Vaza-Jato mostra que heróis são “vampiros de Curitiba”

13 de dezembro de 2019

O mais importante acontecimento jornalístico de 2019 lembra a sujeira e perversão dos personagens de Dalton Trevisan.

Xico Sá, via El País Brasil em 11/12/2019

Certamente você não verá o maior e mais importante furo jornalístico do ano, a série de reportagens Vaza-Jato – publicação do The Intercept Brasil em parceria com outros veículos, incluindo o El País – nas retrospectivas das emissoras de televisão brasileiras. Esqueça. Melhor ver Mindhunter ou outra série favorita sobre monstruosas criaturas.

O pecado da omissão televisiva ajuda preservar a imagem canonizada de Sérgio Moro, que deixou o cargo de juiz para entrar no Governo Jair Bolsonaro – sem escala ou quarentena moral. A alta popularidade, segundo a última pesquisa Datafolha, confirma a tese. É como se Nelsinho fosse mostrado apenas como o bom, correto e sonso “rapaz de família” e jamais na pele de O vampiro de Curitiba, personagem do livro homônimo do gênio Dalton Trevisan.

Ministro apenas protocolar no comando da Justiça, o ex-juiz foi flagrado vampirizando a lei em uma trapaça nunca dantes vista na literatura jurídica nacional. As revelações da turma de Glenn Greenwald são de fazer corar o mais indecente dos rábulas de porta de cadeia.

O dublê de Superman – assim tem sua representação nas manifestações da extrema direita nas ruas do Brasil – era bedel, juiz, promotor, delegado da PF, guru e xamã dos procuradores. Tudo ao mesmo tempo agora. Cobrava escanteio e corria para cabecear ao gol. Era árbitro de campo e da cabine do VAR no mesmo lance. Para o delírio do pupilo Deltan Dallagnol – outro vocacionado Nelsinho dos gabinetes curitibanos – em mais um transe religioso da Lava-Jato.

O advogado e jornalista Greenwald não titubeia ou tampouco se protege com o escudo dos verbos no condicional quando trata do assunto: “Quando tem um juiz corrupto na primeira instância, o processo é comprometido de todas as formas porque este juiz corrupto está decidindo quais evidências vão ser incluídas, quais testemunhas vão ser ouvidas. Então, o processo total é corrupto. O STF está concluindo isto agora”.

“No fundo de cada filho de família dorme um vampiro”, escreve Dalton Trevisan. Cuidado. Sedento por prisões inconstitucionais, ele pode sugar o sangue de inocentes nas próximas eleições presidenciais.

Que 2020 seja leve
Sim, 2019, o ano que não termina, mas já acabou (pausa, maestro) com a gente, como diz aqui a poeta Alice Ruiz, em mais uma edição do projeto Sinapses poéticas, no Sesc Rio Preto. Ela fala de Florbela Espanca e Cecília Meireles, eu trato de Paulo Mendes Campos e Vinícius de Moraes, sob a regência do planeta melancolia que domina nosso tempo. Precisamos ser radicalmente otimistas para acreditar que 2020 seja menos sufocante.

Difícil acreditar que tenhamos menos censura, menos queimadas na Amazônia, menos descuido com desastres ecológicos – vide o óleo nas praias no Nordeste –, menos destruição nas escolas e universidades, menos ataques a artistas e produtores culturais, menos racismo, menos desemprego, menos intervenções milicianas, menos eliminação nas tribos indígenas, menos extermínio nas periferias e nos bailes funks etc. etc. Difícil acreditar, mas fica valendo o verbo do cronista Antônio Maria: “Brasileiro Profissão Esperança”.

Boas festas, de preferência sem tretas políticas na família, e que o ano novo nos seja leve.

Xico Sá, escritor e jornalista, é autor de Big Jato (Companhia das Letras), dentre outros livros e comentarista do programa Redação SporTV.

Livro de economista criticada por Bolsonaro é um estouro de vendas e terá reimpressão

13 de dezembro de 2019

Naomi Matsui, via Blog do Guilherme Amado em 10/12/2019

O livro Valsa brasileira, da economista Laura Carvalho, ganhará uma tiragem de mais 2 mil exemplares, pela Todavia, depois de estourar de vendas com as críticas feitas por Bolsonaro a Laura.

Na semana passada, tuitou Bolsonaro:

“Ministro da Economia da Argentina, Martin Guzmán, recomenda o livro da Laura Carvalho, economista do PSOL na última campanha”.

A reimpressão, ainda neste ano, virá com uma provocação a Bolsonaro, trazendo na contracapa uma frase de Gregório Duvivier:

“Já gostava da Laura muito antes de o Bolsonaro odiar. Agora virou modinha”.

Diário com confissões a Deus é achado na casa de investigados por fraudes: “Somos corruptos e ladrões”.

