Além da ditadura, 7 fatos históricos que podem deixar Zezé di Camargo desconfiado

19 de setembro de 2017

Em entrevista à Leda Nagle, cantor diz que não existiu ditadura militar no Brasil, mas sim um “militarismo vigiado”.

Via HuffPost Brasil em 12/9/2017

As declarações um pouco contraditórias repercutiram nas redes sociais. Parece que até hoje, o Brasil desconhecia o mais novo historiador brasileiro.

O cantor, e aparentemente historiador brasileiro, Zezé di Camargo afirmou em entrevista ao canal do YouTube de Leda Nagle que não houve Ditadura Militar no Brasil, mas sim um “militarismo vigiado”.

“Vou falar aqui um absurdo, algo que muitos vão me criticar”, preparou Zezé à Leda, em entrevista divulgada na noite da segunda-feira, dia 11/9.

“Muita gente confunde militarismo com ditadura. Nós não vivíamos na ditadura, vivíamos em um militarismo vigiado”.

Segundo ele, ditadura foi e é vivida na Venezuela, com Maduro, em Cuba, com Fidel Castro, na Coreia do Norte, com Kim Jong-un – o que não foi o caso do Brasil. “No Brasil, nunca chegou a ser uma ditadura, daquela ‘ou você está a favor ou você está morto’. Não chegou a ser tão sangrenta, tão violenta”, explicou.

Ele ainda sugeriu que o Brasil poderia passar por um “novo militarismo” para sair da crise.

“Eu acredito, as pessoas vão me achar maluco, não quero isso jamais pro Brasil, mas eu imagino que o Brasil hoje precisaria passar por uma depuração. O Brasil até podia pensar no militarismo para reorganizar a coisa e entregar de novo”.

Questionado sobre a possibilidade de se tornar político no futuro, o cantor diz que já recebeu convites, mas não quer seguir tal carreira – apesar de muitos políticos, segundo ele, se impressionarem com seu “conhecimento político do Brasil”. “Quero ser politizado para exercer o meu direito como cidadão”, completou.

As declarações um pouco contraditórias repercutiram nas redes sociais. Parece que até hoje, o Brasil desconhecia o mais novo historiador brasileiro.

Além do “mito” da ditadura, aqui estão alguns fatos históricos que o cantor Zezé di Camargo pode ser cético sobre sua veracidade. Veja:

1) O BIG BANG
A teoria do Big Bang diz que o universo teria surgido de uma grande explosão cósmica, que criou o espaço e o tempo há, aproximadamente, 13 ou 14 bilhões de anos atrás. Ela se apoia, em parte, na teoria da relatividade de Albert Einstein e nos estudos do astrônomo Edwin Hubble. Mas, vai saber a verdade, não é mesmo?

2) HOLOCAUSTO
O maior genocídio do século 20, que matou mais de 6 milhões de pessoas, entre judeus, homossexuais, comunistas, ciganos e oponentes do regime nazista durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), pode não ter sido bem assim. Alguém deve ter exagerado nos números.

3) AQUECIMENTO GLOBAL
O processo de aumento da temperatura média dos oceanos e da atmosfera da Terra, causado por emissões de gases e poluição que aumentam o efeito estufa, é criticado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. E Zezé pode também ter dúvidas sobre o assunto.

4) ESCRAVIDÃO NO BRASIL
Apesar dos livros, relatos, documentos históricos e pinturas da época retratarem a escravidão no Brasil, que persistiu por cerca de 400 anos desde o período colonial do País, no século 16, Zezé pode ser cético sobre isso.

5) HOMEM FOI NA LUA
Há 48 anos, os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin ficaram duas horas em solo lunar, depois de uma viagem de quatro dias. O cantor Zezé di Camargo, assim como muitas pessoas, deve não acreditar nessa história para boi dormir.

6) ELVIS PRESLEY E MICHAEL JACKSON MORRERAM
O rei do rock e o rei do pop continuam vivos e fotos provam isso.

7) 7 × 1: GOOOL DA ALEMANHA
Os brasileiros se sentiram humilhados no jogo em que a seleção brasileira perdeu para a Alemanha durante a Copa no Brasil em 2014. O sonho do hexa ficava cada vez mais distante à medida em que os jogadores alemães faziam mais um gol. Muitos preferiram achar que era replay, e não mais um gol da Alemanha.

Zezé, porém, também não deve acreditar nessa balela. Vai que ganhamos o hexa e ninguém sabe disso, não? Qual sua opinião sobre a veracidade destes 7 fatos históricos?

