#VazaJato: Poupado pela Globo no Jornal Nacional, Sérgio Moro vira piada no Zorra

16 de junho de 2019

George Sauma (em pé, como Dallagnol) e Antonio Fragoso (sentado, como Moro). Reprodução.

Via Blog da Cristina Padigliane em 16/6/2019

Após uma semana pisando no freio em seus noticiários para abordar o vazamento de diálogos entre o então juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol durante o processo de julgamento do ex-presidente Lula no caso do triplex de Guarujá, os jornalistas da Globo tiveram motivo para invejar a liberdade de seus colegas de empresa, na paródia realizada pelo “Zorra”, na noite de sábado [15/6].

Tendo como base a canção “João e Maria”, de Chico Buarque de Holanda, o ator Antonio Fragoso se apresentou como Moro, com uma letra que não deixa dúvidas sobre o episódio que vem ferindo a reputação da até então aclamada Operação Lava-Jato. A sátira resume com grande poder de síntese o que aconteceu de uma semana para cá com alguém que “era herói”, como diz a letra original, conjugando o verbo no passado. Um boneco inflável gigante de Super-Homem aparece no cartão postal do poder em Brasília, boneco este que irá murchar ao fim do filme.

Enquanto a canção roda, imagens reais de Moro e Dallagnol vão se intercalando às dos atores. Dallagnol é representado por George Sauma e até o seu famoso power-point, feito na época do andamento das denúncias contra o réu, foi alvo de chacota (“viramos meme por todo país”).

A Globo deu amplo espaço ao assunto desde domingo, no “Fantástico”, quando o vazamento começou a ser divulgado pelo site The Intercept Brasil, mas as edições do Jornal Nacional desta semana priorizaram o debate sobre a criminalidade do suposto grampo que permitiu o vazamento dos diálogos, em detrimento das controvérsias sobre o conteúdo desses diálogos, alvo de inesgotáveis discussões entre juristas, advogados e autoridades no assunto, aqui e no exterior, em todos os veículos de imprensa.

Os noticiários da emissora trataram o vazamento como “ilegal” já na edição de segunda-feira, sem mostrar sobre isso as mesmas dúvidas que trataram os diálogos com adjetivos como “supostos” ou com o uso do verbo “atribuídos a” Moro ou Dallagnol.

Na edição de terça do JN, um parecer do ministro Gilmar Mendes sobre a possibilidade de o uso dos grampos anular uma sentença, mesmo sendo ilegais, tomou 32 segundos. Também do STF, o ministro Marco Aurélio Mello teve 19 segundos para mostrar sua preocupação com o estado democrático de Direito ferido pela debatida relação promíscua entre juiz e procurador. Em seguida, o ministro Luís Roberto Barroso se demorou 100 segundos para dizer que não daria parecer antes de julgar o caso, mas acabou se contrariando e disse que não via razão para toda a “euforia” sobre uma possível reversão das condenações, citando então acusações de corrupção conhecidas por “todo mundo”. Depois disso ainda ganhou mais “disse ainda”, com alguns segundos de uma frase reproduzida pela repórter Andréia Sadi.

Voltando à semana anterior, não custa reparar, quando noticiou a investigação da Polícia Federal sobre uma possível invasão de hackers ao celular do ministro Sérgio Moro, o JN dedicou uma nota coberta (sem imagens) de 18 segundos ao assunto, que não mereceu sequer um espaço nas chamadas de abertura da edição. No dia seguinte, nem uma repercussão sobre o assunto. Afinal, se hackear por hackear é o mais grave, por que a abordagem não mostrou essa relevância antes que algum conteúdo surgisse?

Fica daí a pergunta: um hacker é relevante por si só ou pelo conteúdo expresso no grampo?

Um dos vídeos que mais circularam pelas redes sociais esta semana, mas não pelos telejornais da Globo, foi um trecho da entrevista que Pedro Bial fez com Moro na segunda semana de abril, no Conversa com Bial. Nela, o entrevistador pergunta sobre a ilegalidade do grampo que ele, como juiz, cometeu em 2016, quando interceptou uma conversa da então presidente Dilma com o ex-presidente Lula para nomeá-lo ministro da Casa Civil. Moro então afirma que, naquele caso, valia o conteúdo da conversa e não o meio como foi obtida.