13 de dezembro de 2019

Geraldo Pereira e espos são investigados pela Polícia Civil. Foto: Arquivo Pessoal.

Caderno seria da esposa do ex-superintendente da Ageto preso pela Polícia Civil em julho deste ano. Suposto esquema que teria fraudado contratos públicos no valor de R$29 milhões.

Via G1 em 10/12/2019

Durante as investigações da operação Via Avaritia, a Polícia Civil apreendeu um caderno de anotações que seria da esposa do ex-superintendente de operações e conservação da Agência Tocantinense de Obras (Ageto), Geraldo Pereira da Silva Filho. Em uma das páginas, Rosivânia Ribeiro Cunha Silva escreve um tipo de oração confessando que ela e a família cometeram crimes: “Somos corruptos e ladrões e queremos justificar nossos pecados.”

Procuradas pela TV Anhanguera, as defesas do casal e da empresa Proplan disseram que não vão se manifestar neste momento.

Rosivânia Ribeiro e o marido são investigados pela Polícia Civil no suposto esquema que teria fraudado contratos no valor de R$29 milhões para obras e reformas no Tocantins. A suspeita da polícia é que o ex-superintendente tenha burlado a lei de licitações para subcontratar uma empresa que está no nome de uma filha do casal.

Para a Polícia Civil, a Rosivânia Ribeiro seria um tipo de “operadora financeira” do suposto esquema criminoso. Ela teria recebido dinheiro de uma empresa laranja, que está no nome de um motorista do marido, na própria conta bancária.

“[…] no aparelho celular de Geraldo Pereira foram encontrados diversos diálogos nos quais Rosivânia faz a contabilidade da empresa Proplan Construtora, bem como encaminha a seu marido extratos bancários e de pagamentos efetuados na conta dessa empresa”, diz trecho da investigação policial.

Trecho do caderno apreendido na casa de investigados. Foto: Reprodução.

O caderno apreendido pela polícia em um endereço da família, em novembro deste ano, era usado para anotações de contabilidade, estudos bíblicos e até orações. Nos registros existe um cronograma com várias datas e eventos, como a prisão de Geraldo e da filha dele, Maria Fernanda Cunha Silva – suposta dona da empresa Proplan.

No dia 12 de agosto de 2018, Rosivânia Ribeiro teria escrito uma confissão: “Me perdoe por não ter feito o que o Senhor esperava de mim. Nos perdoe pelo pecado da corrupção, pelo tráfico de influência, por fazer parte do sistema. Gere em meu coração, espírito santo, o verdadeiro arrependimento. Fale comigo e com meu esposo com muita clareza. Somos corruptos e ladrões, e queremos justificar nossos pecados […]”.

Meses antes das prisões, Rosivânia Ribeiro teria escrito um pedido para Deus: “Não permita que meu esposo seja envergonhado, envolvido em escândalo”.

O caderno foi incluído nos autos da investigação e ainda está sendo analisado pela perícia da Polícia Civil. Geraldo Pereira e Rosivânia Ribeiro estão respondendo ao inquérito em liberdade e ainda não foi oferecida denúncia sobre o suposto esquema criminoso.

Procurada pela TV Anhanguera, a defesa do casal disse que não vai se manifestar neste momento.

Entenda
Geraldo Pereira e a filha Maria Fernanda Cunha Silva foram presos em julho suspeitos de integrar um suposto esquema de corrupção na realização de obras públicas. O contrato investigado tinha o R$29.259.562,44 e foi assinado pela Secretaria da Infraestrutura, Cidades e Habitação com a empresa Prime Construções, em fevereiro de 2019. O objetivo promover obras de manutenção em prédios públicos, como o Palacinho e a Casa Branca, além de obras em rodovias.

A Prime Construções teria sido selecionada sem licitação. O contrato, na época, era de responsabilidade do superintendente de obras da Ageto, Geraldo Pereira da Silva Filho. Após ser escolhida para os serviços, a firma supostamente subcontratou a empresa Proplan, que seria da filha de Geraldo Pereira, para realizar parte dos trabalhos.

Geraldo Filho, inclusive, aparece como parte autora em um processo que a Proplan propôs contra a própria Secretaria da Infraestrutura em fevereiro de 2018, pedindo reconsideração por ser desclassificada de uma licitação. Dois meses depois, ele foi nomeado para o cargo de superintendente de operação e Conservação da Agência Tocantinense de Transporte s e Obras (Ageto).

Geraldo Pereira foi liberado ainda em julho após o fim da prisão temporária e depois foi exonerado pelo governo estadual.

Sabia sobre investigações
A Polícia Civil conseguiu descobrir também que o ex-superintendente ficou sabendo sobre as investigações dois meses antes de ser preso. Na investigação policial há cópias de mensagens enviadas a Geraldo Pereira por outro superintendente da Ageto. O texto é do dia 6 de maio.

