Ódio e intolerância: Homem é preso após tentar detonar coquetel molotov dentro de sede do PT

30 de junho de 2016

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Via Folha online em 30/6/2016

Um homem atacou por duas vezes a sede do PT na quinta-feira, dia 30/6, segundo a polícia. O atentado mais grave aconteceu às 14h30, quando Emilson Chaves da Silva lançou um coquetel molotov dentro do prédio, no momento em que dirigentes do partido – entre eles seu presidente, Rui Falcão – voltavam do almoço.

A ocorrência foi revelada pela coluna Mônica Bergamo. O comerciário usou um cigarro para tentar detonar a bomba, mas não conseguiu. Alertados pelos seguranças, petistas que estavam no hall do prédio correram atrás do suspeito pela rua Silveira Martins, no centro de São Paulo, e o detiveram.

O ex-deputado Paulo Frateschi foi um dos que entregaram Emilson a dois PMs. “Eu vou voltar”, gritou o homem, segundo relato de Frateschi.

Segundo o perito criminal do Núcleo de Polícia Científica, Ricardo Lopes, foi encontrada uma lata de solvente “potencialmente inflamável”, que teria capacidade de atingir toda a sala e causar vítimas caso fosse acionada.

Ameaça
A ameaça já tinha sido feita 13 horas antes. Às 1h15m, Emilson teria usado um pé-de-cabra contra a vidraça do prédio que abriga o Diretório Nacional do partido.

Segundo boletim de ocorrência, ele carregava um canivete e gritava que “mataria todos os petistas”.

Preso em flagrante, ele foi levado, ao 8º Distrito Policial, do Brás, sendo liberado em seguida. Após a liberação, uma publicação atribuída a Emilson Chaves Silva, nas redes sociais, dizia: “Foi eu [sic] quem ataquei o diretório nacional do partido dos trabalhadores e vou atacar de novo”.

O presidente do PT, Rui Falcão, levou uma cópia da mensagem à polícia para pedir proteção ao partido.

Como o suspeito pôde voltar à sede para um novo ataque, os advogados do PT pediram abertura de inquérito na Corregedoria da Polícia para apurar por que o autor dos atentados foi solto após prisão em flagrante.

Nesta manhã, ele também havia sido detido após ser flagrado pelos Policiais Militares com um pé de cabra tentando retirar os vidros das portas que dão acesso ao mesmo prédio. Ele foi ouvido e liberado, por falta de representante do imóvel, conforme prevê a legislação em casos de menor potencial ofensivo.

Ao saber do ataque, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma mensagem ao partido, segundo a qual o “Brasil tem assistido a muitas cenas de intolerância e ódio”.

“Nenhuma bomba, pé-de-cabra ou agressão vai tirar nossa determinação de lutar por um Brasil mais justo”, diz.

Falcão informou que, por ter ocorrido na sede nacional do partido, os advogados do PT vão recorrer também à Policia Federal. “É mais um atentado contra o PT provocado por essa onda de intolerância que é estimulada pela grande mídia”, disse.

Segundo o deputado Zico Prado, que deixou a Secretaria da Segurança Pública de SP na noite de quinta-feira, dia 30/6, o comerciário seria um dos acampados na av. Paulista que pediam o impeachment de Dilma Rousseff, no começo do ano.

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Jatinho fantasma: Grupo criminoso financiou campanha de Eduardo Campos e Marina em 2010, diz PF

21 de junho de 2016

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PF, ENFIM, VAI EM CIMA DOS DONOS DO “JATINHO FANTASMA” DE EDUARDO CAMPOS
Fernando Brito, via Tijolaço em 21/6/2016

Da Folha:

