Atualmente, Ciro, Maia e Bolsonaro representam a miséria política do país

5 de agosto de 2020

Carlos Fernandes em 4/8/2020

Nos bastidores de Brasília conta-se que o telefone de Jair Bolsonaro não parou de tocar a altas horas de segunda [3/8] após a entrevista de Rodrigo Maia ao Roda Viva, da TV Cultura.

O alvoroço não era para menos.

Aliados de primeira ordem avisavam ao presidente que o homem com poder de dar andamento às dezenas de pedidos de impeachment que tramitam na Câmara, havia afirmado em cadeia nacional que simplesmente irá arquivar tudo.

Notícia melhor não poderia ser recebida.

Maia, raposa velha da velha política que Bolsonaro tanto critica quanto usufrui, possui lá suas razões mesmo sendo alvo diuturno das hordas bolsonaristas que querem ver sua caveira.

Pragmático, prefere a possibilidade de uma trégua com o Executivo a correr os riscos inerentes a quem toma decisões dessa envergadura.

Sobre “questões menores” como o desastre econômico, devastação do meio ambiente, dizimação dos povos originários e minorias em geral e completo descaso no combate à maior crise sanitária de nossa história, para Maia, definitivamente não são motivos suficientes para o afastamento do pior e mais inepto presidente de todo o planeta.

Rodrigo Maia, dessa forma, endossa confortavelmente o genocídio em curso no país e lava os salões do Congresso com o sangue inocente de quem não pôde contar com a ajuda do Estado na luta pela própria sobrevivência.

E pensar que estamos falando do mesmo sujeito que Ciro Gomes, reiteradas vezes, alardeia para todos os cantos estar fazendo, nas suas palavras, um “excelente” trabalho para frear os abusos do atual governo.

É um escândalo a desfaçatez com que certos personagens de nossa política atuam na defesa de seus interesses particulares.

Ciro elogia Maia porque sabe que o apoio do DEM é imprescindível para a sua candidatura à presidência da República.

Sendo assim, não economiza loas a um liberal convicto com vasta ficha criminal independentemente do que venha a fazer ou, no caso, a não fazer.

Fora tudo, ambos, Ciro e Maia, concordam plenamente com a política econômica bolsonarista sob o comando de Paulo Guedes. E por mais que Ciro negue (Maia nem se dá a esse trabalho) seus recentes tuítes entregam o que suas bravatas querem esconder.

Numa declaração inacreditável, reclamou da dívida pública crescente em meio à pandemia. Para o iluminado, Guedes é quem está certo ao querer impor arrocho fiscal enquanto pessoas perdem empregos e vidas.

A rochosa formação liberal de Ciro Gomes não deixa de ser um castigo. Por mais que se esforce para escondê-la, uma hora o instinto fala mais alto.

O fato é que não é por acaso que chegamos a esse estado de coisas.

Jair Bolsonaro é o que é e não enganou ninguém. Quem votou nele sabia exatamente do monstro moral em quem estavam votando.

Rodrigo Maia, ciente de tudo isso, na mesma entrevista ao Roda Viva afirmou com todas as letras que até hoje não se arrepende de tê-lo apoiado. É, portanto, seu cúmplice em todo o mal que esse homem provoca para o povo brasileiro.

Já Ciro Gomes, um covarde incapaz de assumir sua posição, fugiu para a Europa por todo o segundo turno onde civilização e barbárie disputavam a eleição e voltou com um dia de antecedência para votar a favor da… barbárie.

Ciro, Maia e Bolsonaro são, incontestes, o retrato esculpido e encarnado de nossa completa miséria política.

São, rigorosamente, responsáveis diretos por tudo de ruim que estamos passando e – graças a Rodrigo Maia, o menino prodígio de Ciro – ainda passaremos até 2022.

***

Rodrigo Maia queria apoiar Ciro Gomes nas eleições de 2018

Vou repetir.

Rodrigo Maia, do DEM, que votou no 2º turno em Jair Bolsonaro em função do programa econômico de Paulo Guedes, queria que o seu partido, o DEM, apoiasse Ciro Gomes.

Alguém consegue desenhar essa excrescência bem direitinho pra ver se os cirominions entendem?