A mensagem fala de uma denúncia “no nascedouro” contra Pereira e questiona se teria como resolver o problema. O então superintendente só seria preso junto com a filha no dia 4 de julho, cerca de dois meses após a mensagem, em Minas Gerais.

Geraldo Pereira voltou a ser alvo de investigações em novembro, quando uma nova operação cumpriu mandados de busca contra o ex-superintendente e duas pessoas ligadas a ele: um motorista e um suposto laranja.

A suspeita, neste caso, é de que a fraude estaria na composição do asfalto aplicado em obras pública, que não incluía todos os componentes exigidos no contrato, deixando o produto mais barato e sem a qualidade esperada.

Câmara dos Deputados aprova projeto que abre caminho para privatização da água

13 de dezembro de 2019

Câmara dos Deputados aprovou na noite da quarta o texto-base do projeto que estabelece o marco legal do saneamento básico, abrindo caminho para a exploração do serviço pela iniciativa privada. Em resumo, os deputados aprovaram a privatização da água.

Via Brasil 247 em 12/12/2019

A aprovação do texto-base do projeto que estabelece o marco legal do saneamento, por 276 votos a 124, pela Câmara dos Deputados, na noite da quarta-feira [11/12], abre caminho para que a inciativa privada possa atuar livremente no setor e possa cobrar até pela água.

Uma ação de obstrução dos partidos de oposição impediu a aprovação integral do projeto. Ficou para a próxima terça-feira a conclusão da votação dos destaques ao texto-base do projeto.

Um dos principais pontos do projeto é o que estabelece como obrigatória a licitação dos serviços de saneamento, abrindo uma espécie de concorrência entre as empresas privadas e as estatais. Atualmente, os gestores podem optar por celebrar contratos de saneamento diretamente com as estatais, sem a necessidade de licitação.

A aprovação do novo marco legal do saneamento, que prioriza a inciativa privada, provocou forte reação da oposição. “A Câmara aprovou a privatização do saneamento básico no Brasil. Metade dos brasileiros não têm acesso a esgoto e 35 milhões à água tratada. Quem decidirá se o município vai ter saneamento é o potencial de lucro das grandes empresas. E o povo ainda vai sentir no bolso! Votei não”, postou a deputada Sâmia Bomfim (PSOL) nas redes sociais.

Também nas redes sociais, a deputada Erika Kokay (PT) alertou que a provação do projeto irá resultar no aumento das tarifas cobradas junto à população. “CÂMARA FEDERAL DECIDE: Está privatizada a água em todo o território nacional! Votei NÃO a esse retrocesso histórico que vai penalizar, sobretudo, os mais pobres”.

“Parlamentares preparam um grande presente de Natal para o povo brasileiro: a privatização da água. O resultado será: – aumento da tarifa; – desabastecimento; Água é vida, um direito fundamental. Água não é mercadoria, nem pode ficar sob a lógica do lucro!”, completou.

Confiras algumas postagens do Twitter sobre o assunto.

Vídeo: Deputada Carla Zambelli disse que Havan é da filha de Dilma e empresa de fachada para lavar dinheiro

13 de dezembro de 2019

“Quer dizer que é chamar a gente de idiota, né? Estátua da Liberdade com um um símbolo que lembra Cuba”, diz a deputada bolsonarista em frente a uma loja da Havan em Uberlândia no vídeo resgatado por internautas.

Via Revista Fórum em 12/12/2019

Um vídeo que foi resgatado por internautas e viralizou nas redes mostra a deputada federal Carla Zambelli (PSL/SP), líder do movimento Nas Ruas e uma das mais ferrenhas defensoras de Jair Bolsonaro, criando uma fake news ao dizer que as Lojas Havan, que pertencem ao também bolsonarista Luciano Hang, são da “Paulinha”, filha da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT).

“Essa loja é da filha da Dilma, a Paulinha. E eu fico impressionada como os filhos de presidentes no Brasil ficam milionários e se tornam grandes empreendedores”, ironiza a atual deputada, em vídeo que ela identifica como sendo de 26/11 – sem falar o ano –, gravado em uma viagem a Uberlândia, em Minas Gerais.

Zambelli ainda ressalta o fato de ser contraditório o nome da loja com a estátua da liberdade logo à frente: “E o mais interessante disso tudo é chamar Havan, a loja né, com uma estátua da liberdade ao lado. Quer dizer que é chamar a gente de idiota, né? Estátua da Liberdade com um um símbolo que lembra Cuba”, diz.

“Olha para onde está indo seu dinheiro: lavagem de dinheiro”, finaliza a deputada no vídeo.

REDES SOCIAIS


%d blogueiros gostam disto: