Dilma Rousseff: A Globo sempre está do lado errado da História

10 de novembro de 2020

Reportagem inventa, omite e silencia para negar ao telespectador a verdade sobre a crise atual do Brasil.

Dilma Rousseff em 9/11/2020

Em longa reportagem exibida ontem, o Fantástico, da Rede Globo, apontou o aumento da desigualdade no Brasil a partir de 2016, revertendo o processo ocorrido desde o início dos anos 2000. Embora tenha chamado atenção para um problema essencial da sociedade brasileira e reforçar causas estruturais, como o racismo, sonegou de seus telespectadores a verdade sobre a crise social pela qual o país está passando.

Atribuir, como nas primeiras frases da reportagem, a atual crise por que passa o Brasil a fatos ocorridos em 2015 e 2016 é uma manipulação da história. O Fantástico omite que fui impedida de governar em 2015, esconde que fui afastada de fato do governo em maio de 2016, e omite cinco anos dos governos Temer e Bolsonaro, em que o Executivo se dedicou, cotidianamente, a boicotar o crescimento do Brasil, a dilapidar o patrimônio da Nação e a eliminar direitos dos trabalhadores, do que são exemplo a emenda constitucional do teto de gastos, as reformas trabalhista e previdenciária. São cinco anos de escolhas políticas, todas apoiadas pela Rede Globo, cujo principal resultado foi a volta da fome e a ampliação da pobreza e da desigualdade no Brasil. Esconder dos telespectadores estes fatos é mais que desonesto, é a metódica e deliberada disposição da Rede Globo de interferir de forma perniciosa nos rumos políticos do País.

Os telespectadores mereciam saber, por exemplo, que a economia brasileira está hoje em 12ª posição no mundo, e caindo. Deveriam ser informados ainda que durante o meu governo estivemos sempre entre as oito maiores economias do mundo.

Toda a imprensa noticiou que a insegurança alimentar grave havia recuado de 8,2% da população em 2004 e para 5,8% em 2009, segundo pesquisa do IBGE. Em 2013, a proporção havia cedido para 3,6%. A melhora tirou o Brasil do Mapa Mundial da Fome em 2014, segundo relatório global divulgado à época pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O Fantástico falseou a verdade, ao esconder a informação relevante de que a queda do PIB em 2015 e, até maio de 2016, quando de fato fui afastada do governo, se deveu, em grande parte, à crise política gerada pelo boicote ao meu governo no Congresso e pelo processo de impeachment, que inibiu a atividade econômica e, assim, reduziu a arrecadação tributária. Tudo com o devido respaldo e apoio da Rede Globo.

Praticamente desde a minha posse, ao longo do primeiro semestre de 2015, o Congresso mobilizado pelo golpista Eduardo Cunha atuou ativamente para desestabilizar economicamente o governo, por meio das chamadas pautas-bombas, que forçavam a ampliação das despesas com as quais o Tesouro não conseguiria arcar.

Ao mesmo tempo, impedia a aprovação de projetos com os quais pretendíamos enfrentar as dificuldades fiscais, como a retirada da isenção das grandes empresas. Na época, a própria imprensa noticiou o processo permanente de sabotagem de Eduardo Cunha, na verdade uma verdadeira pré-estreia do que viria a ser Jair Bolsonaro em termos de pauta neoliberal na economia e conservadora nos costumes.

No 2º semestre de 2015, impulsionado pelos golpistas, ganhou força a tese do impeachment, cujo processo foi aceito pelo presidente da Câmara, em dezembro. Ficou claro que o país entrara naquele momento em estado de semiparalisia política e quase anomia econômica.

Em 12 de maio de 2016, fui afastada do cargo de presidenta da República, por força da abertura do processo de impeachment pelo Senado. Não voltei mais ao cargo para o qual havia sido eleita democraticamente. O boicote, iniciado em 2015, deu frutos em 31 de agosto de 2016.

Além de ter escolhido culpar pela crise atual alguém que está fora da Presidência há cinco anos, o Fantástico silenciou de maneira maliciosa sobre outros fatos relevantes mostrados em sua reportagem. Silenciou sobre a desastrosa política econômica de Paulo Guedes, a criminosa omissão do governo Bolsonaro diante do Covid-19, que transformou o Brasil no segundo país com maior número de mortes. Silenciou ainda sobre a inanição das políticas sociais e de saúde, silenciou sobre a política de abastecimento de alimentos do país, silenciou sobre o acesso à habitação. Enfim, calou-se sobre o aspecto multidimensional do combate à miséria a à pobreza.