REDES SOCIAIS

Esclarecimentos necessários sobre Felipe Neto

5 de agosto de 2020

Rogério Quintanilha, via A Era da Idiocracia em 4/8/2020

Felipe Neto não é de esquerda.

Felipe Neto não é referência para a esquerda.

Felipe Neto não é sequer do agrado da esquerda.

Felipe Neto é um cara de mais de 30 anos que ganha a vida tratando crianças e adolescentes como imbecis e estimulando que se tornem consumistas. Felipe Neto não adiciona NADA na vida de ninguém.

Se agora ele é antibolsonarista, parabéns pra ele. Vai pro fim da fila. Tem muito mais gente que fala melhor contra o bozonaro, que FAZ melhor contra o bozonaro, e há mais tempo, sem ter a ficha suja que o Felipe Neto tem.

Eu não devia ter que dizer pra ninguém que quando a capa da Época diz que esse é o seu líder, ainda mais “líder da esquerda” é certo que o sujeito não é líder de merda nenhuma, mas eles “querem que seja”. E o que a época “quer que seja”, pode ficar tranquilo que você não vai querer.

Espero ter ajudado.

Cristofascismo, o novo projeto de nação

5 de agosto de 2020

A questão, para esse projeto evangélico reacionário, é inserir o indivíduo no mercado de trabalho de forma submissa, sem consciência de classe para que possa lutar por seus direitos, e temente a Deus, o que o tornaria relativamente obediente por meio de toda ideologia que envolve o ideal cristão de submissão a Deus.

Raphael Silva Fagundes, via Revista Fórum em 4/8/2020

Nada de erradicar a fome, ou o analfabetismo. Muito menos combater a corrupção. O cristofascismo é o novo projeto de nação inaugurado pela facção da burguesia que assumiu o poder.

Este projeto tem como foco despolitizar a classe operária de modo a retirar o elemento econômico de sua moralidade. Deste modo, a causa dos problemas sociais seriam elementos comportamentais, ideológicos, espirituais etc., jamais a prevalência dos interesses do capital em relação ao trabalho.

A apropriação de um discurso violento por um cristão é fruto de ser ele vítima da violência. As seitas neopentecostais se encontram, em sua maioria, em locais marcados historicamente pela violência. O discurso violento das letras de funk e o discurso violento do fiel têm a mesma origem social.

Pode-se constatar que a violência do bandido não é demonizada neste meio. Há traficantes evangélicos que atuam para ampliar o mercado dos neopentecostais nas favelas, depredando terreiros e expulsando pais de santo. Pedem proteção aos pastores locais, financiam shows gospel com o dinheiro do tráfico e acreditam que um dia, em nome de Deus, sairão do mundo do crime, como mostram as pesquisas de Christina Vital da Cunha sobre o Acari.

Ou seja, para o discurso cristofascista, o problema não é a violência. Não seria muito difícil pensar que estes traficantes sejam, em grande parte, bolsonaristas, a partir desta relação com as seitas neopentecostais que já reconheceram o presidente como um enviado de Deus. Além disso, “fotos do presidente Jair Bolsonaro têm sido utilizadas por traficantes em pinos de cocaína, que são embalagens usadas para a venda pelo tráfico”. [1] “Em Mogi Mirim, embalagens de maconha com a inscrição ‘Bolson Bek’ traziam a foto do presidente Bolsonaro”. [2]

A questão, para esse projeto evangélico reacionário, é inserir o indivíduo no mercado de trabalho de forma submissa, sem consciência de classe para que possa lutar por seus direitos, e temente a Deus, o que o tornaria relativamente obediente por meio de toda ideologia que envolve o ideal cristão de submissão a Deus. O trabalhador deve ser temente a Deus e à burguesia.

Algo semelhante dizia o reverendo Morgan Godwyn para os senhores de escravos da América do Norte, quando estes se recusavam a catequizar os africanos com medo dos cativos aprenderem o inglês no processo, podendo, assim, se unir e lutar contra a ordem escravocrata. “O [cristianismo]”, disse o reverendo, “professa absoluta e total obediência a governantes e superiores, como pode ser extraído de várias passagens das Escrituras”.

