Carlos Bolsonaro culpa PT pelo desmonte do Gabinete do Ódio por Facebook e Instagram

9 de julho de 2020

Carluxo reage ao desmonte de seu Gabinete do Ódio e diz que era tudo “verdade”.

Via Brasil 247 em 9/7/2020

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos/RJ) foi ao Twitter para defender seu Gabinete do Ódio e dizer que toda campanha fake news mobilizada na campanha de 2018 era “verdade”.

“Que tipo de mentiras seriam ditas para derrubar o PT nas eleições de 2018? Bastava apenas dizer a verdade vinda um povo cansado de ser violentado em todos os sentidos! APENAS MOSTREM! Lamentavelmente a atenção merecida sobre o assunto jamais foi dada! Falta de aviso nunca foi!”, escreveu o parlamentar no Twitter.

Na quarta-feira [8/7], o Facebook retirou do ar 88 contas e páginas com operações ligadas a funcionários de Jair Bolsonaro e de dois filhos dele – o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL/SP).

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9 de julho de 2020

Carlos Bolsonaro, também conhecido como Tonho da Lua.

Juliana Dal Piva, via Sonar em 14/6/2020

O presidente Jair Bolsonaro sempre creditou o triunfo de sua vitória eleitoral em 2018 à estratégia digital traçada pelo filho “02”, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos/RJ), nas mídias sociais. A estrutura que impulsionou um deputado restrito a nichos ao Palácio do Planalto começou a ser montada com a contratação de alguns jovens na casa dos 20 anos, criadores de páginas de paródias e personagens políticos no Facebook – hoje, integrantes do que ex-aliados do governo Bolsonaro classificam como “gabinete de ódio”, o núcleo instalado no Palácio do Planalto que se dedica a atacar adversários nas redes. O recrutamento foi definitivamente selado numa reunião do clã Bolsonaro com alguns desses jovens, no salão de festas do primogênito e hoje senador Flávio, em 11 de março de 2017 – mais de um ano e meio antes da eleição.

Dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro foi o que descobriu primeiro o potencial das redes sociais para a família. Ele está no Twitter desde agosto de 2009. O Globo encontrou publicações de Carlos em uma conta pessoal no Facebook desde 2011. E foi por essa rede social que ele encontrou e recrutou dois dos principais assessores do presidente Jair Bolsonaro, ainda em 2013.

O primeiro foi José Mateus Sales Gomes. Em 10 de abril de 2013, Carlos publicou: “Tô passando mal de rir com a page ‘Bolsonaro Zuero’”. Natural de Caucaia, na Grande Fortaleza, Mateus tinha 21 anos quando caiu nas graças do vereador. De Campina Grande (PB), chamou a atenção do filho do presidente a página “Bolsonaro Opressor”, criada por Tércio Arnaud Thomaz, outro selecionado por Carlos, mas para assessorar o então deputado Jair Bolsonaro. Seis anos depois, Matheus e Tércio têm assento no terceiro andar do Palácio do Planalto.

Os dois foram os precursores de vários outros que Carlos foi descobrindo e trazendo para junto do clã. Agora, na Presidência, também está Mateus Matos Diniz, engenheiro formado há dois anos, ex-aluno de Olavo de Carvalho e a quem Carlos conheceu em 2017.

Religioso, Mateus defende a castidade. Inclusive recomenda em seu Instagram que “todo dia use cinto apertado, para que ele te lembre do seu compromisso”. Também defende que “não existe sexo fora do casamento. O que existe fora é uma tentativa de emular o sexo imitando seus acidentes”.

Bem antes da campanha eleitoral que os levou ao poder central, e à diferença da narrativa de apoio espontâneo nas redes sociais, os Bolsonaros organizaram reuniões com criadores de páginas na internet. O primeiro encontro presencial ocorreu no sábado 11 de março de 2017, no salão de festas do prédio de Flávio, na Barra da Tijuca. O próprio Carlos registrou o momento no Instagram no dia seguinte: “Reunião sábado à noite, com alguns representantes de diversos grupos, com o objetivo de endireitar o Brasil (AM, CE, PE, SP, RJ, MG, PA, PB, PR)”.

Quem esteve na reunião relata que, já pensando na eleição de 2018, a família discutiu a organização das páginas e a criação de grupos no WhatsApp e introduziu a estratégia sobre ataques a adversários. Segundo um dos que participaram da reunião, a produção de memes e ataques era parte da estratégia: obter uma estrutura de comunicação que pudesse ser operada diretamente, de ponta a ponta.