E silenciou porque concorda e apoiou todos os fatos relevantes responsáveis pelo atual desastre econômico, notadamente a política de restrição fiscal.

Quando exibiu personagens que contaram que a vida deles havia sido boa no passado, não informou que este passado foi o governo Lula e o meu governo.

Quando falou que a desigualdade no Brasil caiu de forma intensa no início dos anos 2000 até 2015, omitiu que este foi exatamente o período dos governos Lula e Dilma.

Quando mostrou uma economista francesa ganhadora do Nobel afirmando que as cotas raciais nas universidades e o Bolsa Família foram decisivos para reduzir a desigualdade e a fome no Brasil, deixou de lembrar que estes dois programas foram implantados por Lula e por mim.

E quando fez menção ao fato de que, apesar da crise atual, todas as crianças frequentam a escola, mais uma vez deixou de gastar pelo menos alguns segundos dos mais de 14 minutos da reportagem para lembrar que esta condicionalidade sempre fez parte do Bolsa Família, o mais bem sucedido programa de transferência de renda do mundo, criado pelo PT.

O Brasil precisa enfrentar e superar sua estrutural desigualdade e exclusão e precisamos muito falar sobre estes desafios. Mas não será distorcendo fatos, montando uma avalanche de “fake news” e omitindo quem estava no governo quando que este processo mais avançou que a Globo contribuirá para isto. Não é escondendo as conquistas do período do PT nem a destruição promovida pelos governos golpistas e de extrema direita que a Globo ajudará este processo.

Como vem fazendo ao longo da história brasileira recente, o Grupo Globo é um dos grandes responsáveis pela desigualdade e pelo atraso no desenvolvimento do País, ao sempre defender ajustes recessivos sobre os ombros da população. Por isso, a Globo sempre esteve do lado errado da história.

Leia também: Responsabilidade da diretoria: CVM absolve Dilma de irregularidades em projetos da Petrobras

“Coincidência”: Ação no STF contra Flávio no caso da rachadinha fica com ministro indicado por Bolsonaro

10 de novembro de 2020

QUE “COINCIDÊNCIA”, NÉ?
Deputado Rogério Correia em 9/11/2020

Uma ação direta de inconstitucionalidade contra o foro privilegiado concedido pelo Tribunal de Justiça do Rio ao senador Flávio Bolsonaro no caso da rachadinha foi redistribuída para relatoria do novo ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao cargo pelo presidente Jair Bolsonaro (clique aqui).

Escolhido por Bolsonaro com o apoio de políticos do centrão, que tem diversos investigados na Lava-Jato, ele é apontado como de perfil garantista. Nos bastidores, sua indicação também é atribuída a uma escolha do próprio Flávio Bolsonaro.

Resta saber se o ministro Kassio Nunes honrará a independência do cargo ou se atuará como “advogado” da família Bolsonaro. Esta distribuição do STF soou estranho. Cair justamente no ministro indicado por Bolsonaro e com apoio do próprio Flávio pareceu “coincidência” demais.

Além de comprar imóveis, rachadinhas de Flávio Bolsonaro e Queiroz pagaram cabos eleitorais em 2018

10 de novembro de 2020
Larissa Dantas, Jack Souza, Gaby Damasceno e Edianne de Abreu, que formaram um quarteto de cabos eleitorais, junto com Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz. Imagem: Reprodução/Instagram.

Leonardo Sakamoto em 9/11/2020

O dinheiro público desviado pelo esquema encabeçado por Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e operado por seu ex-assessor Fabrício Queiroz não apenas se transformou em imóveis, mas também ajudou a elevar o então deputado estadual ao Senado Federal em 2018.

Pagamentos a cabos eleitorais constam na quebra de sigilo bancário de Queiroz determinada pela Justiça do Rio no processo que investiga as “rachadinhas”, de acordo com reportagem divulgada, na segunda [9/11], pelo núcleo de jornalismo investigativo do UOL.

Ele comprovou com entrevistas, textos e vídeos em redes sociais que essas pessoas trabalharam efetivamente na campanha de Flávio Bolsonaro. Foram 15 transferências da conta de Queiroz para elas, num total de R$12 mil, em setembro e outubro de 2018. Isso sem contar os saques em dinheiro vivo, que impossibilitam o rastreamento de seu uso.

A conta é a mesma em que, segundo a reportagem, ele recebia a devolução compulsória de parte dos salários dos funcionários públicos do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa. Ou seja, além da origem problemática do dinheiro, como os pagamentos não foram declarados à Justiça Eleitoral, também haveria caixa 2.

O Ministério Público, que pediu na denúncia que acusa o senador de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, que, ao final, ele perca o seu mandato, precisa investigar não apenas esse caixa 2, mas as ramificações dele com outras candidaturas.