Há hermenêuticas libertárias da Bíblia. Podemos começar com o próprio Paulo em Gálatas: “É para a liberdade que Cristo nos libertou”. Mas o que deve prevalecer, neste projeto bolsonarista de nação, é o pseudoprotestantismo moralista que “faz de Deus um ser domesticado, ‘engaiolado’ – simulacro da verdade objetiva”. O ideal protestante de libertar a interpretação das Sagradas Escrituras do monopólio da Igreja, dissipou-se no projeto neopentecostal.

“Bandido bom é bandido morto” esconde na verdade a ideia de que um trabalhador bom é um trabalhador burro. Esse sempre foi o projeto do capital. Ao longo da história mudaram-se as formas de atingir este objetivo.

Desde as origens do capitalismo buscou-se empregar “indivíduos meio idiotas em certas operações simples que constituíam segredos de fabricação”. Marx lembra as palavras de Adam Smith que descreviam a imbecilidade do trabalhador: “Um homem que despende toda a sua vida na execução de algumas operações simples […] não tem oportunidade de exercitar sua inteligência […] Geralmente, ele se torna tão estúpido e ignorante quanto se pode tornar uma criatura humana”. “Assim, sua habilidade em seu ofício particular parece adquirida com o sacrifício de suas virtudes intelectuais…”. Adam Smith, pelo menos, defendia uma instrução mínima popular bancada pelo Estado, outros já se perguntavam se o governo deveria realmente empregar parte de sua receita para isso.

O cristianismo foi usado diversas vezes contra as forças produtivas. Legitimou a escravidão, Lutero o usou contra os camponeses, os luteranos defenderam Hitler e os protestantes holandeses apoiaram o apartheid. Hoje nos deparamos com uma nova empreitada das elites para a manipulação do cristianismo para impor seus interesses aos interesses das classes dominadas.

Para fazer vigorar o neoliberalismo e sepultar a economia moral dos pobres, a que luta pela concretização dos direitos garantidos em lei, a burguesia vem se aliando às forças conservadoras e usando das manifestações culturais disseminadas entre os trabalhadores para empobrecê-los politicamente. Esse projeto atualmente usa as seitas neopentecostais formando assim cristofascismo neoliberal.

O falso “caos” argentino: Corte de US$30 bilhões na dívida externa

5 de agosto de 2020

Fernando Brito, via Tijolaço em 4/8/2020

Lembra da previsão de Jair Bolsonaro de que, com uma vitória da chapa Alberto Fernandez-Cristina Kirchner, o país vizinho ia cair no caos e os argentinos se acumulariam para entrar no Brasil, em busca de segurança?

Pois é, um ano depois, eles não estão muito melhores que nós no combate à pandemia como, também, conquistaram credibilidade internacional – comparada à nossa deterioração aos olhos do mundo – ao ponto de fechar um acordo com os credores da dívida do país em bônus lançados no exterior, que a trocarão por novos títulos, com 46,5% de deságio, numa economia para o país de US$30 bilhões.

Nem o ministro da Fazenda e o ex-presidente do BC argentino nos tempos de Maurício Macri – Luiz “Toto” Caputo e Guido Sandleris – puderam deixar de elogiar os termos do acordo, uma das promessas de campanha de Fernández.

Enquanto isso, o “amigão” do mercado por aqui, vê nossa dívida pública saltar, para atingir, até o final do ano, 100% do Produto Interno Bruto.

Rei Juan Carlos da Espanha, El Cagón

5 de agosto de 2020

Leandro Fortes em 4/8/2020

Esse rei da Espanha, Juan Carlos, sempre foi uma uma figura execrável. É a representação pura dessas monarquias decadentes e de fachada que ainda perduram na Europa, um símbolo permanente de que a única solução possível para essa gente é – sempre será – a guilhotina ou, a minha favorita, a opção de Lenin para a família Romanov.

Esse ladrão safado, além de tudo, matava animais na África e posava em fotos ridículas, como um caçador europeu do século 19, à custa do dinheiro público espanhol. Só por isso, tinha que ter sido jogado aos leões, para diversão do povo, com transmissão ao vivo, pela internet.

Por isso, até hoje, morro de raiva de lembrar daquela intervenção cretina contra Hugo Chavez (“Por que não te calas?”), durante uma conferência ibero-americana, no Chile, em 2007.

O ex-presidente venezuelano foi interrompido pelo rei bandido depois ter chamado, corretamente, o ex-primeiro-ministro José Maria Aznar de fascista, pelo apoio que este havia dado ao golpe de Estado contra Chavez, em 2002.