Publicação do Carlos Bolsonaro sobre a reunião. Reprodução Instagram.

O deputado federal Carlos Jordy (PSL/RJ), então vereador de Niterói, também esteve na reunião de 2017. “Se hoje a família Bolsonaro tem grande repercussão, muito se deve a esses dois caras: Bolsonaro Zuero (Matheus) e Carteiro Reaça (Gil Diniz)”, escreveu Jordy, ao legendar foto com os dois. Ele nega ter havido discussões sobre ataques deliberados a rivais e diz que foi só um momento de “aproximar os movimentos da família Bolsonaro”.

Marcou presença ainda Guilherme Julian Freire, amigo de Matheus “Zuero” e agora assessor do deputado Hélio Lopes. O deputado Gil Diniz disse que acompanhou Eduardo Bolsonaro porque, na época, era seu assessor:

– Foi mais para unificar a pauta. No outro ano haveria eleição presidencial, e começamos a organizar esses movimentos. Não lembro de memes ou ataques.

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Sem respostas
Alex Junqueira, ex-assessor de Gil Diniz, afirma, porém, que, quando conheceu o deputado, o trabalho dele para Eduardo Bolsonaro consistia essencialmente na fabricação de memes para atacar adversários. Diniz ficou conhecido pela página “Carteiro Reaça”.

– Eu o conheci em 2018; ele era assessor do Eduardo. Eu era motorista, o Eduardo ia do lado, e o Gil, atrás. Ele (Gil), nessa época, fazia os memes e depois, quando foi deputado, de outubro até março, o que ele sabia fazer era assassinar a reputação dos outros – afirmou Junqueira, que denunciou Diniz por prática de “rachadinha”, tornando públicas conversas do grupo que Diniz mantinha com assessores nas quais este pede conteúdo para atacar adversários como o governador João Doria.

Diniz afirma que Junqueira também publicava as mensagens que “agora chama de ataques” e se tornou seu adversário político. Procurados, o Palácio do Planalto (questionado sobre a função dos assessores), Flávio, Carlos, Eduardo e Hélio não responderam.

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Facebook remove rede de contas falsas relacionadas ao PSL e a gabinetes do clã Bolsonaro

9 de julho de 2020

Via Sonar em 8/7/2020

O Facebook derrubou na quarta-feira [8/7] uma rede com 88 contas, páginas e grupos ligados a funcionários dos gabinetes do presidente Jair Bolsonaro e aliados. Entre eles, estão o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) e os deputados estaduais Alana Passos e Anderson Moraes, ambos do PSL no Rio de Janeiro. Para a empresa, o conjunto removido agia para enganar sistematicamente o público, sem informar a verdadeira identidade dos administradores, desde as eleições de 2018. Os dados que constam das investigações da plataforma foram analisados pela equipe do Digital Forensic Research Lab (DRFLab), ligado ao Atlantic Council, coordenada pela pesquisadora Luiza Bandeira. O time é especializado no combate a desinformação, fake news e violações de direitos humanos em ambientes online.

Nos domínios do Facebook, a rede em questão atuava através de 14 páginas, 35 contas pessoais e um grupo. No Instagram, onde também houve remoção de conteúdos, foram identificadas 38 contas envolvidas com irregularidades. Juntas, essas engrenagens mobilizavam uma audiência de mais de 2 milhões de pessoas, de acordo com o DRFLab. Outras centenas de contas foram deletadas em outros países, como os Estados Unidos e Ucrânia, em outras frentes de ação global da companhia contra o chamado “comportamento inautêntico coordenado”.

Uma nota divulgada pelo Facebook para justificar a remoção dos conteúdos brasileiros diz que o esquema envolvia a combinação de contas duplicadas e falsas, cujo objetivo era evitar a fiscalização da plataforma. Elas representavam pessoas fictícias que publicavam conteúdos em páginas que simulavam a atividade de veículos de imprensa. Entre as publicações, havia tópicos sobre política; eleições; críticas a opositores e a jornalistas e organizações de mídia e informações sobre a pandemia da covid-19. Ainda segundo o texto, parte desse material já havia sido removido por violar normas de uso, incluindo discurso de ódio. Foram encontrados também, pelo DRFLab, ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) por meio das hashtags #STFVergonhaNacional e #STFEscritórioDoCrime.