A assessoria de Flávio Bolsonaro disse ao UOL que “todos os pagamentos da campanha de 2018 foram registrados junto à Justiça Eleitoral e estão dentro das regras” e que ele “desconhece qualquer tipo de pagamento que não tenha cumprido as determinações legais”.

Porém, o próprio Queiroz, em depoimento por escrito que entregou ao Ministério Público, em 28 de fevereiro de 2019, já tinha confessado que recolhia parte dos salários dos funcionários do chefe para remunerar, de maneira informal, “assessores” na base eleitoral de Flávio.

A isso, Queiroz deu o nome de “desconcentração de remuneração”. Disse que não acreditava ter cometido uma ilegalidade, pois o objetivo era “multiplicar e refinar os meios de escuta da população por um parlamentar”.

Ou seja, ele afirmou que fazia algo ilegal – desviar recurso público do salário dos funcionários do gabinete para benefício eleitoral de Flávio – a fim de afastar denúncias de algo mais grave ainda aos olhos do público: que estava operando como laranja para viabilizar o desvio de dinheiro público para aumentar o patrimônio pessoal de membros da família Bolsonaro.

O desenrolar das investigações mostrou que as duas finalidades existiram ao mesmo tempo.

“O peticionante [Queiroz] entendeu que a melhor maneira de intensificar a atuação política seria a multiplicação dos assessores de base eleitoral, valendo-se, assim, da confiança e da autonomia que possuía para designar vários assistentes de base, a partir do gerenciamento financeiro dos valores que cada um destes recebia mensalmente”, afirmou sua defesa.

Na época, ficou a indagação de como isso aconteceria, o que a apuração do UOL mostra agora.

Como o senador tem base eleitoral também em área controlada por milícias, na zona oeste do Rio, seria importante o Ministério Público verificar se houve transferência de recursos para milicianos com essa finalidade. Policiais e militares criminosos que fazem parte desses grupos são conhecidos por táticas de “convencimento” de eleitores.

Vale lembrar que, na denúncia, o MP incluiu na organização criminosa chefiada por Flávio, o falecido miliciano Adriano da Nóbrega, então chefe do Escritório do Crime – grupo de matadores de aluguel.

No depoimento do ano passado, Queiroz livrou a cara do chefe, dizendo que a “arquitetura interna do mecanismo” era dele mesmo.

Por essa justificativa, Flávio Bolsonaro é apresentado como um fantoche nas mãos do ex-assessor. Só faltou dizer que são de Queiroz os imóveis comprados com esses recursos e que estão com a família Bolsonaro. Ou que o pagamento que o ex-assessor fez das mensalidades dos planos de saúde e da escola das filhas do senador, durante anos, foi um mimo a ele.

A história revelada pelo UOL, nesta segunda, reforça que a “rachadinha” não ajudava apenas a enriquecer Flávio Bolsonaro, mas também contribuiu para sua eleição em 2018. Ou seja, ele pode ter conquistado o direito de representar os interesses do Estado do Rio de Janeiro com a ajuda de uma ilegalidade, por sua vez, financiada com recursos ilegais. Uma cascata de ilegalidades.

Por fim, os desvios envolvendo Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz são de valores menores que os de outros escândalos da República – o que vem sendo dado como motivo, inclusive, para seus apoiadores passarem pano na história. Isso não reduz a gravidade desses atos, apenas reforça a posição lateral em que a família Bolsonaro esteve na política nacional até a eleição de Jair.

O caso não seria como o de “ladrões de galinha”, que cometem um crime para aplacar a fome, mas de um esquema que assaltou salários de funcionários talvez porque não tinha a oportunidade de acesso a algo maior.

REDES SOCIAIS

Eleição nos EUA provou que Araújo não tem condições de ser chanceler

10 de novembro de 2020
O presidente dos EUA, Donald Trump, cumprimenta o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, na Casa Branca. Imagem: Reprodução/Twitter.

Jamil Chade em 9/11/2020

Benjamin Netanyahu teve em Donald Trump um aliado fundamental. Viktor Orban, na Hungria, se apoiou no republicano para se justificar diante do mundo, assim como ocorreu com a liderança polonesa. Narendra Modi, na Índia, usou do nacionalismo para o aproximar de Trump e forjar uma relação próxima.

Mas menos de 24 horas depois do anúncio de que o presidente americano havia sido derrotado pelo voto popular, todos eles adotaram a mesma postura e saudaram a chegada de um novo chefe-de-estado nos EUA, Joe Biden.

