Desemprego: Falta trabalho para 27,7 milhões de brasileiros

19 de maio de 2018

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Regiões Norte e Nordeste são os piores números de desemprego no Brasil, assim como negros e pardos e mulheres.

Via Jornal GGN em 18/5/2018

O Brasil atingiu o maior nível de subutilização desde 2012, que nada mais é do que a taxa de desocupação, incluindo desempregados e pessoas que têm potencial de trabalhar, além daqueles que desistiram de buscar emprego. São 27,7 milhões de pessoas que se incluem neste cenário, representando 24,7% da população.

A informação é de relatório do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado na quinta-feira, dia 17/5, que mostram todos os cenários de queda em comparação ao ano passado.

Nestes números, os desempregados representam 13,1% no primeiro trimestre do ano. Já aqueles que o IBGE chama de “desalentados”, que são os que nem buscaram emprego por falta de esperanças, foi de 4,6 milhões de pessoas. E ainda, aqueles que desistiram de buscar trabalho representaram 4,1% do aumento da força de trabalho no Brasil nestes primeiros meses do ano.

De acordo com o IBGE, denomina-se “desalentado” a população que não buscou emprego porque “não conseguia trabalho adequado, ou não tinha experiência ou qualificação, ou era considerado muito jovem ou idosa, ou não havia trabalho na localidade em que residia – e que, se tivesse conseguido trabalho, estaria disponível para assumir a vaga”.

E são parte da chamada “força de trabalho potencial”. Ao todo, foram 19,2% ou 21,5 milhões de pessoas que estão desempregados e que gostariam de trabalharam, mas não procuraram ou não puderam. Para efeito de comparação, no último trimestre do ano passado foram 17,8%.

Também há aqueles que trabalham com jornada inferior a 40 horas semanais e que gostariam de trabalhar em um período maior, denoniminadas pelo IBGE como “subocupação por insuficiência de horas trabalhadas”, atingindo 6,2 milhões de trabalhadores este ano.

Idades, sexo e raça dos desempregados
A chamada “idade de trabalhar” foi considerada para se chegar ao número de 53,6% daqueles que estavam desempregados, e foi uma queda de quase um ponto percentual em relação ao dado anterior. Por outro lado, os maiores níveis de empregabilidade estão entre a faixa etária de 25 e 39 anos (72,3%) e 40 e 59 anos (67,1%).

Se a primeiros olhos verifica-se um cenário positivo para as mulheres, que representam a maioria da população hoje em idade de trabalhar no Brasil, por outro lado a estatística é reversa para elas: entre os que estão trabalhando, 56,5% são homens no Brasil em todas as regiões. A disparidade só é maior no Norte, onde os homens são 60,3% dos que trabalham.

Outro dado chamativo é que 64,2% dos que não tem emprego no país hoje são negros e pardos. Os brancos representam apenas 35,2% da população desocupada.

Regiões Norte e Nordeste com pior cenário
Norte e Nordeste foram as regiões que tiveram os maiores níveis em todos os tipos de subutilização. Os desempregados foram 12,7% no Norte e 15,9% no Nordeste e o estado de Alagoas foi o que teve a maior taxa de desalentados (17%) contra, por exemplo, 0,8% do Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Foram nestes locais que somaram as maiores taxas de subutilização, de modo geral. Para se ter uma ideia, se a média do índice no Brasil chegou a 24,7% da população sem emprego, na Bahia foram 40,5%, no Piauí foram 39,7%, em Alagoas 38,2% e no Maranhão 37,4%.

Também nestas regiões estavam os menores percentuais de empregos com carteira assinada, excluindo o trabalho doméstico. O IBGE contabilizou 59,7% de ofertas no Nordeste e 62,9% no Norte, fazendo com que aumentasse, nessas regiões, o número de trabalhadores por conta própria.

Clique aqui para ler a íntegra do relatório.

