente, que não consegue diferenciar o canto da cotovia do zurrar de um jumento.

Dia desses, um desses procuradores estava indignado porque a Polícia Federal tomou medidas internas sem pedir sua opinião.

Ontem anunciou-se que o bravo Ministério Público Federal está proporcionando cursos de Twitter para o procurador que quiser se aventurar. Para quê? Para que exercitem uma militância nociva, politizando as discussões, agindo como partido político com militantes de egos exacerbados?

Para prestar apenas contas de seus atos, não será, porque senão não se permitiria a Dallagnol e outros militantes o uso do Twitter para ataques ao Congresso, por pior que seja, aos advogados e aos críticos da Lava-Jato.

É um pesadelo sem fim. Quando se envereda pelo caminho do ridículo, com a sem-cerimônia dos néscios, é porque se chegou ao fim da linha.

O mau cheiro cada vez mais insuportável da Lava-Jato

22 de agosto de 2017

Momento histórico da Lava-Jato: Deltan Dallagnol, famoso por especular com imóveis do Minha Casa Minha Vida e por seu talento na elaboração de powerpoints, institui uma novidade no Ministério Público: o chilique como arma política. “Se os deputados criarem leis que coíbam nossos abusos, a gente faz biquinho e renuncia”, diz ele. Se houvesse um controle externo do MP, seria o caso de responder imediatamente a esse tipo de manifestação da seguinte maneira: “Renunciem, crianças. Mas a renúncia será do emprego também. Perderão os salários e as mordomias. Adeus.

Lido em O Cafezinho em 14/8/2017

A coluna da Mônica Bergamo publica na segunda-feira, dia 14/8, na Folha, uma nota sobre uma decisão da Procuradoria Geral da República (PGR), que mostra o grau de partidarismo baixo que tomou conta de todo o ministério público, inclusive de suas instâncias mais altas.

É um mau cheiro cada vez mais insuportável.

Procuradores desistiram da “delação premiada” da Andrade Gutierrez, diz a nota, porque os executivos da empreiteira não tinham nada contra Lula. E porque, pelo jeito, também não se dispuseram a mentir ou a fazer o jogo sujo dos procuradores.

Eles tinham informações sobre Aécio Neves, porque a empresa é ligada ao tucano há muitos anos, mas isso não interessou aos procuradores.

O instituto da delação premiada virou uma palhaçada sem limites. Deveria ser sumariamente extinto, pelas seguintes razões:

1) No início, as delações começaram a vazar assim que feitas, antes mesma de serem homologadas. Isso virou praxe e durou anos. Era uma maneira de criar um fait accumpli e pressionar os ministros do Supremo a homologarem-nas.

2) Em seguida, os vazamentos começaram a se dar antes mesmo dos réus… delatarem. É o vazamento profético. Os jornais divulgam que fulano “vai delatar” e dizer “isso e aquilo”, acusando “tal ou qual”, etc. Na mesma matéria, se informa que o réu ainda estaria “negociando” a delação. Ora, se está negociando, o vazamento serve apenas como método de pressão e intimidação, por parte dos procuradores, para que os réus aceitem delatar exatamente aquilo que foi vazado para o jornal.

3) Os procuradores não escondem mais que aceitam somente as delações que lhe interessam. Carlos Lima, um dos chefes da Lava-Jato em Curitiba, comparou a delação a um “mercado”, seguindo leis de oferta e demanda: ele pagava mais por delações de que mais precisava, naquele momento. Ou seja, o poder político que a delação confere a um procurador é imenso – e absurdo. Se ele precisa de uma delação para prejudicar um político, naquele exato momento, então ele estaria disposto a pagar qualquer preço.

4) Com Léo Pinheiro, o delator usado por Sérgio Moro como o principal testemunho contra Lula, inaugurou-se a “delação coringa”, em que você pega um pobre-coitado qualquer, condenado e recondenado, sem direito a habeas corpus, e diz que ele pode se prestar ao papel de delator sem obrigação de falar a verdade, e mesmo assim receberá todas as regalias de um delator tradicional. É bizarro. Não importa se o sujeito antes disse uma coisa e agora diz outra (como foi o caso de Léo Pinheiro). Não importa se o sujeito não apresenta provas (como é também o caso de Léo Pinheiro). O que importa é o efeito político e midiático da delação, e como ela pode ser usada na própria sentença, como base principal da culpa de um réu (como é o caso da sentença de Sérgio Moro contra Lula).

A Lava-Jato está conseguindo a proeza de destruir o próprio Ministério Público, incluindo aí a Procuradoria Geral da República (PGR).