Não sejamos inocentes: houve uma ameaça de golpe militar

19 de setembro de 2017

Tereza Cruvinel em 18/9/2017

O “esquecimento seletivo” caracteriza estes tempos estranhos que vivemos no Brasil. A semana começa sem comentários sobre a ameaça de intervenção militar feita na sexta-feira, dia 15/9, por um general da ativa, Antônio Hamilton Mourão, que não foi preso nem advertido por esta ofensa à Constituição. Seu superior hierárquico, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, apenas negou categoricamente esta possibilidade. O ministro da Defesa ficou mudo. Só no início da noite informou ter chamado o comandante do Exército a dar explicações sobre o caso. Já o comandante-em-chefe das Forças Armadas, que teoricamente é Michel Temer, não deu um pio. Afinal, ele também está no cargo por conta de um golpe, não militar, mas parlamentar. Que moral tem para repreender pregações golpistas? Em vez de esquecer as declarações do general Mourão, devemos nos lembrar de 1964, quando ninguém acreditava num golpe militar. Afinal, a porteira já foi aberta com a derrubada da presidente eleita Dilma Rousseff e a tomada do poder civil por uma organização criminosa. O golpe militar é o degrau que falta para o Brasil completar sua volta ao passado.

A posse da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, na manhã de segunda-feira, dia 18/9, guarda uma relação com as ameaças do general Mourão. Disse ele, de farda, em sua palestra de sexta-feira numa loja maçônica de Brasília: “Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública os elementos envolvidos em todos os ilícitos ou então nós teremos que impor uma solução. Os Poderes terão que buscar uma solução. Se não conseguirem, temos que impor uma solução. E essa imposição não será fácil. Ela trará problemas. Pode ter certeza”. Ah, sim, não temos dúvidas de que os problemas seriam terríveis. Não nos esquecemos dos 21 anos da ditadura militar.

O discurso de posse de Raquel Dodge, em que pregou a “harmonia entre os poderes”, não pode ser tomado como roteiro de sua atuação, mas, nas entrelinhas, pode-se ler que o MPF, sob seu comando, será mais contido no combate à corrupção. Ela pregou mais ênfase em outras tarefas do Ministério Público, como a defesa dos direitos humanos, do meio ambiente, dos índios, enfim, dos direitos difusos dos cidadãos. Se esta pregação, que relativiza a prioridade à Lava-Jato, significar essencialmente o fim dos abusos, das delações forçadas, dos vazamentos seletivos, das punições politicamente orientadas e do populismo de alguns procuradores, tanto melhor.

Mas, caso venha a representar uma freada nas investigações que envolvem Temer e seu grupo no poder, será a rendição da PGR. E para o general Mourão, a indulgência significará que o problema político não foi solucionado, “retirando da vida pública os elementos envolvidos em todos os ilícitos”? E neste caso, teremos o golpe militar? Ou não se referia ao general aos que estão no governo, acusados de comporem uma quadrilha chefiada por Temer, mas a outras forças políticas? A Lula, por exemplo, com o impedimento de sua candidatura?

Em sua palestra, o general admitiu a existência de “planejamento” sobre a hipótese de intervenção e acrescentou: “O que interessa é termos a consciência tranquila de que fizemos o melhor e que buscamos, de qualquer maneira, atingir este objetivo. Então, se tiver que haver, haverá”. No final de semana, em declaração a O Estado de S.Paulo, minimizou o que disse, dizendo não estar “insuflando nada” e ter falado em nome pessoal.

Ainda assim, o que ele falou nunca havia sido dito por nenhuma autoridade militar depois de 1985, quando a ditadura chegou ao fim. Foi a confirmação de que ainda pulsa, nas casernas, a tentação intervencionista, adubada a partir de 2013 pelos manifestantes de direita que pediram a volta dos militares.

O “esquecimento seletivo” não pode apagar esta ameaça. Não podem os democratas fiar-se inocentemente apenas na garantia do comandante do Exército: “ Desde 1985 não somos responsáveis por turbulência na vida nacional e assim vai prosseguir. Além disso, o emprego nosso será sempre por iniciativa de um dos Poderes”, disse o general Villas Bôas. Declarações parecidas também foram dadas por altas patentes antes de 1964.

Fomos convencidos, nas últimas décadas, de que golpes militares são um anacronismo que não encontram lugar no presente. Mas não acreditávamos também em golpe parlamentar, e ele veio. Este foi um fato grave, agravado pela ausência de reação dos superiores hierárquicos do general.