Luis Nassif: As instituições que se desmancham no ar

19 de maio de 2018

Luis Nassif em 18/5/2018

A homilia do papa Francisco, ontem [17/5] no Vaticano, é uma catilinária contra o pacto mídia-Justiça na política.

Criam-se condições obscuras para condenar uma pessoa. Esse método é muito usado hoje também na vida civil, na vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado”.
A mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas. Depois chega a justiça, as condena e, no final, se faz um golpe de Estado”.
Essa instrumentalização do povo é também um desprezo pelo povo, porque o transforma em massa. É um elemento que se repete com frequência, desde os primeiros tempos até hoje. O que aconteceu? Fizeram uma lavagem cerebral e mudaram as coisas. E transformaram o povo em massa, que destrói.”
Papa Francisco

O papa só assistiu o início do filme. Quando descobrir o filme completo, nem exorcismo e reza brava para resolver.

O roteiro completo é o seguinte:

PASSO 1 – A BESTA CONTRA AS INSTITUIÇÕES
Cria-se o discurso anticorrupção e de ódio, visando destruir o adversário político. Por ser instrumento de um futuro golpe, o discurso precisa investir contra a Constituição e as prerrogativas dos poderes e impor o chamado direito penal do inimigo, visando despertar a besta que habita a alma dos movimentos de massa.

PASSO 2 – A BESTA CONTRA OS CONCEITOS CIVILIZATÓRIOS
Toda a construção democrática repousa em sistemas de freios e contrapesos, não apenas entre instituições mas intra-instituições. E essa construção é cimentada por princípios doutrinários que estão na base do processo civilizatório. Por isso, o movimento precisa desqualificar, igualmente, o conhecimento jurídico, substituindo pelas platitudes punitivistas de Luís Roberto Barroso e Deltan Dallagnol.

PASSO 3 – A BESTA DESCONSTRÓI AS INSTÂNCIAS DE APELAÇÃO
Depois de provar sangue, a besta não quer voltar para a jaula. Amplia-se a busca da justiça direta, com o atropelo da Constituição e a eliminação sucessiva das instâncias de apelação, cujo clímax é a aprovação da prisão após sentença em segunda instância. Consolida-se mais ainda o direito penal do inimigo, especialmente depois que o STF acaba com o instrumento do habeas corpus.

PASSO 4 – A BESTA ROMPE COM A HIERARQUIA DO SISTEMA DE JUSTIÇA
Ocorre que, no Sistema de Justiça, as instâncias de apelação são um instrumento de controle da base pela hierarquia, na parte positiva impedindo os abusos, na parte negativa se expondo a arreglos políticos.

Em um primeiro momento, a cúpula do Judiciário – em parceria com a mídia – controla o processo. No entanto, a eliminação das instâncias leva, automaticamente, à redução do poder da hierarquia sobre a massa de juízes e procuradores.

Quando se tem uma cúpula do Judiciário dúbia, como o STF (Supremo Tribunal Federal), corporativa ou intimidada, como o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) o quadro desanda e há uma perda total de controle sobre a tropa.

A partir daí, a besta se livra das amarras e todos os abusos são permitidos. E se tem esse espetáculo dantesco do juiz de 1ª instância de Jundiaí investindo contra benefícios concedidos a ex-presidente; a juíza substituta impedindo Prêmio Nobel de visitar Lula; a perseguição implacável do juiz Sérgio Moro a Lula e a perda do pudor, indo se confraternizar com atores políticos estrangeiros beneficiados pelo golpe; juízes, procuradores e delegados alucinados invadindo universidades, tentando impedir debates.

O que se tem, no momento, é o velho Oeste. A tradição imemorial do jagunço brasileiro é incorporada pelo sistema judicial. E passam a explodir justiceiros por todos os cantos, enquanto os xerifes dormitam em algum canto da cadeia e pedem para não serem incomodados.

Mas o jogo não acabou.