A paródia do Zorra, felizmente, também salva essa lacuna, em um verso que canta “…Quem com grampo fere, com grampo será ferido”, legenda de um dos quinhentos memes produzidos diariamente sobre o caso esta semana.

Jornalismo × entretenimento
O Zorra repete neste caso uma longa tradição da Globo, que sempre foi mais franca no entretenimento do que no jornalismo, onde algum pudor editorial acaba por inibir até as línguas mais soltas.

Foi assim nos tempos de “O Bem Amado” (1973/74), quando o Odorico Paraguaçu de Paulo Gracindo, pelas mãos de Dias Gomes, conseguia provocar no público algum desprezo pelos coronéis da vida real, todos filtrados pelos censores que controlavam rigorosamente as linhas dos noticiários.

E só para não dizer que isso só acontecia em tempos de ditadura ou em questões relacionadas a temas políticos, também foi assim na Copa de 2006, na Alemanha, quando o modesto quadro da Denise Fraga no Fantástico, Copas de Mel, conseguia ser mais crítico à seleção brasileira que o staff coordenado por Galvão Bueno, refletindo aí um certo temor do departamento de esportes em desagradar a CBF e comprometer os negócios da casa.

Sem rabo amarrado com a política, com o esporte ou com os negócios internos, o entretenimento faz o papel que inibe, para dizer o mínimo, a voz de outros setores dentro de uma empresa do tamanho de uma Globo.

As causas, conflitos e controvérsias do MST e do MTST, movimentos de Sem-Terra e Sem-Teto, foram muito mais debatidas na ficção do que nos noticiários da emissora, e cito desse nicho pelo menos duas novelas: “Pátria Minha” (1994), quando Patrícia Pillar, linda de tudo, morria massacrada por um trator numa cena de desocupação de um terreno, e “O Rei do Gado” (1996), de Benedito Ruy Barbosa, de novo com Patrícia Pillar erguendo a bandeira da sem-terra.

Por isso é que se diz que só o humor salva, mas nem por isso vamos desistir de perseguir o tão cobiçado equilíbrio editorial onde quer que seja, ou, se for o caso, de assumir posições tomadas com clareza.

Confira a seguir a letra da paródia e, aqui, o vídeo do esquete, disponível no Globoplay.

Eu antes era herói e dava até palestras em inglês
O pai dos três playboys me nomeou só pra agradar vocês
Eu já vazei informações, mas foi por boas intenções
Hakearam o Telegram
Meu papo com Deltan virou bola da vez
Agora eu me ferrei
Pra que é que eu fui deixar de ser juiz
Seguiam minha lei, faziam tudo o que eu quis
E você fez power-point só pra me bajular,
Ficou mal feio mas deixa pra lá
Viramos meme por todo país
(Deltan) Não, não chore não porque vazaram o nosso segredo
Um bando de espião, a serviço de um partido
(Deltan e Moro) Gringo vacilão, talvez agora a gente perca o emprego
Pois quem com grampo fere, com grampo também será ferido
Eu antes era herói…

Após ser humilhado por Bolsonaro, Joaquim Levy pede demissão da presidência do BNDES

16 de junho de 2019

Paulo Guedes empossa o presidente do BNDES, Joaquim Levy, observado por Bolsonaro.

LEVY PEDE DEMISSÃO DO BNDES APÓS ATAQUE DE BOLSONARO
Decisão ocorre um dia após Bolsonaro ter ataque público por causa da posse de Marcos Barbosa Pinto na diretoria de Mercado de Capitais.

Via Jornal GGN em 16/6/2019

Joaquim Levy divulgou nota à imprensa no domingo [16/6] para anunciar seu pedido de demissão da presidência do BNDES. A informação é do Jornal do Brasil.

No sábado [15/6], Jair Bolsonaro disse que estava de saco de cheio de Levy e ameaçou demiti-lo na segunda-feira, se ele não declinasse de uma indicação dentro do banco.

O ataque de Bolsonaro tem a ver com a posse de Marcos Barbosa Pinto – que trabalhou em governo do PT, assim como Levy – na diretoria de Mercado de Capitais.