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ESPERANDO RAQUEL
Tereza Cruvinel em 17/9/2017

O primeiro desafio à espera da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que toma posse na segunda-feira, dia 18/9, numa cerimônia que terá a presença de Michel Temer, será o de demonstrar sua independência e disposição no combate aos crimes dos poderosos. A descortesia dela ao não convidar, com a devida distinção, o antecessor Rodrigo Janot para a solenidade, fala mais das disputas internas no MPF do que de sua disposição para dar combate à corrupção e continuidade aos processos instaurados a partir da Lava-Jato. A ausência de Janot poupará constrangimentos mas alimentará as indagações sobre o mandato de Raquel. A composição da equipe dela não sugere uma diferenciação pela indulgência, mas apenas por estilo e método. Quem apostar em brandura pode quebrar a cara. Mesmo assim, Raquel Dodge terá de produzir logo uma demonstração de independência e a chance pode vir esta semana, se o STF acolher o pedido da defesa de Temer para que a denúncia de Janot seja “corrigida”, com a remoção de acusações por delitos ocorridos antes do exercício do mandato. A tarefa será dela.

É praticamente certo que o Supremo não acolherá o pedido de Temer para “congelar” a denúncia até que sejam concluídas as investigações sobre desvios na negociação da delação da JBS, em que o ex-procurador Marcello Miller teria atuado como agente duplo, assessorando os delatores enquanto ainda era vinculado ao MPF. Os ministros Marco Aurélio Mello e Luiz Fux já se fizeram declarações apontando a impossibilidade jurídica de travarem a denúncia, retardando seu envio à Câmara.

Outro, porém, pode ser o entendimento em relação ao fato de a denúncia fazer referências a delitos de Temer ocorridos antes do exercício do mandato. A Constituição é clara quando assegura que isso não pode acontecer. Para derrubar Dilma, alegando falhas gerenciais que representariam crime de responsabilidade, os golpistas invocaram pedaladas fiscais em 2014. Mas isso não colou, tratava-se de mandato anterior. Então o diligente TCU, antes mesmo de julgar as contas de 2015, providenciou relatório apontando pedaladas também naquele ano, o primeiro do segundo mandato. E deu no que deu.

Poderá o STF entender – como eu entendi ao ler o calhamaço da denúncia – que Janot invocou fatos anteriores ao mandato presidencial de Temer apenas para indicar que a organização criminosa começou a se formar lá atrás, mas que continuou funcionando depois da ascensão dele à Presidência, mantendo-se ele no topo da estrutura e tomando as decisões sobre cobrança e divisão de propinas. Poderão também dizer que caberá à unicamente à Câmara, e não ao STF, decidir pela constitucionalidade da denúncia, inclusive quanto ao tempo dos delitos apontados. Parece-me mais provável que seja esta a opção do colegiado.

Mas poderão também entender os ministros do STF que Janot deveria ter se limitado a apontar crimes cometidos no exercício do mandato, embora seja complicado falar de uma ação que se desenrolou no tempo – a continuada atuação do PMDB da Câmara como apoiador do governo para com isso obter postos de poder no Estado e praticar a extorsão – sem demonstrar a evolução da organização criminosa. Caso assim entenda o tribunal, caberá a Raquel Dodge fazer as devidas correções na denúncia, deixando mais explícito que Temer só deve responder por crimes cometidos depois da posse. E mesmo assim, não faltará matéria-prima. O incentivo a Joesley Batista para que continuasse comprando o silêncio de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro é coisa deste ano. O decreto dos portos, que favoreceu a empresa Rodrimar, também é deste ano. Das conexões com os outros integrantes do PMDB da Câmara fala a própria composição do governo de Temer.

Mas se tiver que mexer na denúncia de Janot, será hora de Raquel Dodge dizer a que veio, fazendo alterações formais que não representem alívio para quem a nomeou. Mantendo a essência da denúncia, que o acusa de obstrução da Justiça e comando de organização criminosa. Qualquer afrouxamento reforçará a crença de que ela veio para ser o anti-Janot. Dodge, por sua trajetória, não pode ser esperada como uma engavetadora-geral da República, nos moldes de Geraldo Brindeiro, o PGR da era FHC. Mas deverá fazer tudo para evitar a perda de confiança na PGR, neste tempo de instituições desacreditadas.

Raquel Dodge, a nova procuradora-geral, vai estancar a sangria

19 de setembro de 2017

Alex Solnik em 18/9/2017

Pelo que se pode deduzir do episódio em que foi nomeada – seu encontro secreto com o presidente no Jaburu nunca foi explicado de forma convincente – uma coisa é certa: em vez de usar as flechas do bambuzal, como seu antecessor, Raquel Dodge, a nova chefe da PGR e do MPF vai atuar para estancar a sangria que Janot provocou no governo Temer – não que faltassem motivos para tal; Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima não estão presos por excesso de virtude.

