Operação abafa: General diz que Bolsonaro compartilhou vídeo porque ficou “emocionado”

26 de fevereiro de 2020

General Luiz Eduardo Ramos bate continência a Paulo Guedes e Jair Bolsonaro. Foto: Marcos Correa/PR.

Ministro da Secretaria Geral do governo, General Ramos ainda usa de certa ironia para dizer que “em nenhum momento o presidente sequer pensa em atacar as instituições”

Via Revista Fórum em 26/2/2020

Ministro da Secretaria Geral do governo, o general Luiz Eduardo Ramos deu início à “operação abafa” dizendo que Jair Bolsonaro compartilhou vídeo em que convoca para o ato de 15 de março, pedindo um novo AI-5 para fechar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), porque ficou “emocionado”.

“O presidente não fez o vídeo. E o vídeo não ataca o Congresso em nenhum momento. As cenas são emotivas, mostram o presidente levando a facada [na campanha eleitoral de 2018], defendem o governo. Ele ficou emocionado e compartilhou com amigos, em um grupo reservado e restrito”, disse o militar, segundo a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

O general ainda usa de certa ironia para dizer que “em nenhum momento o presidente sequer pensa em atacar as instituições”.

“Não tem nada no Instagram, no Facebook, no Twitter. Não há pronunciamento ou manifestação do presidente atacando o Congresso. Em nenhum momento o presidente sequer pensa em atacar as instituições. Ele apenas compartilhou uma manifestação de apoio ao governo dele”, disse Ramos, ignorando outros ataques feitos por Bolsonaro, como o vídeo em que aparece como um leão diante de “hienas” do STF e do Congresso compartilhado nas redes sociais.

Para o ministro, “qualquer outra coisa, como o próprio presidente afirmou, é ilação”.

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Bolsonaro faz o que quer, porque as instituições estão nas mãos de covardes

26 de fevereiro de 2020

Os presidentes do STF, da Câmara dos Deputados, das Milícias e do Senado. Foto: Marcos Corrêa/PR

COVARDES
Leandro Fortes em 26/2/2020

Incapaz de governar dentro da estrutura democrática de divisão de poderes, Bolsonaro decidiu incitar seus seguidores a tomar as ruas, em 15 de março, em apoio à sua própria estupidez.

Usou como escadinha Augusto Heleno, o general liliputiano que passa os dias açulando o também pequenino cérebro do chefe com bombinhas de pólvora seca de efeito imoral.

Via WhatsApp, Bolsonaro retomou, agora sem máscaras, seu discurso histórico de fechamento do Congresso Nacional, casa onde viveu, por 28 anos, inútil, como uma mosca varejeira.

Davi Alcolumbre, no Senado Federal, e Rodrigo Maia, na Câmara dos Deputados, têm os motivos e as ferramentas para acabar com essa ópera bufa protagonizada por dementes, mas devem satisfação ao poder econômico, e este quer Bolsonaro fazendo o que Temer não teve tempo de fazer: privatizar tudo, acabar com todos os direitos trabalhistas, entregar as riquezas do País a interesses estrangeiros e subordinar o Brasil, absolutamente, aos Estados Unidos.

Por isso que Bolsonaro, um idiota patológico, continua presidente da República: as instituições estão nas mãos de covardes.

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26 de fevereiro de 2020

Bolsonaro e general Heleno, aquele que mandou o parlamentares se foder.

Luis Felipe Miguel em 26/2/2020

O miliciano-em-chefe do país aderiu à manifestação convocada para o próximo dia 15, cuja bandeira principal, descrita em bom português, é “fechem o Congresso!” O que isso significa?

Não creio que seja muito diferente de situações similares que ocorreram no ano passado. Bolsonaro sabe que não tem força para aplicar um novo golpe e instaurar uma ditadura pessoal.

A ampliação espaço dos generais em seu governo não significa que ele está ganhando ascendência sobre as forças armadas, muito pelo contrário. E, apesar da calculada explosão de Augusto Heleno, a cúpula militar sabe muito bem que lhe convém mais essa “democracia” tutelada e capenga do que uma ruptura aberta com a ordem constitucional.