Confira a nota na íntegra:

Solicitei ao ministro da Economia Paulo Guedes meu desligamento do BNDES. Minha expectativa é que ele aceite. Agradeço ao ministro o convite para servir ao País e desejo sucesso nas reformas. Agradeço também, por oportuno, a lealdade, dedicação e determinação da minha diretoria. E, especialmente, agradeço aos inúmeros funcionários do BNDES, que têm colaborado com energia e seriedade para transformar o banco, possibilitando que ele responda plenamente aos novos desafios do financiamento do desenvolvimento, atendendo às muitas necessidades da nossa população e confirmando sua vocação e longa tradição de excelência e responsabilidade.
Joaquim Levy

REDES SOCIAIS

Só não viram os “descuidos” do herói Moro os cegos de ódio pelo vilão

16 de junho de 2019

Boneco do Super-Homem desmorona no final. Reprodução.

Novela moralizadora da Lava-Jato foi um estouro de público, reduzindo todos os problemas do país à corrupção.

Angela Alonso em 16/6/2019

“Moralmente as colchas inteiriças são tão raras! O principal
é que as cores não se desmintam umas às outras – quando
não possam obedecer à simetria e regularidade.”
Quincas Borba, capítulo 55

O problema é quando se vende colcha moralmente monocromática que se revela bicolor. Nesta semana, o preto sóbrio da cruzada lavajatista da moral contra a política desbotou, exibindo a política cinzenta dos moralizadores.

Houve quem se espantasse. Não foram decerto os leitores de Machado de Assis, céticos das grandezas integrais e atentos às mesquinharias humanas. A figura do moralizador impoluto, que põe o interesse coletivo acima dos comichões de sucesso individual, é sempre desmascarada na ficção machadiana. Apenas opera nas narrativas maniqueístas, nas quais bem e mal são monolíticos e apartados como Deus e o Diabo.

Mas, no debate público brasileiro, Machado perdeu para a Marvel. O que mais se ouviu nos últimos anos foi a narração do triunfo da vontade da novela “A Faxina Moral da Nação”. Sua estrela: o então juiz Sérgio Moro. Já faz tempo que vem na subida da rampa de sua jornada de herói. Elogio pra cá, prêmio pra lá, sucesso de livro e filme, smoking e toga. Em 2015, a revista Veja deu seu rosto na capa e, ao pé da imagem, “Ele salvou o ano!”.

Mídias tradicionais e alternativas (Mônica Bergamo lembrou os elogios de Glenn Greenwald à Lava-Jato, em 2017), parcelas gordas das elites social e econômica, políticos, juristas e intelectuais trabalharam com afinco para tornar a novela moralizadora um estouro de público. A Lava-Jato foi cantada em prosa, verso e série da Netflix.

No enredo, os problemas públicos todos – disfunções da gestão, má qualidade de serviços e políticas estatais, ineficiência econômica – foram reduzidos a um fator único: a corrupção sistêmica.

Ignoraram-se as causas múltiplas de processos complexos e jogos sobrepostos, com muitos atores, valores e interesses – nem todos negativos – na berlinda. É que a complexidade, sabem os roteiristas da Marvel, afasta espectadores.

Agrada aquilo que é simples: um vilão para o qual aflua o ódio coletivo. Feitos adquirem grandeza por contraste com malfeitos de mesmo quilate. A Lava-Jato começou na onda antissistema “contra tudo o que está aí”, mas elegeu o antagonista principal.

A operação restringiu o perímetro da vilania no debate público, sinonimizando corrupção e petismo. O “corruPTos” estampado em cartazes de protestos e o “petralhas” de Reinaldo Azevedo viraram pragas linguísticas. O capítulo da caça ao supervilão, “chefe da quadrilha”, foi um desdobramento lógico.

O problema dos super-heróis, contudo, é que as instituições democráticas, com suas regras, burocracias, demanda por provas e presunção de inocência, retardam a punição dos malvados.

Nesta parte do enredo é que Moro cresceu. Julgou que, encarnando a moral pública, tornara-se mais legítimo que a lei, capaz de vencer bandidos que a Justiça comum seria incapaz de punir. Na luta justa, todas as armas se justificariam. Soturno e intrépido, teve a ousadia de prender um ex-presidente da República.

Moro nunca esteve sozinho. A opinião pública sagrou-o “o Justo”. Foi aplaudido no exterior – por Mario Vargas Llosa, pela Universidade de Notre Dame, pela associação de ex-alunos brasileiros de Harvard (não confundir com os professores da universidade) –, em rede e na rua, que com hashtags e cartazes delegaram-lhe superpoderes moralizadores.

Uma operação simbólica completada com os bonecões do bandido – o Pixuleco presidiário – e do mocinho – o exuberante Superman.