PASSO 5 – A BESTA SE VOLTA CONTRA SUAS CHEFIAS
Depois da perda de foro dos políticos, o movimento se volta contra os privilégios dos Ministros e desembargadores dos tribunais superiores, e dos próprios integrantes do Ministério Público, com o movimento para retirar também deles as prerrogativas de foro. A rebelião das massas vai chegando ao ápice.

PASSO 6 – O GRANDE FINAL
O fim da prerrogativa de foro abriu espaço para uma zorra geral e irrestrita. Tornou-se um chá de ipê roxo, que se presta para todas as jogadas. Permite blindar amigos, acelerar punição aos inimigos, sem nenhuma espécie de ordenamento.

O que se tem, agora, é a balbúrdia final, expressa nos seguintes episódios picarescos.

O caso Aécio
Aécio Neves estava prestes a ser julgado pelo STF. Seus advogados sugeriam até que renunciasse ao cargo de Senador, para o caso ser remetido para a 1ª instância e ter o mesmo longo final do mensalão tucano. Aí o Ministro Alexandre Moraes remete o caso para a 1ª instância, livrando Aécio do sacrifício final.

O caso Geraldo Alckmin
O vice-procurador-geral Luciano Maia remete o processo de Geraldo Alckmin, de financiamento de empreiteiras, para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Sâo Paulo. Não viu nenhuma contrapartida do governo Alckmin, apesar das empreiteiras em questão terem conquistado todas as grandes obras do Estado.

Depois de livrar Alckmin, resolveu fechar correndo a porta, denunciando a composição dos TREs como ilegítimas.

O caso Gilmar Mendes
O algoritmo amigo do STF jogou no colo de Gilmar Mendes todo o alto tucanato apanhado pela Lava-Jato: José Serra, Aloysio Nunes, Aécio Neves, Cunha Lima.

Gilmar montou uma estratégia para aparentar isenção. Tentou reduzir a pena de Lula apenas à inabilitação para as eleições. Ou seja, Lula livre, mas sem se candidatar. Com isso reforçaria a imagem do garantista isento, podendo livrar os amigos aplicando o mesmo peso.

Não deu certo. Toca, então, a distribuir HCs para livrar Paulo Preto, o cúmplice do Paulo Preto, visando blindar os chefes de Paulo Preto. Como observou a arguta Maria Cristina Fernandes, do Valor, com esse movimento Gilmar tornou-se o principal cabo eleitoral do PT, ao comprovar a seletividade do direito brasileiro.

A prerrogativa de foro dos procuradores
A brava Raquel “Janot” Dodge foi uma guerreira incansável contra a prerrogativa de foro dos políticos. A onda criada voltou-se contra o próprio MPF.

O próximo passo provavelmente seria os Airton Beneditos da vida – o inacreditável Procurador Federal dos Direitos Humanos de Goiás – denunciando como “subversiva” a própria Raquel, por requerer a revisão da Lei da Anistia. Toca a colocar o pobre Luciano Maia a discursar no STJ contra a perda dos privilégios de foro do MPF.

Ao mesmo tempo, o CNMP tenta enquadrar procuradores falastrões da Lava-Jato, enquanto a ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) defende o que ela chama de “direito de expressão” – o ato de um procurador, com poderes de Estado, fazer proselitismo político nas redes sociais.

PASSO 7 – O FATOR ERNESTO GEISEL
Geisel enfrentou descontrole similar dos porões quando assumiu a presidência da República. A diferença é que os porões da época matavam fisicamente os adversários; os de agora limitam-se a assassinar a imagem pública e a tirar a liberdade dos inimigos. Mas ambos se tornaram poderes autônomos e anárquicos.

Tendo como estrategista militar o irmão Orlando, a estratégia de Geisel para domar a besta foi, primeiro, convalidar a matança, mas com a condição de prestar conta aos chefes.

Depois, foi gradativamente as enquadrando. Na investida final, a reação foi a sucessão de atentados, culminando com o caso Riocentro e a morte da secretária da OAB. Mas, aí, ele já tinha o controle da situação para demitir Sílvio Frota e Hugo Abreu.