A jogada de Bolsonaro tem que ser entendida à luz das acomodações dentro da coalizão golpista – aquela que arquitetou a derrubada de Dilma e a criminalização da esquerda e na qual ele, o ex-capitão extremista, estava destinado inicialmente a um papel secundário.

Nas últimas semanas, Bolsonaro acumulou desgastes – culminando na agressão misógina à repórter da Folha de S. Paulo – e voltou a se acenar com a ideia de impeachment. Como fez no ano passado, ele quer mostrar à direita que, sem ele, ela não governa.

A base de que ele dispõe não é irrelevante. São aqueles que são leais ao “mito” e continuarão sendo por muito tempo, não importa o quão catastrófico o seu governo seja. São militares de baixa patente e policiais que se veem “empoderados” com o atual governo. São os que continuam iludidos com Moro – e que, na verdade, se sentem atraídos com o odor distintamente fascista que o ex-juiz confere a seu ministério.

São os milhões que se identificam com o obscurantismo moral da estrela em ascensão do governo, a ministra Damares Alves. (Não dá para desenvolver aqui, mas suspeito que as bases sociais diferentes do pentecostalismo brasileiro, bem como as características próprias do nosso Welfare State gorado, tornam pouco úteis para nós as teorias sobre o casamento entre neoliberalismo e neoconservadorismo importadas dos Estados Unidos.)

E temos também, claro, o grande grupo dos pragmáticos, aqueles que podem se incomodar com a truculência de Bolsonaro e mesmo com a incontinência verbal de Guedes, mas julgam que o principal é avançar no programa de aniquilamento dos direitos e destruição do Estado social.

Esse é o ponto: toda a direita limpinha, incluídos aí Maia, FHC, a mídia corporativa, os banqueiros cosmopolitas, o escambau, pertence ao grupo dos pragmáticos.

Bolsonaro quer colocar sua tropa na rua para dizer a eles: segurem a onda aí, porque sem mim um governo de direita não se sustenta, talkey?

Afinal, o que ele pede para si e para os seus é tão pouco – umas vantagenzinhas, uns esqueminhas, umas impunidadezinhas. E em troca ele faz tanto, faz todo o serviço sujo.

Em quatro – quem sabe oito? – anos, entregará o país que eles querem.

Sim, ao se associar pessoalmente ao ato pró-ditadura aberta do próximo dia 15, Bolsonaro cruzou, pela enésima vez, a linha que separa o admissível do inadmissível. Ouviremos, já estamos ouvindo, as vozes indignadas da imprensa, dos conservadores respeitáveis, dos pró-homens do parlamento.

Mas Bolsonaro continuará no cargo enquanto continuar útil ao projeto do golpe de 2016 – banir o campo popular do espaço da negociação política.

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26 de fevereiro de 2020

Decano do STF cita crime de responsabilidade e afirma que, “se confirmada”, convocação de presidente contra o parlamento e Supremo demonstra “visão indigna”.

Mônica Bergamo em 26/2/2020

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello afirma que a conclamação do presidente Jair Bolsonaro para ato contra a corte e o Congresso, “se confirmada”, revela “a face sombria de um presidente da República que desconhece o valor da ordem constitucional, que ignora o sentido fundamental da separação de Poderes, que demonstra uma visão indigna de quem não está à altura do altíssimo cargo que exerce e cujo ato de inequívoca hostilidade aos demais Poderes da República traduz gesto de ominoso desapreço e de inaceitável degradação do princípio democrático!!!”.

Decano do tribunal, ele enviou a mensagem por escrito à Folha. No texto, Celso de Mello afirma ainda: “O presidente da República, qualquer que ele seja, embora possa muito, não pode tudo, pois lhe é vedado, sob pena de incidir em crime de responsabilidade, transgredir a supremacia político-jurídica da Constituição e das leis da República”.

Os crimes de responsabilidade são passíveis de pena de perda do cargo –ou seja, de impeachment.

A manifestação do magistrado é uma reação à informação de que Bolsonaro enviou vídeos em grupos de WhatsApp que conclamam a população a ir às ruas no dia 15 de março protestar contra o STF e o Congresso.

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26 de fevereiro de 2020

Quadrilha unida.