Em campanha presidencial, Dória usa jatinho de advogado de Temer

22 de agosto de 2017

Dória chega a Palmas no avião do escritório de Nélson Willians e é recebido como candidato a presidente. Foto: Carlos Amastha / Facebook.

Jato usado por Dória para campanha é de advogado com contrato milionário sem licitação no governo Temer.

Joaquim de Carvalho, via DCM em 14/8/2017

O avião utilizado pelo prefeito João Dória para ir na segunda-feira, dia 14/8, a Palmas, no Tocantins, pertence ao escritório de Nélson Willians, advogado com ligações muito próximas de Michel Temer e o PMDB.

O escritório de Nélson Willians foi contratado, no ano passado, pela diretoria do Porto de Santos, antigo feudo político de Temer, para arbitrar uma disputa com a empresa Libra, uma das arrendatárias do porto para operações de contêineres, ao qual a empresa estaria devendo R$2,3 bilhões.

Não houve licitação para a escolha do escritório e sua contratação chamou a atenção também porque a Libra tem ligações com Temer.

Seus sócios doaram R$1 milhão para sua campanha a vice-presidente, em 2014. Pelo de arbitragem, o escritório pode receber R$23 milhões, 1% do valor da dívida.

A vinculação do escritório de Nélson Willians com os interesses de Temer também passa pelo processo de impeachment que tirou Dilma Rousseff do Palácio do Planalto.

Dois sócios de Nélson Willians prepararam o pedido de impeachment de Dilma Rousseff que Alexandre Frota levou a Brasília em 2015 – Cunha recebeu, mas colocou para votar outro pedido, o de Janaína Paschoal.

O avião do escritório de Nélson Willians também levou Frota para participar das manifestações pró-impeachment de Dilma, no dia da votação.

No governo Temer, além do contrato milionário com o Porto de Santos, Nélson Willians assinou contrato com o Banco do Brasil para administrar quase metade da sua carteira de processos na Justiça, depois de uma disputa rumorosa, que começou em 2014 e foi parar na polícia e no TCU, com a acusação de que o escritório teria cometido fraude para somar pontos na licitação.

Nélson na frente do Learjet: voo de ida e volta no mesmo dia, em avião inferior, sai por R$43 mil.

Em maio, outro avião do escritório, o Citation PR-ARA, foi usado para levar Dória a Pirenópolis, em Goiás, no casamento da filha do governador Marconi Perillo. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, acompanhou o prefeito.

Procurado pelo DCM, Nélson Willians confirmou que cedeu o avião a Dória, de quem se diz advogado.

“Eu sou advogado e amigo dele há muito tempo e ele estava impossibilitado de usar o avião dele hoje. Em emprestei e agora, quando eu precisar, uso o avião dele, que é maior. A gente faz um banco de horas, isso é comum na aviação”, afirmou.

O senhor é advogado de João Dória em que casos? “Sabe aquele de Campos de Jordão (invasão de área pública)? Eu sou advogado dele nesse processo. Também em processos trabalhistas, e em processos dele e da Bia (mulher de Dória)”, disse.

Nélson Willians frequenta os eventos do grupo Lide, onde foi fotografado ao lado de Dória e do juiz Sérgio Moro.

Um voo de ida e volta entre São Paulo e Palmas em táxi-aéreo está cotado a R$43 mil (este é o preço do frete em um King Air, inferior ao Learjet, modelo usado na viagem).

O compromisso de Dória em Palmas não era de interesse da prefeitura. Ele foi para lá a convite do senador tucano Ataídes Oliveira, para participarem juntos do 2º Encontro Estadual do PSDB do Tocantins.

Em Palmas, Dória foi recebido por um grupo de pessoas com camisetas anunciado a candidatura dele a presidente. Em ruas da cidade, foram vistas faixas com mensagens como “Tocantins quer Dória presidente” e “O Brasil precisa de gestão”.

A visita a Palmas faz parte de um circuito de viagens do prefeito. Ele também vai ao Recife (PE), Vila Velha (ES), Campina Grande (PB), Aracaju (SE) e Fortaleza (CE).

O que ele vai fazer nesses lugares? Campanha, claro – embora diga que o motivo é outro –, no avião do amigo que conseguiu bons negócios no governo Temer. Um sem licitação e outro com uma licitação em que o escritório de Nélson Willians foi acusado de fraude.

Advogado diz que é amigo e advogado de Dória, que o apresentou ao juiz Moro: ele e Dória trocariam horas de voo.


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