O quadro que se tem agora é similar, mas sem Ernesto(s) Geisel(is) no Judiciário e no Ministério Público Federal, e sem OABs, que se tornaram cúmplices do arbítrio do Judiciário.

De qualquer forma, mostra o enguiço institucional desse liberou geral.

Enquanto não for recomposto o poder do Executivo, em mãos firmes, o caos irá se ampliando.

Fernando Haddad: “Minha candidatura não existe. Lula está pronto para reassumir o comando”.

19 de maio de 2018

Haddad visitou Lula ao lado da presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann: “Estamos diante de alguém incomum”.

Em sua primeira visita ao cárcere do ex-presidente em Curitiba, o ex-prefeito de São Paulo e coordenador da campanha de Lula falou sobre diretrizes de um terceiro mandato.

Via RBA em 17/5/2018

Lula está disposto, faz uma hora e meia de esteira por dia. Está muito bem de saúde e mandou dizer que não tem como agradecer a solidariedade. Vi uma pessoa pronta para reassumir o comando do país“, disse o ex-prefeito de São Paulo e coordenador de programa de governo do ex-presidente Fernando Haddad. O petista fez sua primeira visita a Lula, ao lado da senadora e presidenta do PT, Gleisi Hoffmann (PR), desde sua prisão no dia 7 de abril.

Haddad disse que a intenção de sua visita foi de escutar recomendações em relação ao projeto. “Foi uma reiteração. Ele quer um plano de governo ousado, quer fazer mais do que já fez. Está disposto e desejoso de ver o Brasil reverter o quadro atual, de reaver a capacidade de sonhar. Será ousado, na linha do que foram seus vitoriosos governos. Saio animado e convicto que estamos diante de alguém incomum. Ele tem uma disposição incrível para contribuir com o destino do país.”

O ex-prefeito desmentiu ter havido conversas sobre outros planos que não sejam Lula como candidato, inclusive os boatos que envolvem o seu nome. “Minha candidatura não existe. Não tem um petista que duvide da inocência de Lula. Ele está convicto de que vai reverter a condenação. Ele tem convicção de que os próximos recursos terão provimento na Justiça”, disse.

Sobre a aliança com outros partidos, Haddad e Gleisi explicaram que ela existe, o que não impede diferentes candidaturas. “Lula recomendou a manter o debate com demais partidos. Ele quer, inclusive, boas ideias de gente como o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) e de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB). Disse pra ele que pretendo, entre junho e julho, fazer uma viagem aos estados progressistas para incorporar no plano de Lula vitrines estaduais que podem ser nacionalizadas”, disse.

“Formamos uma frente de partidos e temos um manifesto assinado por sete partidos em defesa da democracia”, disse Gleisi. “Estamos em torno de propostas que acreditamos, independente de candidaturas. Os outros partidos têm legitimidade, assim como nós. Mas estamos em um momento diferenciado, o PT, mesmo com toda a perseguição, continua sendo o partido de preferência nacional. Temos o melhor candidato e o mais bem posicionado nas pesquisas. Por que abriríamos mão?”, completou.

Sobre a efetivação da candidatura de Lula, Gleisi disse estar confiante no processo. “Consideramos Lula inocente, não reconhecemos a condenação. Ela é cheia de vícios e não tem crime tipificado. A Ficha Limpa não o impede de ser candidato. Ele tem seus direitos políticos preservados. Vamos registrá-lo, vão questionar o registro, mas ele pode ser candidato e levantar a impugnação até a diplomação. Ele pode estar no processo eleitoral”, afirmou.

“Teremos candidato no primeiro turno, será Lula. Se não for Lula para o segundo, estaremos junto dos outros partidos de esquerda. Hoje, Lula me disse claramente que temos que parar de falar em indulto. Indulto é para culpado e ele está determinado em provar a inocência. Além disso, ele está determinado a lutar pelo Brasil”, concluiu Gleisi.