Chavez tinha de ter levantado e enchido a cara desse reizinho de merda de tapas, um pescoção que fosse, como legado bolivariano. O povo da Espanha, hoje, estaria deveras agradecido.

***

EX-REI DA ESPANHA VAI DEIXAR PAÍS APÓS ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO
Juan Carlos, que ocupou o trono espanhol por quase 40 anos, é acusado de receber milhões de dólares em negócios obscuros com a Arábia Saudita. Valores teriam sido ocultados na Suíça.
Via DW Brasil em 4/8/2020

O rei emérito da Espanha Juan Carlos, que ocupou o trono entre 1975 e 2014, irá deixar seu país após ser alvo de uma investigação de promotores suíços e da Justiça espanhola por corrupção. As autoridades dos dois países investigam a origem de US$100 milhões que o monarca teria recebido ilegalmente da Arábia Saudita, depositados em 2008 em uma conta na Suíça.

Em junho, o Supremo Tribunal espanhol abriu um inquérito para avaliar a responsabilidade de Juan Carlos em uma ação iniciada em 2018, quando gravações atribuídas a sua ex-amante Corinna Larsen assegurava que o então rei da Espanha teria cobrado uma comissão pela concessão de um contrato para a construção de uma rede ferroviária de alta velocidade. Larsen teria sido utilizada como “laranja” de Juan Carlos na transação.

A decisão do antigo monarca foi comunicada em carta ao seu filho, o rei Felipe 6º, tonada pública nesta segunda-feira [3/8] pela Casa Real.

“Majestade, querido Felipe, com o mesmo ímpeto de serviços à Espanha que inspirou meu reinado e diante da repercussão pública que está sendo gerada por certos acontecimentos passados de minha vida privada […] lhe comunico minha decisão meditada de trasladar-me neste momento para fora da Espanha”, escreveu Juan Carlos.

Juan Carlos, de 82 anos, assinalou em sua carta que tomou essa decisão para facilitar o exercício das funções do atual monarca e possibilitar a “tranquilidade e sossego que requer sua alta responsabilidade”. “Meu legado e minha própria dignidade como pessoa assim o exigem”, assegura o rei emérito.

Felipe, por sua vez, transmitiu ao pai seu “sentido respeito e agradecimento perante sua decisão”, de acordo com um comunicado emitido pela Casa Real. O rei, segundo a nota, “deseja ressaltar a importância histórica representada pelo reinado de seu pai, como legado, obra política e institucional de serviços à Espanha e à democracia”.

O escândalo fez com que Felipe se distanciasse de seu pai, renegando sua herança e cancelando em março deste ano a pensão fornecida pelo Estado, apesar preservar-lhe o título de rei e de mantê-lo como membro da família real. O distanciamento levou ao fim das aparições públicas, com os encontros entre pai e filho se resumindo a apenas algumas reuniões familiares.

Desde sua abdicação em 2014, Juan Carlos evitou manter uma vida pública intensa, com algumas aparições em partidas de futebol das equipes de Madrid ou em grandes prêmios de Fórmula 1. Com problemas cada vez maiores de mobilidade, O rei emérito se submeteu a uma cirurgia cardíaca em agosto de 2019.

Ele foi visto em público pela última vez no dia 16 de junho, quando compareceu a uma clínica médica em Madrid para fazer exames de rotina usando uma máscara de proteção.

A decisão do rei emérito de morar fora do país, no entanto, não mudará a situação de sua esposa, a rainha Sofia, que manterá residência no Palácio de la Zarzuela, em Madri, e as atividades institucionais.

A mãe do atual rei, Felipe 6º, foi deixada de fora das controvérsias envolvendo o marido porque não tem nenhuma relação com os supostos negócios dos quais Juan Carlos teria participado, informaram nesta segunda-feira fontes da Casa Real espanhola.

Juan Carlos e Sofia estão afastados há vários anos, embora tenham continuado a viver em Zarzuela como membros da família real após a abdicação dele em favor do filho.

Em 2012, por causa de uma outra polêmica ligada a uma caçada que fez em África, ainda não deu explicações sobre as suspeitas, o que leva a uma onda de especulações sobre o seu envolvimento.