A mensagem divulgada pela plataforma afirma que a investigação sucedeu reportagens nas quais foi relatada a existência de uma estrutura virtual montada por bolsonaristas – chamada por opositores “Gabinete do Ódio” – e depoimentos sobre o tema colhidos no Congresso Nacional durante a CPMI das Fake News.

O relatório do DRFLab aponta que a rede era controlada por ao menos cinco funcionários e ex-funcionários dos gabinetes bolsonaristas. Dos assessores diretos do presidente Jair Bolsonaro, o Facebook e o Instagram identificaram páginas e contas com conteúdo de ataques a adversários políticos feitos por Tércio Arnaud Thomaz, assessor especial da presidência da República. Além da página “Bolsonaro Opressor 2.0”, seguida por mais de 1 milhão de pessoas no Facebook, foi identificada a conta @bolsonaronewsss, também sob administração de Tércio, com 492 mil seguidores e mais de 11 mil publicações.

No documento, o DRFLab diz que “muitas páginas do conjunto foram dedicadas à publicação de memes e conteúdo pró-Bolsonaro enquanto atacavam rivais políticos. Uma dessas páginas foi a página do Instagram @bolsonaronewsss. A página é anônima, mas as informações de registro encontradas no código fonte confirmam que pertence ao Tércio Arnaud”. Segundo os pesquisadores, o “conteúdo era enganoso em muitos casos, empregando uma mistura de meias-verdades para chegar a conclusões falsas”. No relatório são mostradas imagens da conta postando ataques ao ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

Também foram citadas contas e páginas de dois assessores de Eduardo Bolsonaro. O relatório cita Paulo Eduardo Lopes, mais conhecido como Paulo Chuchu, que, de acordo com o DRFLab, “aparece como um dos principais operadores de rede”.

O Facebook disse ter removido duas contas com o nome de Eduardo Guimarães. Ele foi citado na CPMI das “Fake News” como o dono extinta página do Instagram chamada “Bolsofeios”, que publicava ataques a adversários do clã Bolsonaro.

A plataforma chegou a achar indícios de assessores do senador Flávio Bolsonaro, mas pesquisadores do DRFLab não encontraram dados conclusivos o suficiente. Eles acreditam ainda que um funcionário do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos/RJ), não mencionado pela rede social, atuou em conjunto com o grupo, assim como um servidor empregado pelo deputado estadual Coronel Nishikawa (PSL), da base bolsonarista em São Paulo.

Através das redes sociais, Flávio e Carlos Bolsonaro se manifestaram sobre a operação do Facebook, bem como Alana Passos. Os filhos do presidente criticaram as remoções e o senador, em nota, disse que as informações prestadas pela empresa não permitem afirmar “que tipo de perfil foi banido” e se ela “ultrapassou ou não os limites da censura”. Já a deputada afirmou que não foi notificada sobre irregularidades ou violação de regras em suas contas, utilizadas para divulgar a atividade no Legislativo.

Recrutamento desde 2013
Em junho, O Globo mostrou os perfis de alguns desses assessores que integram o chamado “gabinete do ódio”. Eles foram recrutados pelo vereador Carlos Bolsonaro desde 2013 para vir trabalhar em seu gabinete e reproduzir memes com ataques a adversários primeiro em páginas de Facebook. José Matheus Salles Gomes e Tércio Arnaud Thomaz foram os dois primeiros escolhidos por Carlos por suas páginas no Facebook. Eles chegaram a ser assessores de Carlos por vários anos e agora trabalham como assessores do presidente Jair Bolsonaro.

Depois, o grupo foi se ampliando e o recrutamento foi definitivamente selado numa reunião do clã Bolsonaro com alguns desses jovens, no salão de festas do primogênito e hoje senador Flávio, em 11 de março de 2017 – mais de um ano e meio antes da eleição presidencial. No Planalto agora também está Matheus Matos Diniz e atuam em parceria com os funcionários do Planalto dois assessores no gabinete do deputado federal Hélio Lopes: Guilherme Julian Freire, José Henrique Rocha.