Retirada de benefícios
Como ex-presidente, Lula tem os benefícios de quatro servidores para segurança e apoio pessoal. Hoje, após pedido do movimento ultraconservador de extrema-direita Movimento Brasil Livre (MBL), a Justiça de primeira instância retirou esses direitos. Sobre o tema, o advogado Cristiano Zanin Martins disse que a decisão será revista em instâncias superiores. “Nenhum juiz pode retirar direitos e prerrogativas instituídas por lei a ex-presidentes da República.”

Leia a íntegra da nota da defesa de Lula.

O ex-presidente Lula não foi intimado de decisão com esse conteúdo, que causa bastante perplexidade já que todos os ex-presidentes da República, por força de lei (Lei nº 7.474/86) têm direito a “quatro servidores, para segurança e apoio pessoal”. Mesmo diante da momentânea privação da liberdade, baseada em decisão injusta e não definitiva, Lula necessita do apoio pessoal que lhe é assegurado por lei e por isso a decisão será impugnada pelos recursos cabíveis, com a expectativa de que ela seja revertida o mais breve possível.
Nenhum juiz pode retirar direitos e prerrogativas instituídas por lei a ex-presidentes da República. Conforme parecer dos renomados Professores Lenio Luiz Streeck e André Karam Trindade (4/05/2018) sobre a matéria, essas prerrogativas são “vitalícias e não comportam qualquer tipo de exceção”.
Ainda segundo esses juristas, “A existência das referidas prerrogativas, na verdade, decorre de um triplo aspecto: um, preservar a honra e o ‘status’ digno de um ex-ocupante do cargo máximo da nação; dois, quiçá ainda mais relevante, assegurar a independência necessária para o pleno exercício de suas funções de governo, com certeza de que, após o término do mandato, terá segurança e assessoria pessoais garantidas de maneira incondicional; três, contribuir para evitar o ostracismo e, com isso, induzir à alternância ao poder”.
A ação em que foi proferida essa decisão tem manifesto caráter político, já que promovida por integrantes de movimento antagônico a Lula e com o claro objetivo de prejudicar sua honra e sua dignidade.
Lula teve todos os seus bens e recursos bloqueados por decisões proferidas pela 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba e pela 1ª Vara de Execuções Fiscais Federais de São Paulo, não dispondo de valores para sua própria subsistência e para a subsistência de sua família e muito menos para exercer a garantia da ampla defesa prevista na Constituição Federal. A decisão agora proferida pela 6ª Vara Federal de Campinas retira de Lula qualquer apoio pessoal que a lei lhe assegura na condição de ex-presidente da República, deixando ainda mais evidente que ele é vítima de “lawfare”, que consiste no mau uso e no abuso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política.
Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins

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Papa Francisco explica como se faz um golpe

19 de maio de 2018

PAPA CRITICA INTRIGAS DA MÍDIA E AÇÕES DA JUSTIÇA QUE CULMINAM EM GOLPES DE ESTADO
Em homilia durante missa no Vaticano, Francisco condena métodos em que dirigentes instrumentalizam o povo, a mídia espalha a difamação, a Justiça condena. E no final “se faz um golpe de Estado”.

Via RBA em 17/5/2018

Em missa na quinta-feira, dia 17/5, no Vaticano, o papa Francisco, durante a homilia, criticou a utilização do método da intriga para dividir o povo, na vida civil e na política. “Criam-se condições obscuras” para condenar a pessoa, explicou, e depois a unidade se desfaz. Um método com o qual perseguiram Jesus, Paulo, Estevão e todos os mártires, e muito usado ainda hoje.

Sem citar o Brasil, ou outros países com passado recente de mudanças de governo por meio de mecanismos de exceção, Francisco afirmou que primeiro “a mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas. Depois chega a Justiça, as condena e, no final, se faz um golpe de Estado”.