A Polícia Federal deflagrou uma operação para combater um esquema de lavagem de dinheiro em Pernambuco e Goiás que teria movimentado cerca de R$600 milhões nos últimos seis anos. Suspeita-se que as contas investigadas tenham sido usadas para pagar propina a políticos e fazer “caixa 2” de empreiteiras.
Batizada de Turbulência, a operação prendeu preventivamente cinco pessoas, entre elas os empresários João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, Eduardo Freire Bezerra Leite e Apolo Santana Vieira, donos do avião que caiu com o ex-governador pernambucano Eduardo Campos durante a campanha presidencial de 2014.
A investigação começou depois que a PF descobriu operações suspeitas nas contas de empresas envolvidas na compra dessa aeronave, um Cessna Citation.
Além das prisões, foram cumpridos 22 mandados de condução coercitiva e 33 de busca e apreensão em 16 cidades pernambucanas. A PF constatou que essas empresas eram de fachada, constituídas em nome de “laranjas”, e que realizavam diversas transações entre si e com outras empresas fantasmas, inclusive com algumas empresas investigadas no bojo da Operação Lava-Jato, informou a Polícia Federal.

Em resumo, nada que não tenha sido fartamente noticiado especialmente pela blogosfera – mas que, pelas estranhas forças magnéticas que orientam nossa Polícia e Justiça, até agora não tinha “vindo ao caso”.

Será que isso vai reavivar a memória do PSB e de Marina Silva, que viu o avião aparecer e achou que era um presente das fadas da floresta?

Ou os quase dois anos em que se deixou “para lá” permitiram que se destruísse ou “ajeitasse” todo tipo de prova?

***

GRUPO CRIMINOSO PODE TER FINANCIADO CAMPANHA DE CAMPOS EM 2010, DIZ PF
Empresas teriam comprado jato que caiu e matou Eduardo Campos. Quatro pessoas foram presas durante a Operação Turbulência.
Via G1

O esquema criminoso investigado na Operação Turbulência, deflagrada na terça-feira, dia 21/6, pode ter financiado a campanha de reeleição do então governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), em 2010, segundo a Polícia Federal. Também teria envolvimento com a compra do avião Cessna Citation que caiu em Santos (SP), em agosto de 2014, causando a morte do presidenciável.

“O esquema foi utilizado para pagar propina na campanha do governador”, afirmou a delegada federal Andrea Pinho, durante entrevista coletiva no Recife.

A operação teve início com investigações sobre a compra do avião, logo após o acidente que matou Campos e outras seis pessoas, mas chegou a um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado até R$600 milhões, segundo a PF. Esse montante seria alimentado por recursos de propinas e usado por firmas de fachada e sócios “laranjas” para fazer a lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal investiga, agora, a relação entre essas empresas citadas na Turbulência – que não tiveram os nomes divulgados – e grupos já envolvidos na Operação Lava-Jato e em investigações que estão no Supremo Tribunal Federal (STF).

A operação prendeu nesta terça-feira quatro empresários suspeitos de integrar a organização criminosa e se beneficiar dela – João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho, Eduardo Freire Bezerra Leite, Arthur Roberto Lapa Rosal e Apolo Santana Vieira. Todos foram levados para a sede da PF, no Recife.

Para justificar a prisão, a PF faz a relação entre as empresas deles e o avião usado pela comitiva de Eduardo Campos. Mello Filho afirma ser o dono do avião que caiu e causou a morte do ex-governador de Pernambuco durante a campanha presidencial de 2014. A PF verificou o envolvimento de empresas de fachada na compra da aeronave.

“Essas empresas transacionavam entre si e realizavam movimentações milionárias, na conta de outras empresas igualmente de fachada e na conta de outros ‘laranjas’. Elas integravam uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro, que vem desde 2010 e que decaiu após a queda do avião”, explicou a delegada.

A PF apura também o repasse de R$18,8 milhões da empreiteira OAS, que é investigada na Lava-Jato, para a Câmara & Vasconcelos, uma empresa de fachada envolvida na compra do avião que transportava Campos. A empresa alegou que os recursos foram pagamento por serviços de terraplanagem em obras do Rio São Francisco.