Manipulou eleições de 2018: STF afirma que Moro foi parcial e exclui delação de Palocci de ação contra Lula

5 de agosto de 2020

Ato do ex-juiz foi considerado calculado para interferir no 1º turno das eleições de 2018.

Via Valor Econômico em 4/8/2020

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a delação do ex-ministro Antônio Palocci deve ser excluída da ação em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é acusado de receber propina da Odebrecht na forma de um terreno para a construção do Instituto Lula em São Bernardo do Campo (SP). A 2ª turma entendeu que, ao juntar a colaboração aos autos, o então juiz Sérgio Moro quis criar um fato político às vésperas das eleições presidenciais de 2018 – o que pode ser considerado “indicativo de quebra da imparcialidade”.

O placar foi de 2 a 1, prevalecendo os votos dos ministros Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes. Ficou vencido o relator da Operação Lava-Jato na Corte, ministro Edson Fachin. O ato de Moro foi considerado calculado para interferir no 1º turno das eleições, uma vez que a delação havia sido homologada pela Justiça três meses antes.

“A juntada, de ofício, após o encerramento da fase instrução, com o intuito de gerar, ao que tudo indica, um fato político, revela-se em descompasso com o ordenamento constitucional vigente. Assim, demonstrado o constrangimento ilegal imposto ao paciente, acolho o pedido de desentranhamento do termo de colaboração”, afirmou Lewandowski.

De acordo com o ministro, Moro agiu “de modo completamente extravagante” ao determinar o encarte da colaboração de Palocci na ação penal. Ele lembrou que essa atitude, entre outras, será analisada no âmbito do habeas corpus (HC) em que a defesa de Lula pede a suspeição do ex-juiz, que viria meses depois a ocupar o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública do governo de Jair Bolsonaro, opositor do PT nas eleições.

“O referido magistrado – para além de influenciar, de forma direta e relevante, o resultado da disputa eleitoral, conforme asseveram inúmeros analistas políticos, desvelando um comportamento, no mínimo, heterodoxo no julgamento dos processos criminais instaurados contra o ex-presidente Lula –, violou o sistema acusatório, bem como as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa”, disse Lewandowski.

Gilmar foi na mesma linha. De acordo com ele, a demora para juntar a delação à ação penal foi “cuidadosamente planejada” por Moro. Ele ainda chamou a atenção para o fato de que a juntada da delação e o levantamento de seu sigilo ocorreram por iniciativa própria do ex-juiz, isto é, sem provocação do Ministério Público. “Essas circunstâncias, quando examinadas de forma holística, são vetores possivelmente indicativos da quebra da imparcialidade por parte do magistrado, matéria essa que se encontra pendente de apreciação”.

“Resta claro que as circunstâncias que permeiam a juntada do acordo de delação de Antônio Palocci no sexto dia anterior à realização do 1º turno das eleições presidenciais de 2018 não deixam dúvidas de que o ato judicial encontrasse acoimado de grave e irreparável ilicitude”, prosseguiu o ministro.

Fachin, que já havia negado o pedido monocraticamente, disse que não via constrangimento ilegal a Lula na manutenção da delação premiada de Palocci nos autos. Já os ministros Celso de Mello e Cármen Lúcia não participaram da sessão. O STF não divulgou as justificativas formais para as ausências.

Relator do habeas corpus em que os advogados de Lula pedem que Moro seja declarado suspeito, Gilmar tem dito que irá pautar o caso tão logo a 2ª turma possa voltar a se reunir presencialmente. Desde o início do ano, as sessões têm sido por videoconferência, em razão da pandemia.

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LULA OBTÉM DUAS VITÓRIAS EXPRESSIVAS NO STF, REFORÇANDO A SUSPEITA CONTRA SÉRGIO MORO
A 2ª turma do Supremo retira a delação de Antônio Palocci do processo contra o ex-presidente e permite acesso da defesa do líder petista ao acordo fechado pelo Ministério Público Federal com a Odebrecht. No primeiro, ficou configurada a parcialidade do ex-juiz Sérgio Moro no processo, que incluiu a delação de Palocci às vésperas da eleição presidencial de 2018, beneficiando Jair Bolsonaro.
Via Portal do Partido dos Trabalhadores em 4/8/2020

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve na terça-feira [4/8] duas importantes vitórias jurídicas no Supremo Tribunal Federal. Por 2 votos a 1, a 2ª turma do STF retirou trecho da delação do ex-ministro Antônio Palocci da ação em que Lula é acusado de receber um imóvel de R$12 milhões da Odebrecht para sediar o Instituto Lula. A retirada da delação de Palocci foi determinada pelos ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, com o voto contrário do relator da Lava-Jato no Supremo, ministro Luiz Edson Fachin.