Francisco lembrou a história do apóstolo Paulo, contra quem o povo grita sem nem mesmo saber o que está dizendo, com “os dirigentes” sugerindo o que gritar. “Esta instrumentalização do povo é também um desprezo pelo povo, porque o transforma em massa. É um elemento que se repete com frequência, desde os primeiros tempos até hoje. Pensemos nisso.”

Ele comparou com as intrigas que semeiam a divisão também nas comunidades paroquiais, “quando dois ou três começam a criticar o outro. E começam a falar mal daquele outro…”, e afirmou que “a fofoca é uma atitude assassina, porque mata, exclui as pessoas, destrói a reputação”.

Com informações do Vatican News. Assista a um trecho:

O escândalo das relações entre doleiros e endinheirados

19 de maio de 2018

Ronaldo, menino-propaganda de Aécio.

Rede de doleiros presos no início do mês compõe um sistema financeiro paralelo, de dinheiro sujo, para que figurões e seus aspirantes façam negócios.

André Barrocal, via CartaCapital em 18/5/2018

O fim da escravidão no Brasil fez aniversário dia 13. Em 130 anos, o País tornou-se a oitava maior economia do mundo e a décima mais desigual. Quem ganhou R$10 mil por mês no ano passado faz parte dos 10% mais ricos. Renda acima de R$27 mil bota a pessoa no clube do 1%.

Os endinheirados são a “elite“ dirigente nacional, a casa-grande responsável pela abolição da escravatura por aqui ter sido a última nas Américas, embora muitos deles se sintam “classe média”. Ao serem eleitos, os atuais prefeitos, governadores, senadores, deputados estaduais e federais tinham patrimônio médio de R$1,2 milhão.

Joaquim Barbosa, o ex-juiz negro, pensou em disputar o poder em outubro, mas acaba de desistir e, sem usar a palavra, culpou a “elite”. “Não acredito que esta eleição vá mudar o País. O Brasil tem problemas estruturais gravíssimos, sociológicos, históricos, culturais e econômicos.

É um país que tem um histórico de dificuldades imensas para assimilar relações econômicas saudáveis”, disse ao Valor.

A prisão de dezenas de doleiros no início do mês é uma história cheia de pistas de que as relações econômicas realmente não são nada saudáveis, graças a figurões, empresários, artistas, esportistas, a “elite” em suma, todos juntos, de forma cínica ou ingênua, com aqueles que seriam os corruptos por excelência, os políticos.

O mais escandaloso naquilo que começa a vir à tona é a normalidade, uma aparente rotina entre endinheirados. Daí a dúvida: será que as investigações irão até o fim ou vão terminar como no caso Banestado? Juízes, procuradores e policiais federais pertencem ao clube do 1%, com seus salários de marajás, seus círculos de amizades, seus hábitos culturais.

Ou será que os justiceiros centrarão fogo somente nos vilões nacionais, os políticos? Ao levar o caso ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, que autorizou enjaular os doleiros, a força-tarefa da Operação Lava-Jato no Rio tratou tudo como se fosse um esquema montado por Sérgio Cabral, do MDB, ex-governador do estado. É bem mais do que isso, embora Cabral seja a origem do arrastão.

Cabral é um ex-jornalista da alta roda carioca, filho de pai homônimo que no passado foi um famoso crítico musical. Está preso desde novembro de 2016. As condenações que recebeu por falcatruas superam 100 anos de cadeia.

Recebeu tamanhas punições, pois suas tramoias eram dignas de tanto. Suas safadezas movimentaram tanta grana, que os doleiros que o ajudavam, os irmãos Renato e Marcelo Chebar, tiveram de pedir ajuda a outros especialistas no ramo da picaretagem cambial, Vinicius Claret, o Juca Bala, e Claudio Barboza, o Tony. Delatados pelos Chebar, Juca Bala e Tony foram presos, em março de 2017, no Uruguai e converteram-se em alcaguetes.