O que o Facebook divulgou sobre a remoção de contas no Brasil

  • Foram apagadas 35 contas, 14 páginas e 1 grupo no Facebook, além de 38 contas no Instagram;
  • Cerca de 883 mil pessoas seguiam uma ou mais dessas páginas no Facebook;
  • Em torno de 917 mil seguiam contas do grupo no Instagram;
  • O grupo removido reunia cerca de 350 pessoas;
  • Foram gastos US$ 1,5 mil em anúncios por essas páginas, pagos em real.

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“Usar máscara é coisa de viado”, dizia Bolsonaro a quem o visitava

8 de julho de 2020

FASCISTA ASQUEROSO DIZ QUE MÁSCARA É “COISA DE VIADO”
João Ximenes Braga em 8/7/2020

Segundo a coluna da Mônica Bergamo (leia abaixo), o fascista asqueroso que ocupa a Presidência fazia questão de não usar máscaras e de apertar a mão de quem visitava o palácio.

Se é verdade que está com o vírus, é crime contra a saúde pública por ter conscientemente contaminado pessoas, se não é verdade e mesmo assim faz propaganda de um remédio que comprovadamente não funciona e tem efeitos colaterais graves, é crime contra a saúde pública. É um genocida em pleno exercício do assassinato em massa e precisa ser detido.

Ainda na coluna, consta que o líder da quadrilha da mamadeira de piroca diz que máscara é “coisa de viado”. Bom pra lembrar que foi exatamente por isso que ele foi eleito. Foi eleito exatamente por ser um barril de ódio, ignorância e desprezo por tudo que é humano. É a isso que seus eleitores se resumem.

***

“USAR MÁSCARA É COISA DE VIADO”, DIZIA BOLSONARO A QUEM O VISITAVA
Relatos de pessoas que estiveram com presidente na epidemia descrevem momentos de tensão.
Mônica Bergamo em 7/7/2020

Os relatos de pessoas que visitaram Jair Bolsonaro depois da explosão da epidemia de covid-19 no Brasil descrevem momentos de tensão. O presidente se recusava a usar máscaras, o que induzia convidados a seguir o exemplo. Fazia questão de se aproximar para cumprimentar com um aperto de mão.

BESTEIRA
Ao perceber que o visitante estava tenso, segundo um deles relatou à coluna, dizia que aquele medo era besteira.

BESTEIRA 2
O presidente chegava a brincar com funcionários, perguntando quem usava máscara e dizendo que aquilo era “coisa de viado”.

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Gente do bem: Polícia prende fundador da Ricardo Eletro, amigo íntimo de Luciano Huck: sonegação de R$400 milhões

8 de julho de 2020

Via Brasil 247 em 8/7/2020

O empresário Ricardo Nunes, fundador da rede varejista Ricardo Eletro, foi preso na manhã de quarta-feira [8/7] em São Paulo, em uma operação de combate à sonegação fiscal e lavagem de dinheiro em Minas Gerais. A operação “Direto com o Dono”, formada por pelo Ministério Público de Minas Gerais (MP/MG), Receita Estadual e Polícia Civil, investiga a sonegação de cerca de R$400 milhões. Estão sendo cumpridos três mandados de prisão e 14 de busca e apreensão.

Ricardo Nunes já fez do amigo pessoal e apresentador Luciano Huck um dos principais garotos-propaganda da rede varejista, chegando a patrocinar quadros de seu programa na televisão. Ele também possui aproximação com o empresário Junior Durski, dono da rede de fast food Madero, que até recentemente teve Huck como um de seus sócios, além do deputado federal Aécio Neves, do empresário Eike Batista e do ex-governador Sérgio Cabral.

Segundo reportagem do G1, além de Ricardo Nunes, a filha do empresário, Laura Nunes, e o irmão dele, Rodrigo Nunes, também foram presos. Os mandados estão sendo cumpridos nos municípios de Belo Horizonte, Nova Lima e Contagem, em Minas, além da capital paulista e Santo André.

Segundo os investigadores, a rede varejista embutia os impostos nos preços dos produtos comercializados, mas não realizava os repasses

De acordo com os investigadores, as empresas da rede de varejo cobravam dos consumidores, embutido no preço dos produtos, o valor correspondente aos impostos, mas não faziam o repasse, ficando com valor.

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Bolsonaro fez comercial de margarina com a hidroxicloroquina

8 de julho de 2020

Via UOL em 7/7/2020

A microbiologista Natalia Pasternak, doutora em microbiologia pela USP (Universidade de São Paulo), disse hoje que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez algo semelhante a um “comercial de margarina”, quando publicou um vídeo no qual toma um comprimido de hidroxicloroquina – substância que não tem eficácia comprovada no tratamento para o novo coronavírus.