Contas da campanha
Investigadores querem saber quem teria negociado o envio de dinheiro do esquema criminoso para a campanha de Campos em 2010. O senador Fernando Bezerra Coelho (PSB/PE), ex-ministro da Integração Nacional do governo Dilma Rousseff (PT), responsável pela obra no sertão nordestino, seria um dos suspeitos.

“O indicativo que a gente tem é que Fernando Bezerra Coelho teria sido a pessoa encarregada de colher, digamos assim, os valores do percentual devido para a campanha do ex-governador. Teria-se feito um esquema criminoso”, disse a delegada Andrea Pinho. Segundo ela, ainda não é possível afirmar que Bezerra integrava o esquema, porque ele é investigado em outro inquérito, que está no STF.

“Tudo começou com a história do avião, mas agora queremos desarticular toda essa organização. Quem são os envolvidos, o que fizeram e quem foram os beneficiados”, completou o delegado Daniel Silvestre.

O que dizem os envolvidos
A assessoria de Fernando Bezerra Coelho divulgou nota repudiando a “incorreta vinculação do nome dele à ‘Operação Turbulência’, uma vez que o senador não é sequer mencionado nos autos desta investigação”.

Bezerra Coelho afirmou ainda que não foi coordenador das campanhas de Eduardo Campos nem em 2010 nem em 2014. Quanto à investigação que tramita STF, ele disse que “sempre esteve à disposição para colaborar”.

A OAS informou que não vai se pronunciar sobre as investigações. A família do ex-governador Eduardo Campos também afirmou que não iria se pronunciar por enquanto.

Em nota, a direção nacional do PSB, afirma ter plena confiança na conduta de Eduardo Campos, ex-presidente e ex-governador de Pernambuco. No texto, o partido afirma que apoia a apuração das investigações e reafirma a certeza de que, ao final, não restarão quaisquer dúvidas de que a campanha de Eduardo Campos não cometeu nenhum ato ilícito. O G1 segue tentando contato com os advogados dos presos na operação.

De acordo com a advogada do empresário Paulo César de Barros Morato, que para PF está foragido, o último contato com ele foi no domingo, dia 19/6. “Ele não fugiu, apenas não deve estar sabendo. Assim que eu conseguir localizá-lo, ele irá se apresentar”, afirmou ao G1 Marcela Moreira Lopes, que veio de São Paulo e chegou à sede da Polícia Federal no Recife às 18 horas.

A advogada informou ainda que o cliente reside em Pernambuco, onde possui dois imóveis: um no Recife e outro em Tamandaré, no Litoral Sul do estado. “Paulo possui uma empresa de obras de terraplanagem, a Câmara e Vasconcelos, e viaja muito para o interior, talvez por isso não esteja conseguindo contato com ele”, acredita.

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Polícia Federal em PE deu detalhes da Operação Turbulência no Recife. Foto: Thays Estarque / G1.

RESUMO DA OPERAÇÃO
Objetivo
: desarticular uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro.
Mandados judiciais: 35 mandados de busca e apreensão, 16 conduções coercitivas, quatro prisões preventivas.
Presos: João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, Eduardo Freire Bezerra Leite, Arthur Roberto Lapa Rosal e Apolo Santana Vieira.
Suspeito foragido: Paulo César de Barros Morato.
Apreensões: dois helicópteros e um avião avaliados em R$9 milhões, além de US$10 mil com Eduardo Freire.

Por volta das 16h40, os quatro presos deixaram a sede da PF e seguiram para o Fórum Joana Bezerra, na área central do Recife, onde passarão por audiência de custódia. Em seguida, serão encaminhados para o Centro de Triagem de Abreu e Lima (Cotel), no Grande Recife, onde ficarão à disposição da Justiça. Os envolvidos responderão pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Compra do avião
Eduardo Ferreira Bezerra Leite, João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Apolo Santana Vieira foram citados em documentos sobre a compra do jato Cessna, que foi usado pela comitiva de Eduardo Campos em 2014. Os extratos entregues à Polícia Federal mostraram 16 transferências, de seis empresas ou pessoas diferentes, num total de R$1.710.297,03, para a compra da aeronave.