Via O Globo em 25/2/2020

O presidente Jair Bolsonaro está disparando de seu celular pessoal um vídeo em tom dramático que mostra a facada que sofreu em 2018 em Juiz de Fora para dizer que ele “quase morreu” para defender o País e agora precisa que as pessoas vão às ruas no dia 15 de março para defendê-lo. O ato do dia 15 está sendo convocado por movimentos de direita em defesa do governo e contra o Congresso Nacional.

No texto que envia juntamente com o vídeo, o presidente escreve:

“– 15 de março.
– Gen Heleno/Cap Bolsonaro.
– O Brasil é nosso,
– Não dos políticos de sempre.”

O vídeo de 1 minuto e 40 segundos usa o Hino Nacional tocado no saxofone como trilha sonora. “Ele foi chamado a lutar por nós. Ele comprou a briga por nós. Ele desafiou os poderosos por nós. Ele quase morreu por nós. Ele está enfrentando a esquerda corrupta e sanguinária por nós. Ele sofre calúnias e mentiras por fazer o melhor para nós. Ele é a nossa única esperança de dias cada vez melhores. Ele precisa de nosso apoio nas ruas. Dia 15.3 vamos mostrar a força da família brasileira. Vamos mostrar que apoiamos Bolsonaro e rejeitamos os inimigos do Brasil. Somos sim capazes, e temos um presidente trabalhador, incansável, cristão, patriota, capaz, justo, incorruptível. Dia 15/03, todos nas ruas apoiando Bolsonaro”, diz o texto que aparece na tela, entremeado por imagens de Bolsonaro sendo esfaqueado, no hospital e depois em aparições públicas.

Não é a primeira vez que o presidente compartilha conteúdo polêmico por meio de disparos por WhatsApp. Em agosto do ano passado, ele compartilhou um texto que dizia que o Brasil é “ingovernável fora dos conchavos”. Na ocasião, diante da controvérsia, demonstrou surpresa e disse que só havia passado o texto, tirado de um post do Facebook de um desconhecido, para “meia dúzia de pessoas”.

Na semana passada, o ministro Augusto Heleno (GSI) teve conversa com colegas em que chamava deputados e senadores de “chantagistas“ vazada pelo sistema de som do Planalto. Ele ainda dizia que o governo deveria conclamar as pessoas a irem às ruas pressionar os congressistas. O ato do dia 15 começou a ser convocado pelas redes sociais no mesmo dia.

Em panfleto que circula pelas redes sociais, assinado apenas por “movimentos patriotas e conservadores”, fotos do general Heleno, do vice-presidente, Hamilton Mourão, e de outros generais com cargos públicos aparecem numa convocação para o ato. No texto, se diz que “os generais aguardam as ordens do povo”. E em seguida um bordão: “Fora Maia e Alcolumbre”.

Convocação que circula nas redes sociais.

Nem Heleno nem Mourão foram às redes sociais repudiar o uso de sua imagem no panfleto. Coube ao general Carlos Alberto Santos Cruz, ex-ministro de Bolsonaro, o único repúdio à associação do Exército Brasileiro com um post de cunho golpista.

Na semana passada, o economista e empresário bolsonarista Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Batista Figueiredo, aludiu ao noticiário que dava conta do início de conversas sobre impeachment para postar no Twitter que, com o gabinete composto quase exclusivamente por militares, isso seria a “receita” para uma “revolução”.

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Águia de Ouro, escola que homenageou o educador Paulo Freire, é campeã do Carnaval em São Paulo

26 de fevereiro de 2020

Via Brasil 247 em 25/2/2020

A Águia de Ouro, escola que homenageou Paulo Freire, é a grande campeã do Carnaval 2020 de São Paulo. Este é o primeiro título da escola no Grupo Especial do Carnaval paulista. Foram rebaixadas as escolas Pérola Negra e X-9 Paulistana.

A escola de samba da zona oeste de São Paulo empolgou o Anhembi na madrugada de domingo [23/2] com uma homenagem marcante a Paulo Freire, afrontando o bolsonarismo, que elegeu o educador reconhecido mundialmente como seu inimigo.

Com o samba enredo “O Poder do Saber – Se saber é poder… Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, a escola lembrou uma das frases mais famosas do educador (“não se pode falar de educação sem amor”) e ainda cantou um “viva Paulo Freire”.

Confira algumas imagens do desfile:


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