Em cada gesto desses líderes, uma confirmação de uma velha máxima na diplomacia: países não têm amigos. Países têm interesses.

Ou como resumiria Lord Palmerston, no Parlamento em 1º de março de 1848: “Não temos aliados eternos, e não temos inimigos perpétuos. Nossos interesses são eternos e perpétuos, e é nosso dever seguir esses interesses”.

Mas um dos poucos aliados de Trump no mundo que manteve um silêncio ensurdecedor foi o Brasil, conduzido por uma diplomacia que mistura elevadas doses de ideologia, elevado grau de miopia e elevado nível de desrespeito pelos interesses nacionais.

Ernesto Araújo não tem condições de continuar na condução da política externa de uma das maiores economias do mundo e de influência decisiva na América Latina. Nunca teve. Mas, sem seu único lastro internacional, mergulha o país num caminho tão perigoso quanto irresponsável, inclusive na relação com o futuro governo americano.

Ao longo dos últimos meses, Araújo, admirador de Olavo de Carvalho, não manteve uma relação com os EUA. Mas com Trump. Antes mesmo de assumir o cargo no Itamaraty, o chanceler escreveu que o americano seria “o único” que poderia salvar o Ocidente. Ao tomar posse, promoveu uma guinada na diplomacia nacional e passou a servir, pelo mundo, como “chef de claque” de toda e qualquer política adotada pela Casa Branca.

Modificou os votos do Brasil na ONU sobre Israel e Cuba, abriu mão de uma postura de vanguarda do país em acesso a remédios, assumiu o papel vergonhoso de defender a pauta religiosa ultraconservadora ditada por Washington em questões de direitos das mulheres, atacou a capacidade de órgãos de direitos humanos de fiscalizar abusos, saiu em defesa da polícia em meio ao debate sobre a morte de George Floyd, seguiu de forma cega as ordens americanas na OMS e abriu mão da condição de país em desenvolvimento nos futuros tratados comerciais.

O chanceler que mais falou em patriotismo em décadas é, no fundo, quem mais prova como tais conceitos são manipulados.

Há poucas semanas, Araújo declarou com orgulho que, se precisasse ser pária para defender sua política, que assim o faria. Mas uma coisa é ser pária sobre os ombros de Trump. Outra coisa é ser pária e órfão.

No desespero de ver Trump reeleito, o Itamaraty abriu mão dos interesses nacionais para salvaguardar o seu próprio interesse. Um ato de traição. Aceitou barreiras comerciais contra produtos nacionais, colocou em risco a defesa nacional para emprestar seu território para servir de palco para Mike Pompeo fazer campanha eleitoral, e flertou com violações à Constituição ao defender o indefensável em matéria de direitos humanos.

A estratégia não funcionou.

Hoje, resta a pergunta: Quem pagará pelos dólares não exportados? Quem pagará pelo ensaio de traição promovida na cúpula do estado?

Ridicularizado por governos estrangeiros, ignorado por organismos internacionais, zombado até mesmo por ex-ministros do governo Bolsonaro e, acima de tudo, desprezado por seus próprios soldados, Araújo não tem a credibilidade necessária para liderar o que já foi uma das diplomacias mais respeitadas no Ocidente.

O chanceler, hoje, parece confirmar o que Alexandre Dumas uma certa vez escreveu: “A diferença entre o patriotismo e a traição é apenas uma questão de datas”.

Derrota de Trump leva Bolsonaro a perder seu amigo imaginário

10 de novembro de 2020

Leonardo Sakamoto em 8/11/2020

Jair Bolsonaro apostou no cavalo perdedor. Depois, passou a apoiar o jóquei que chegou em segundo e esperneia, sem provas, que o vencedor dopou o cavalo, sabotou a pista, subornou os juízes e corrompeu o público. O pior de tudo é que o presidente brasileiro fez a aposta com o nosso dinheiro.

A outra metáfora possível seria o sujeito que vai com a vaca da família na feira a fim de vendê-la e comprar comida e volta com meia dúzia de feijões com a promessa de que são mágicos. Depois descobre que o vendedor foi levado pela Polícia Civil por estelionato, mas fica ajoelhado na sua horta, esperando a mágica acontecer.

Aliados de Donald Trump, como os primeiros-ministros de Israel, Benjamin Netanyahu, e da Hungria, Viktor Orbán, já felicitaram o democrata. Bolsonaro segue em silêncio, sem reconhecer a vitória de Joe Biden.

Apesar de todo o amor que sente pelo futuro ex-presidente norte-americano, a estratégia do brasileiro é manter-se firme, mas só até onde for possível.