Agora o ex-juiz deu com o rochedo gigante do Intercept no meio do caminho. Mas nas boas narrativas do gênero, o herói enfrenta o obstáculo e o supera. O final será trágico, patético, feliz?

Até a epifania de Greenwald, a maioria do país não apenas acreditou no que Moro disse como referendou seus métodos.

A matéria apenas escancara excessos que marcaram toda a jornada. Ele considerou suspeitos como culpados sumários, prendeu antes para investigar depois, grampeou e vazou conversa entre presidente e ex-presidente da República, ato de consequência política óbvia e imediata. Apenas não viu os deslizes do herói quem estava cego de ódio pelo vilão.

Mas para fãs, os fins sempre justificam os meios. A hashtag #EuApoioaLavaJato levantada contra a #VazaJato mostrou que os superpoderes de Moro não se esvaneceram no contato com a primeira dose de criptonita. E o Superman pode sempre contar com a solidariedade dos demais Superamigos.

Angela Alonso é professora de sociologia da USP e pesquisadora sênior do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento.

Janio de Freitas: A mídia e a justiça foram parceiras da delinquência de Moro

16 de junho de 2019

DELINQUÊNCIA MÚLTIPLA
A imprensa e a Justiça aceitaram e incensaram as condutas de Moro e Deltan.

Janio de Freitas em 16/6/2019

Nada aconteceu ao acaso nesta etapa fúnebre do nosso fracasso como país. A partir de tal premissa, é preciso dizer que os atos delinquentes de Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e outros da Lava-Jato só puderam multiplicar-se por contarem com o endosso de vozes e atitudes que deveriam eliminá-los. É preciso, pois, distribuir as responsabilidades anexas à delinquência, não pouco delinquentes elas mesmas.

É preciso dizer que a imprensa, incluído o telejornalismo, foi contribuinte decisivo nas ilegalidades encabeçadas por Sérgio Moro. Aceitou-as, incensou-o, procurou tornar o menos legíveis e menos audíveis as deformações violadoras da ordem legal e da ética judiciária.

Os episódios de transgressão sucederam-se, ora originários de Moro, ora do ambiente de fanatismo imperante entre os procuradores. Com o cúmulo do desatino e do extemporâneo no espetáculo de Deltan e da psicótica rosácea de acusações ao alvo de sua obsessão.

É preciso dizer que as advertências de juristas e advogados de alta reputação, não faltando nem livros de reunião e análise de muitas das transgressões, tiveram mais do que o espaço para o escapismo do “nós publicamos”. Foram vistos muitas vezes como interesseiros políticos ou profissionais. Era, no entanto, o caso de clamor, de defesa aguda dos princípios constitucionais e da legislação, se a imprensa quer afirmar-se democrata, ao menos quando se trata da sua liberdade plena.

A conduta da imprensa tem nomes, não foi anônima nem está encerrada. Nem corrigida: as críticas de um ou outro comentarista não compensaram o rápido esvaziamento das revelações do competente The Intercept Brasil.

É preciso dizer que a mais alta instância de defesa dos direitos civis, da Constituição e do corpo de leis foi coadjuvante nas condutas ilegais de Sérgio Moro. O Supremo Tribunal Federal, principalmente pelos ministros Teori Zavascki e Edson Fachin, relatores da Lava-Jato, Cármen Lúcia e Luiz Fux, teve o dever de reprimir, cedo, qualquer pilantragem judicial. Preferiu não o fazer, ou por demagógico medo de desagrados externos, ou por sujeição majoritária à ideologia. Poucos ficaram ilesos.

É preciso dizer que o Conselho Nacional de Justiça está necessitado de recuperação judicial. Sua razão de ser é zelar por prestação de Justiça a mais coerente com a legislação, o que implica correção processual, imparcialidade e ética, como explicitadas nos códigos específicos. Apesar disso, nenhum recurso, advertência ou aviso sobre o infrator Moro teve mais consequência do que o arquivamento. Em mais de meia centena de casos, endosso das artimanhas de Moro sem exceção. O papel do CNJ é vizinho do vergonhoso.

É preciso dizer que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) praticou justiça: deu aos dallagnois o aval que seu equivalente na magistratura deu a Sérgio Moro. Esse conselho é o vizinho do vizinho. Mas no Ministério Público não basta a quota de responsabilidade dos procuradores em Curitiba e no CNMP.