Nomeada com a bênção de Gilmar Mendes, o principal aliado de Temer dentro do STF, secundado por Alexandre de Moraes, Dodge é a principal moeda de troca que o governo ofereceu aos seus aliados.

Ela representa a promessa de que o tempo em que os peemedebistas de Temer, seja no Senado, na Câmara ou no governo eram denunciados a torto e a direito chegou ao fim.

Isso é muito melhor do que qualquer outra contrapartida que Temer poderia oferecer aos investigados e/ou denunciados para votarem nele a segunda denúncia de Janot, que a essa altura é natimorta.

Só não digo que Dodge vai matar no peito – expressão célebre atribuída ao ministro do STF Luiz Fux – por razões óbvias, mas suspeito que, se os homens de Temer já tinham um foro privilegiado, agora passam a ter dois.

Finalmente Jucá foi atendido.

PSDB decide apoiar quadrilhão e rejeitará a segunda denúncia contra Temer

19 de setembro de 2017

Via Brasil 247 em 18/9/2017

O PSDB se prepara para fincar de vez sua âncora no governo golpista de Michel Temer junto com seu “quadrilhão”, como definiu o inquérito da Polícia Federal. Os tucanos estão garantindo a Temer que vão trabalhar para rejeitar a nova denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o peemedebista.

A jornalista Andrei Sadi disse em seu blog que os deputados do PSDB já têm o discurso pronto para justificar a defesa de Temer: a denúncia de Rodrigo Janot “não é suficiente” para provocar uma “ruptura” no cenário político em meio à discussão sobre as reformas econômicas.

Os tucanos, no entanto, admitem que o motivo maior é não causar turbulências a um ano da eleição para presidente da República. Na primeira denúncia contra Michel Temer, a bancada do PSDB rachou no plenário: foram 22 votos contra a denúncia, e 21 a favor.

Para retribuir a proteção do PSDB, Temer está afirmando que vai manter no cargo o ministro tucano Antônio Imbassahy.

Denúncia
Desta vez, a procuradoria acusa o presidente de organização criminosa e obstrução da Justiça. Temer é acusado de ter participado, desde 2002, de um grupo responsável pelo desvio de R$587 milhões. A partir de 2016, ele teria passado para um papel de liderança. A denúncia afirma que ele “dava a necessária estabilidade e segurança ao aparato criminoso, figurando ao mesmo tempo como cúpula e alicerce da organização”. As acusações têm por base gravações, grampos telefônicos e delações.

No documento de 245 páginas, Janot descreve como o grupo de Temer teria cobrado propina para que empresas conseguissem contratos com estatais e ministérios controlados pelo PMDB. Apenas no caso da Petrobras, o esquema teria causado prejuízo de R$29 bilhões. Ainda há uma acusação por obstrução da Justiça contra Temer por suspeita de que ele conspirou com o empresário Joesley Batista para comprar o silêncio de Lúcio Funaro, um operador de propinas do PMDB que está preso.

Com “disfarce”, Moro vai à Arena da Baixada torcer pelo Atlético/PR

19 de setembro de 2017

Via DCM em 18/9/2017

Eis o texto da UOL incrivelmente bajulatório sobre a ida de Moro ao estádio do Atlético.

Personalidade discutida nacionalmente por conta da Operação Lava-Jato, o juiz federal Sérgio Moro teve um de seus “segredos” revelados na tarde de domingo, dia 17/9, quando o Atlético/PR derrotou o Fluminense por 3 a 1 na Arena da Baixada. Moro foi clicado por um torcedor em pleno exercício da paixão pelo Furacão, comemorando os gols da vitória sobre o Tricolor carioca, contando com um leve “disfarce”: óculos escuros e boné vermelho.

A paixão clubística de Moro não era de conhecimento público. Natural de Maringá, no interior do Paraná, Moro divide o time do coração com alguns personagens que estão na discussão sobre a Lava-Jato, como o ex-ministro Paulo Bernardo e sua esposa, senadora Gleisi Hoffmann (PT), ambos também atleticanos.

Não apenas isso: o presidente licenciado do Atlético, Mario Celso Petraglia, responde a uma ação em que é acusado de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio e que está na 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, exatamente a de Sérgio Moro, o que inclusive gerou uma confusão pública sobre a eventual participação de Petraglia na Lava-Jato. Por estar atarefado com a operação que virou filme recentemente, Moro passou a ação de Petraglia para a juíza-substituta Gabriela Hardt.


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