Nesses documentos, aparecem os números do CPF das pessoas físicas ou do CNPJ das empresas que transferiram dinheiro para a empresa AF Andrade, que tem o registro da aeronave na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Com esses números foi possível chegar aos donos das contas.

Esses documentos de 2014 mostraram que a Leite Imobiliária, de Eduardo Freire Bezerra Leite, fez transferência de R$727 mil para a AF Andrade em maio de 2014, proprietária anterior do jato usado por Campos durante a campanha. João Carlos Pessoa de Mello Filho também foi citado, com uma transferência de R$195 mil.

Em 2014, o PSB afirmou que o uso do jato na campanha eleitoral havia sido autorizado por Mello Filho e Apolo Santana Vieira.

Na mesma época, Mello Filho declarou que, para honrar compromissos com a empresa AF Andrade, fez vários empréstimos, com o objetivo de pagar parcelas atrasadas do financiamento do avião usado por Campos. A Leite Imobiliária confirmou, também na mesma ocasião, que transferiu quase R$730 mil para a AF Andrade como um empréstimo a Mello Filho.

O G1 procurou a AF Andrade nesta terça, mas a empresa informou que não iria se pronunciar sobre o assunto.

O acidente
A queda da aeronave ocorreu por volta das 10 horas do dia 13 de agosto de 2014, em um bairro residencial de Santos. O então candidato tinha uma agenda de campanha na cidade. O avião decolou do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino ao aeroporto de Guarujá.

Além de Campos, outras seis pessoas estavam na aeronave: Alexandre Severo Silva, fotógrafo; Carlos Augusto Leal Filho (Percol), assessor; Geraldo Magela Barbosa da Cunha, piloto; Marcos Martins, piloto; Pedro Valadares Neto e Marcelo de Oliveira Lyra.

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) da Força Aérea Brasileira (FAB) sobre o acidente aéreo, que foi divulgado em janeiro, apontou quatro fatores que contribuíram para a queda do avião. São eles: a atitude dos pilotos, as condições meteorológicas adversas, a desorientação espacial e a indisciplina de voo. Também há fatores que podem ter contribuído, mas que não ficaram comprovados, como uma eventual fadiga da tripulação.

A defesa dos familiares do piloto e do copiloto do avião que caiu afirmou ao G1, na época, que seus clientes ficaram “inconformados”. O advogado Josmeyr Oliveira, responsável pela defesa dos familiares dos pilotos, reclamou na ocasião que, na opinião dele, o documento “deposita toda a culpa pela tragédia” sobre a tripulação e não avança sobre possíveis falhas da própria aeronave.

Bolsonaro vira réu no STF, acusado de incitar estupro em briga com deputada

21 de junho de 2016

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Via Revista Brasileiros em 21/6/2016

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na terça-feira, dia 21/6, aceitar duas denúncias contra o deputado Jair Bolsonaro (PSC/RJ) por incitação ao estupro e por injúria contra a deputada Maria do Rosário (PT/RS). Com a decisão, o deputado se torna réu na Suprema Corte.

Há um ano, a deputada protocolou no Supremo uma queixa-crime depois que Bolsonaro disse em plenário que não estupraria a deputada e ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos porque ela “não merece”. De acordo com Bolsonaro, Maria do Rosário o teria chamado de estuprador naquela ocasião.

Ao Supremo, Rosário negou o uso da palavra “estuprador” e pediu condenação do parlamentar por calúnia. Já a acusação de injúria se deve a uma entrevista ao jornal Zero Hora na qual Bolsonaro repetiu a frase e ainda disse que não estupraria a deputada porque ela é “muito feia”.