A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), comemorou a decisão. “O STF acaba de reconhecer, em julgamento de recurso da defesa de Lula, que Sérgio Moro atuou politicamente em 2018 ao vazar ilegalmente a delação de Antônio Palocci às vésperas da eleição”, disse, em sua conta no Twitter. “É oficial: Moro atuou para eleger Bolsonaro”.

A segunda vitória também ocorreu na 2ª turma do STF, que decidiu, também por 2 votos contra 1, conceder ao líder petista acesso a todos os documentos usados no acordo de leniência fechado pela Odebrecht com o Ministério Público Federal. Isso inclui documentos dos Estados Unidos e da Suíça. A decisão permitirá a Lula acesso aos sistemas Drousys e MyWebDay, os sistemas de contabilidade utilizados pela Odebrecht e que apenas os procuradores do MPF tinham acesso.

A segunda vitória na 2ª turma foi obtida também com os votos de Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. O relator da Lava-Jato, ministro Luiz Edson Fachin, também foi derrotado. Ele havia votado pela manutenção de uma decisão do ano passado que dava a Lula acesso restrito ao acordo de leniência, estimado em R$3,8 bilhões. Os advogados de defesa de do ex-presidente, Cristiano e Valeska Zanin Martins, queriam analisar o acordo antes de a Justiça Federal de Curitiba decidir se condena o líder político ou o absolve na ação penal que mira o Instituto Lula.

Alegações finais respeitadas
Na prática, a decisão da 2ª turma adia o desfecho da ação na primeira instância, já que o caso será reaberto para que Lula apresente suas alegações finais no processo. A defesa do ex-presidente terá acesso limitado aos elementos de provas que digam respeito a Lula – ou seja, as informações que não o envolvam ou que ainda estejam utilizadas em diligências em curso, não poderão ser acessadas pelos advogados do petista.

A inclusão do depoimento do ex-ministro da Fazenda e a retirada do sigilo foram determinadas por Moro seis dias antes do 1º turno das eleições de 2018. Zanin comentou, em resposta à intervenção do Ministério Público Federal, que a decisão reforça as suspeitas que pesam sobre a parcialidade de Moro.

“A estratégia da defesa é, em primeiro lugar, a observância do devido processo lugar. Em segundo lugar, eliminar qualquer forma de conluio entre acusação e defesa. Em terceiro lugar, atuar pela transparência e para que não tenhamos caixas de segredo, como foi dito não pela defesa, mas empresto aqui as palavras do eminente procurador-geral da República”. Na semana passada, o procurador-geral Augusto Aras disse que a força-tarefa da Lava-Jato atuava controlando segredos.

Decisão assegura direito de defesa
É a segunda vez que o caso do Instituto Lula volta para a etapa do envio das alegações finais. Em agosto do ano passado, o relator da Lava-Jato no STF, Edson Fachin, determinou que o prazo para as manifestações fosse reaberto, depois que o tribunal entendeu que réus delatados têm o direito de falar por último. Ou seja, depois dos delatores (que fazem as acusações).

“Não há no Estado Democrático de Direito qualquer tipo de segredo notadamente em se tratando de acusado perante a Justiça”, disse Lewandowski. “É preciso – e o Supremo Tribunal Federal já assentou isso – conceder aos investigados amplo acesso às informações coletadas em seu favor. Esta é uma imposição do regime democrático, sob pena de resvalarmos numa ditadura judicial ou ministerial”.

O ministro Gilmar Mendes concordou com o entendimento de Lewandowski, definindo o placar do julgamento. “Não se pode adotar uma postura de um sigilo integral e intransponível”, comentou o ministro. “Há um conjunto de elementos de provas relevantes ao exercício da defesa e do contraditório”.

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Gilmar Mendes: Moro cometeu “grave e irreparável ilicitude” contra Lula

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Lewandovski: Influenciou de forma direta o resultado da eleição, violou o sistema acusatório e as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa

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