Entrega, assim, o que deseja o bolsonarismo-raiz, grupo que representa de 12% a 16% da população e tem garantido apoio incondicional a Bolsonaro. Parte dele enxerga em Trump uma espécie de semideus na luta contra a conspiração de bilionários pedófilos, intelectuais globalistas, Illuminati e cavaleiros templários.

Mas também tenta ocupar o espaço deixado pelo republicano nas redes de apoio dos movimentos internacionais da extrema direita. E seus ricos patrocinadores.

E o que Bolsonaro apostou durante a campanha norte-americana? Nossa dignidade, por exemplo.

Só para dar exemplos dos últimos meses. Em um encontro com Ernesto Araújo, em 18 de setembro, em Boa Vista (RR), o secretário de Estado Mike Pompeo usou o território brasileiro para provocar o governo da Venezuela – o que levou a oposição no Senado Federal a convocar o chanceler por ajudar a criar um factoide a fim de ser usado na campanha de Trump.

Em meio à reta final da campanha eleitoral, quando Trump precisou reforçar que contava com aliados na disputa contra o gigante asiático, Bolsonaro deu sinais de que pretendia excluir ou limitar a participação da chinesa Huawei na escolha do sistema de 5G. Sem contar os ataques à China por conta do coronavírus, ecoando o republicano.

A fim de ajudar Trump, que buscava votos nos estados produtores de milho, matéria-prima do etanol por lá, Bolsonaro dificultou a vidas dos produtores brasileiros de etanol, que estavam com estoques para gastar devido à redução do consumo na pandemia. Renovou a cota de etanol dos EUA que pode entrar aqui sem pagar imposto de importação – 62,5 milhões de litros/mês. Acima disso, o valor é a tarifa comum do Mercosul, 20%. A cota havia expirado em agosto.

Não só. Os Estados Unidos reduziram a cota de aço semiacabado que o Brasil pode vender a eles sem tarifas – o total caiu de 350 mil para 60 mil toneladas para o quatro trimestre do ano. O motivo também foi pressão da indústria dos EUA sobre o candidato à reeleição por causa da queda de demanda devido à pandemia.

Durante a campanha, Trump – que visitou vários países, menos o vassalo Brasil – chegou a usar diversas vezes o governo Bolsonaro como exemplo negativo no combate à covid-19, dizendo que os EUA poderiam estar mal, como nós, caso ele não tivesse agido corretamente. Além de ceder na economia e na geopolítica, ainda virou o paga-lanche.

É hora de cobrar Bolsonaro pela aposta que fez, indo contra o que um patrimônio de um século de diplomacia brasileira independente não o autorizava a fazer. Dobrar a pressão para que ele reverta sua política de terra-arrasada na Amazônia, lembrando que não precisa ser pelo meio ambiente, pelos povos que lá vivem ou pelo futuro da humanidade, mas pelo comércio mesmo – que deve sofrer impacto com a chegada de Joe Biden. E exigir que pare de ter amigos imaginários.

Leia também: #BolsonaroLosers: A coleção de derrotas de Jair Bolsonaro

Líderes de todo o mundo pedem que STF anule sentenças contra Lula

10 de novembro de 2020
Lula deixa a prisão e é recebido pelo povo na Vigília Lula Livre. Foto: Ricardo Stuckert.

Líderes políticos, sociais e intelectuais de quase todo o mundo assinaram manifesto pela anulação, no STF, das sentenças contra Lula. Documento será entregue a Gilmar Mendes

Via Causa Operária em 9/11/2020

Cerca de 400 lideranças políticas de entidades, associações e universidades de países da América Latina, África e Europa assinam um manifesto pedindo ao STF (Supremo Tribunal Federal) a anulação das sentenças dadas ao ex-presidente Lula.

O documento afirma que a conduta do ex-juiz Sérgio Moro e da força-tarefa da Lava-Jato no Ministério Público deixam claro a “existência de conluio”, e que o petista teve negado o seu direito a um julgamento imparcial.

Documento que será entregue na terça-feira [10/11], ao ministro Gilmar Mendes pedindo a anulação das sentenças contra o ex-presidente Lula afirma que a conduta do ex-juiz Sérgio Moro e da força-tarefa da Lava-Jato no Ministério Público deixam claro a “existência de conluio”, e que o líder petista teve negado o seu direito a um julgamento imparcial.

A iniciativa marca o primeiro ano da soltura de Lula após 580 dias encarcerado na sede da Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba, informa a jornalista Mônica Bergamo em sua coluna na Folha de S.Paulo.

Saiba quem são os líderes mundiais que pedem anulação de sentença contra Lula pelo STF.


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