Em seguida, a vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, denunciou Bolsonaro ao STF por incitação à prática do crime de estupro.

Ao analisar uma denúncia, a Segunda Turma da Corte entendeu, por quatro votos a um, que além de incitar o estupro, Bolsonaro ofendeu a honra da colega. “Ele é conhecido por projetos de lei que tendem a aumentar as penas de crimes para que condenado por crime sexual seja submetido à castração química […] É uma mentira insinuar que o deputado tenha incitado a prática de qualquer crime”, defendeu a advogada do parlamentar.

A maioria, no entanto, aceitou a abertura do processo. A decisão não significa uma condenação pelos crimes, mas sim que ele passa a ser considerado formalmente acusado no caso.

Coitado: O golpista Eduardo Cunha se diz vítima do sistema

21 de junho de 2016
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Sozinho: Os golpistas abandonaram o golpista-mor.

APÓS ENTREVISTA, DEPUTADOS DIZEM QUE CUNHA AGORA TENTA SE “VITIMIZAR”
Depois de suspense sobre o que iria anunciar, parlamentar frustra ao dizer que não renuncia e repete que vai apresentar novos recursos. Na avaliação de parlamentares, ele “quer aparecer”.

Hylda Cavalcanti, via RBA em 21/6/2016

Depois de fazer suspense sobre o tema da entrevista coletiva que marcou para a manhã de terça-feira, dia 21/6, o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB/RJ) frustrou as expectativas dos que esperavam que ele anunciasse a renúncia ao cargo. Cunha não apenas repetiu que não vai renunciar como reiterou que apresentará novos recursos contestando a votação do relatório do Conselho de Ética da Câmara, que pede a sua cassação. Mesmo a declaração de que ele não vai aderir à delação premiada não foi tida como suficiente para ser considerada uma novidade para os colegas parlamentares. Na avaliação dos colegas, ele passou uma imagem de que está cada vez mais sozinho e sem muitas formas de manter os argumentos que sempre apresenta.

“Ele quis aparecer e criar um fato novo, mas não apresentou qualquer novidade. Sem falar que ninguém acredita que alguma negociação sobre delação premiada vá ser definida agora”, afirmou o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PR/BA). A fala de Araújo foi repetida por várias bancadas partidárias, que citam como exemplo o caso do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, resistente à delação, e agora, um dos adeptos do instrumento.

O entendimento de muitos deputados que acompanharam, da Câmara, a entrevista, foi que Cunha queria acalmar os colegas que ainda fazem parte do seu grupo aliado, cada vez mais enfraquecido, sobre algum temor de delação – numa forma de conseguir manter votos a seu favor na sessão que decidirá pela sua cassação.

O deputado Carlos Marun (PMDB/MS), que integra o grupo de apoio ao deputado afastado, contestou as declarações. Disse que Cunha, ao contrário, demonstrou força ao reunir toda a imprensa e que “se enganam os que pensam que ele está derrotado”. “Ele é daqueles que lutam até o fim”, afirmou.

Já o relator do parecer que pede a cassação de Cunha no Conselho de Ética, deputado Marcos Rogério (DEM/RO), afirmou que o intuito da entrevista, a seu ver, foi evitar ficar fora dos holofotes e sair um pouco das reuniões em reservado. Rogério disse que não há preocupação por parte do Conselho em relação a qualquer recurso a ser apresentado. Segundo ele, o colegiado do órgão tem todas as formas de comprovar que foram seguidos os devidos trâmites.

Mas o depoimento de Cunha foi considerado para muitos uma continuidade das notas que ele tem divulgado nas últimas semanas. “Estou aqui para dizer, como vocês estão percebendo, que não renunciei. Não tenho crime praticado e vou contestar a votação do relatório que pede minha cassação por erros observados no rito de tramitação da matéria”, afirmou, logo no início da entrevista.