A proteção dada pelo então procurador-geral Rodrigo Janot foi a todos os abusos de poder, perversões na invocação de leis, arbitrariedades com as famílias de delatados. Mais de uma vez, Janot divulgou notas de restrição a condutas abusivas. Todas só para enganar a opinião pública, todas descumpridas com o seu amparo.

É indispensável reconhecer que Gilmar Mendes esteve certo nos seus ataques a procedimentos de Sérgio Moro e dos procuradores da Lava-Jato. Sem subscrever suas pesadas palavras, o sentido do muito que disse, com desprezo de vários colegas, foi verdadeiro. Os que apontaram as condutas transgressoras da Lava-Jato foram muito atacados, mas eram os que estavam certos. Está provado, com as vozes dos políticos Sérgio Moro e Deltan Dallagnol.

Leia livros
Duas edições recentes e muito apropriadas para estes dias. Do alemão Heinrich Böll, Prêmio Nobel de 1972, o pequeno e original A Honra Perdida de Katharina Blum (ed. Carambaia) é, entre outros méritos, uma granada no sensacionalismo dito jornalístico.

Repórter (ed. Todavia), de Seymour M. Hersh, um dos raros nomes mundiais do jornalismo, é uma biografia profissional com valioso efeito simultâneo: desnuda o misto de hipocrisia, dominação, guerra, conspiração, assassinato, mentira por trás do que é dito e mostrado ao povo do eixo do mundo. E, portanto, a todo o planeta.

REDES SOCIAIS

Defesa de Lula: É estarrecedor Moro auxiliar a Lava-Jato a construir uma acusação falsa contra Lula

15 de junho de 2019

Advogados Cristiano Zanin e Valeska Martins. Foto: Ricardo Stuckert.

Via Jornal GGN em 15/6/2019

A defesa do ex-presidente Lula publicou uma nota reagindo às novas conversas divulgadas pelo Intercept Brasil, na noite de sexta [14/6]. Mensagens trocadas entre Sérgio Moro e os procuradores Deltan Dallagnol e Carlos Fernando dos Santos Lima mostram que o então juiz solicitou ao Ministério Público Federal (MPF) que elaborassem uma nota atacando o depoimento de Lula em Curitiba, no caso tríplex.

Moro justificou que a manifestação era necessária para fazer contraponto ao “showzinho” dos advogados de Lula, e também para evidenciar, junto à grande mídia, as “contradições” do ex-presidente durante a oitiva.

“É inimaginável dentro de um Estado de Direito que o Estado-juiz e o Estado-acusador se unam em um bloco monolítico para atacar o acusado e seus advogados com o objetivo de impor condenações a pessoa que sabem não ter praticado qualquer crime”, escreveram os advogados Cristiano Zanin e Valeska Martins.

Leia, abaixo, a nota completa.

NOTA DOS ADVOGADO DO EX-PRESIDENTE LULA
“É estarrecedor constatar que o juiz da causa, após auxiliar os procuradores da Lava-Jato a construir uma acusação artificial contra Lula, os tenha orientado a desconstruir a atuação da defesa técnica do ex-presidente e a própria defesa pessoal por ele realizada durante seu interrogatório (10/5/2017). As novas mensagens reveladas ontem (14/6/2019) pelo “The Intercept”, para além de afastar qualquer dúvida de que o ex-juiz Sérgio Moro jamais teve um olhar imparcial em relação a Lula, mostram o patrocínio estatal de uma perseguição pessoal e profissional, respectivamente, ao ex-presidente e aos advogados por ele constituídos.

É inimaginável dentro de um Estado de Direito que o Estado-juiz e o Estado-acusador se unam em um bloco monolítico para atacar o acusado e seus advogados com o objetivo de impor condenações a pessoa que sabem não ter praticado qualquer crime.

É repugnante, ainda, constatar que a campanha midiática ocorrida em maio de 2017 objetivando atacar a memória de D. Marisa Letícia Lula da Silva tenha sido tramada pela Lava-Jato, como também revelam as mensagens do The Intercept.

Tais fatos, públicos e notórios, reforçam o que sempre defendemos nos processos e no comunicado encaminhado em julho de 2016 ao Comitê de Direitos Humanos da ONU: Lula é vítima de “lawfare” e o ataque aos seus advogados é uma das táticas utilizadas para essa prática nefasta”.

Leia as 6 partes das denúncias do Intercept: As conversas secretas da Lava-Jato que irão abalar o país


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