A especialista ainda alertou que o chefe do Executivo deveria ter cuidado com o medicamento, que pode causar complicações cardíacas a idosos como ele (de 65 anos).

“É muito variável como a doença se comporta em diferentes pessoas. […] O que dá para dizer com certeza é que a hidroxicloroquina que ele tomou em público, como se fosse em um comercial de margarina, não vai fazer diferença. A cloroquina não tem nada a ver. Nós já temos dados suficientes para saber que a cloroquina não tem benefício no tratamento dessa doença. Mas sabemos que ela traz certo risco cardíaco, que, na idade do presidente, não deveria ser negligenciado. Então vamos torcer para pelo menos a cloroquina não fazer mal para ele”, disse à GloboNews.

Pasternak manifestou outra preocupação relacionada ao fato de que Bolsonaro tomou hidroxicloroquina diante de uma câmera e publicou o vídeo na internet: a doutora acredita que a cena pode ser exemplo negativo para os cidadãos, que veriam no presidente da República um incentivo para a automedicação.

Além disso, alertou que a maior parte da população não teria monitoramento médico em caso de arritmia cardíaca ou outros efeitos colaterais da cloroquina.

“A live do presidente tomando a cloroquina, apesar de não ter comprovação médica, pode ser um convite à automedicação. As pessoas veem o presidente tomando e dizendo que está se sentindo bem e podem querer se automedicar. Isso é muito perigoso. Nem todo mundo tem atendimento médico tão acessível quanto o presidente ou pode fazer um eletrocardiograma de prevenção… Como, aliás, o presidente deveria fazer, porque é idoso e está tomando cloroquina. É bastante preocupante”, afirmou.

“Surpresa” com Bolsonaro
A doutora em microbiologia opinou que é uma “surpresa” que Bolsonaro tenha sido tão “transparente” sobre o resultado positivo de seu teste da covid-19. Quando a epidemia começou a crescer no Brasil, o presidente fez jogo duro e demorou para revelar seus exames da doença causada pelo novo coronavírus – que, na época, foram expostos como “negativos”.

“Em relação à pergunta da transparência, foi uma surpresa mesmo. Da outra vez, fez-se tanto suspense em relação ao exame, e desta vez o exame veio rapidamente. E seguido das declarações sobre o tratamento com hidroxicloroquina. O presidente é uma figura pública. Seria de bom tom, apesar de não ser obrigatório, ele compartilhar com a população quais foram as recomendações dos médicos. A gente vai ter de se contentar com a declaração dele de que está tomando a hidroxicloroquina como se servisse para alguma coisa”, lamentou Pasternak.

***

BOLSONARO TOMA CLOROQUINA E FAZ VÍDEO EM DEFESA DO REMÉDIO BARRADO PELA OMS
Via Congresso em Foco em 7/7/2020

Após os exames confirmarem que Jair Bolsonaro está infectado pelo coronavírus, o presidente postou um vídeo em suas redes sociais tomando uma dose de hidroxicloroquina e agindo como uma espécie de garoto-propaganda do medicamento.

“Estou tomando aqui a terceira dose da hidroxicloroquina e estou me sentindo bem”, disse o presidente. Segundo ele, o tratamento “está dando certo”.

No sábado [4/7], a Organização Mundial de Saúde anunciou a retirada da hidroxicloroquina de seus testes científicos contra a covid-19. O medicamento já havia sido suspenso pela falta de resultados. As pesquisas da instituição avaliaram que a hidroxicloroquina produz pouca ou nenhuma redução das mortes de pacientes com covid-19.

O uso da cloroquina contra a covid-19 também foi desaconselhado pela Sociedade Brasileira de Imunologia. Em documento, a entidade afirmou que até o momento não existe terapia comprovadamente efetiva para o tratamento do coronavírus e que esse medicamento em questão, tem efeitos colaterais que podem levar a morte de pacientes.

Ainda assim, em maio, o Ministério da Saúde divulgou um documento em que estabeleceu novos critérios para uso da cloroquina no tratamento da covid-19. As recomendações indicaram o uso de cloroquina ou hidróxido de cloroquina já nos primeiros dias após a manifestação de sintomas. As normas anteriores liberavam a droga apenas para os casos mais graves da doença.

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