Promessas e ameaças
A entrevista teve dois pontos que chamaram a atenção. A acusação de Cunha de estar sofrendo cerceamento do seu direito de defesa e a denúncia de que recebeu do ministro da Casa Civil no governo Dilma Rousseff, Jaques Wagner, o compromisso de que o PT votaria a favor dele no Conselho de Ética. Perguntado sobre o motivo pelo qual não tinha feito tal denúncia antes, o deputado afastado disse que não tinha provas por que se tratou de uma conversa a dois e, por isso, preferiu evitar tratar do assunto. O ex-ministro Jaques Wagner não se pronunciou sobre a denúncia.

Por fim, também chamou a atenção a afirmação de Cunha de que recebeu várias ameaças de morte depois que acolheu o pedido de impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff, mas preferiu também não divulgar isso “para evitar se vitimizar”.

“Ele tenta se vitimizar desde sempre, não apenas hoje. Vejo a entrevista como mais uma forma de manobrar dentro do estilo ao qual este senhor estava acostumado a agir, só que desta vez ele não conseguiu convencer nem mesmo os que ainda o apoiam”, disse o deputado Alessandro Molon (Rede/RJ).

A deputada Erika Kokay (PT/DF) reclamou que a TV Câmara tenha transmitido ao vivo, por um de seus canais alternativos (acessíveis na TV digital), a entrevista de Eduardo Cunha. Para a deputada, existem várias votações e discussões de temas importantes para o país sendo realizadas na Casa e não é justo que um dos órgãos da Câmara ainda dê tanto espaço para um deputado que está afastado das suas funções.

“Vi a entrevista como o gesto de um parlamentar que está nitidamente enfraquecido e tentou mais uma alternativa para criar um factoide e se manter no cargo. Ele não vai conseguir. Até seus aliados admitem que o reinado de quebras regimentais e de desrespeito aos preceitos da Constituição pela presidência da Câmara durante as votações está chegando ao fim”, disse Chico Alencar (PSOL/RJ).

“Minha grande frustração foi o fato de Eduardo Cunha não ter dedurado ninguém do seu grupo hoje. Esperava que nesta entrevista, tão aguardada, ele apresentasse denúncias contra, pelo menos, uns dez amigos”, disse o deputado Silvio Costa (PTdoB/PE).

Empresário que xingou Alexandre Padilha em restaurante aparece 18 vezes em deleção da família Machado

21 de junho de 2016
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Danilo Amaral (à esquerda) ironizou o ex-ministro Alexandre Padilha (de branco no centro da mesa à direita) em um restaurante em São Paulo.

Julia Duailibi, via Revista Piauí em 21/6/2016

Protagonista de uma cena de agressão a um político petista, o advogado Danilo Amaral aparece 18 vezes na delação premiada da família Machado. Amaral, que hostilizou Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde de Dilma Rousseff, numa churrascaria em São Paulo, é sócio da Trindade, “butique de investimentos” que recebeu R$30 milhões do esquema do petrolão. Segundo delação premiada de Expedito Machado, o Did, filho caçula do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, a Trindade, que aparece 65 vezes na delação, foi usada para lavar dinheiro do petrolão (leia o volume 1 e o volume 2 da delação).

A cena da agressão a Padilha, em maio de 2015, foi gravada por um dos amigos de Amaral, sentado a uma mesa vizinha à do petista, e rapidamente se espalhou pelas redes sociais.

“Temos a ilustre presença do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, que nos brindou com o programa Mais Médicos, da presidente Dilma Rousseff, responsável por gastos de R$1 bilhão que nós todos otários pagamos até hoje. Uma salva de palmas para o ministro”, disse Amaral, em pé, segurando um copo no qual batia um talher para chamar a atenção dos presentes. A performance lhe rendeu breve fama nos dias subsequentes, com sua trajetória de empresário contada em sites de notícias.

A Trindade Investimentos começou a ser usada para receber os recursos ilícitos depois que as empreiteiras, donas de contratos com a Transpetro, resolveram não pagar propina no exterior nem em espécie. “Foi uma forma que o depoente encontrou à época para receber valores decorrentes de vantagens ilícitas de fornecedores da Transpetro com os quais seu pai estava tendo dificuldade no recebimento”, diz a delação de Did, responsável por operar o esquema de lavagem do dinheiro do pai.

Segundo Did, a Queiroz Galvão entregou à Trindade R$30 milhões via contratos de prestação de serviços entre 2010 e 2013. Os contratos, obviamente, só existiram após a intermediação dos Machado e foram pagos com valores acima dos de mercado (um dos objetos seria um estudo técnico sobre “ativos de ferro-gusa”, o que não parecia ser a especialidade da “butique de investimentos”). O dinheiro aportado na Trindade seria reinvestido em empresas de tecnologia, e o retorno encaminhado a Did, limpo. Segundo o delator, nenhum dos investimentos deu lucro. Ele, portanto, teria perdido o montante enviado à “butique de investimentos”, da qual diz não ser sócio oculto.

“O depoente engendrou, então, esquema pelo qual aparentaria, para uma empresa, funcionar como intermediário financeiro e/ou captador de negócios, mas o que em verdade faria é orientar as empresas devedoras da propina a alocar, com cobertura em contrato legítimo de prestação de algum serviço, os valores correlatos na empresa com que o depoente houvesse entrado em acordo”, diz a delação de Did, na qual ele explica o esquema criado para repassar a propina à Trindade. “O depoente acordava, então, com a empresa que seria contratada pela empreiteira que certa parcela dos valores assim alocados seria investida em participações societárias ou empreendimentos imobiliários, com devolução ao depoente, a termo, do saldo do principal.”

Did também ajudou a Trindade com um contrato de opção de compra de 25% da Pollydutos, empresa fornecedora da Transpetro. Essa opção nunca teria sido exercida, e o contrato foi desfeito. Uma linha de investigação é saber se a família Machado pretendia se tornar (ou se tornou) sócia oculta da Pollydutos, fornecedora da empresa dirigida pelo próprio Sérgio Machado. Outra ajuda que Did deu para o amigo Amaral foi em 2014, quando auxiliou na venda de um dos ativos de sua empresa para Luiz Maramaldo, acionista da NM Engenharia. O dinheiro investido na Trindade, a pedido de Did, seria um “saldo” que Machado pai teria a receber da NM Engenharia.

Amaral foi apresentado a Did por Sérgio Firmeza Machado, filho do meio de Sérgio Machado, ex-executivo do Credit Suisse e considerado o mentor das engrenagens financeiras promovidas pela família. Amaral também é citado na delação de Serginho, outro que investiu recursos na Trindade.

Assim como afirma sobre os terceiros citados em sua delação, Did diz que Amaral não sabia que os recursos tinham origem ilícita. “Gostaria de destacar que Danilo Amaral, fundador da Trindade, sempre agiu de boa-fé; que jamais fez qualquer menção a ele sobre o papel do seu pai nos negócios que originou; que ele via o depoente como uma pessoa com todos os requisitos para originar bons negócios”, diz Did na delação. Ele conta ainda que Amaral teria ficado “extremamente desconfortável” quando Machado pai apareceu na Lava Jato. “Que na ocasião, constrangido e em conversas bastante duras, lhe foi esclarecido que ele tinha presumido errado e que os negócios tinham sido originados com base na influência do pai do depoente.”

Amaral presidiu a BRA, empresa de transporte aéreo, foi entusiasta de grupos defensores do impeachment, como Movimento Brasil Livre, e vestiu uma camiseta de Friedrich Hayek – economista austríaco defensor do liberalismo – para ir às manifestações contra Dilma, durante as quais, é claro, se mostrou indignado com a corrupção.


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