Suas confissões mostram que Juca e Tony casavam interesses escusos. O noivo era alguém que, por exemplo, ganhou reais ao não pagar imposto e precisava escondê-los em dólar no exterior. A noiva era um detentor das verdinhas que queria reais para subornar político, entre outras.

Um retrato do que diz o juiz Fausto de Sanctis, especialista em combate à evasão de divisas e lavagem de dinheiro: “Há uma simbiose entre corrupção, sonegação fiscal, lavagem, offshores e paraísos fiscais e, quanto maior a fiscalização, melhor será a utilização de mecanismos que não deixam rastros, como a utilização de dinheiro em espécie”.

Juca e Tony não deram só o nome dos doleiros comparsas. Entregaram os dois sistemas que a dupla tinha criado, o ST e o Bankdrop, para controlar os negócios eletronicamente do Uruguai, onde moravam desde o caso Banestado.

O que emerge dos relatos e das provas é um sistema financeiro paralelo, de giro diário de R$1 milhão entre 2010 e 2016. Um total de US$1,6 bilhão (R$5,6 bilhões) a passear por 52 países.

Dono de carro blindado é o policial civil aposentado David Sampaio, relacionado com Picciani. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/AgBr.

Entre os dedurados estão os gêmeos Roberto e Marcelo Rzezinski, com quem os alcaguetes negociavam desde a década de 1990. Os irmãos eram, sobretudo, vendedores de dólares. Apontavam contas no exterior para depósito e recebiam reais no Brasil. Com eles, as transações eram sempre polpudas, de 100 mil a 800 mil verdinhas.

Nos sistemas ST e Bankdrop, tinham o codinome “Pedra”. Os sistemas revelam, por exemplo, que os Rzezinski receberam US$250 mil no Bank of America de Nova Iorque em 6 de novembro de 2009. O pagamento a eles em reais costumava ser em espécie, em dois locais. O Shopping Le Monde, na Barra da Tijuca, e o Hotel Sheraton do mesmo bairro.

A quebra do sigilo telemático (telefônico e internético) dos irmãos achou uma prova de que Roberto possui uma unidade no hotel, a 0109 do Bloco 1. Com a grana viva que obtinham, os Rzezinski faziam chegar a um político do PMDB possivelmente propina.

O Coaf, unidade de inteligência financeira do governo federal, pegou movimentações bancárias estranhas dos Rzezinski. Não está claro se o órgão viu isso no momento em que elas aconteceram e tomou alguma providência ou se produziu um relatório somente agora, a pedido da Justiça.

De qualquer modo, o relatório com os investigadores informa que, entre 4 e 15 de setembro de 2009, uma conta no Banco Safra de uma empresa da qual Roberto é sócio apresentou “operações financeiras consideradas suspeitas”, vários depósitos cash, acima de 50 mil cada, a somar meio milhão de reais.

A conta pertence à Empresa Brasileira de Distribuição de Ingressos. Um dos sócios de Roberto na firma é, ao menos era na época, Luciano Huck, o apresentador global e tucano que Fernando Henrique Cardoso queria ver candidato a presidente no lugar de Geraldo Alckmin.

No fim de 2017, Huck mergulhou em um projeto de fabricação de candidatos para as eleições de 2018, o Renova Brasil, chateado com a política e a corrupção. Em entrevista no Domingão do Faustão, em janeiro, esculhambou as duas.

Deve estar arrependido de ostentar a amizade com o senador Aécio Neves, do PSDB de Minas, para quem fez campanha na última eleição presidencial. Aécio é um mineiro que adora o Rio e não saía de lá quando Cabral era o mandachuva.

Agora está encrencado com a Justiça, devido ao caso JBS/Friboi. Um empresário visto hoje em dia como uma espécie de prestador de serviços clandestinos a Aécio, Alexandre Accioly é, ao menos era em 2009, outro sócio de Roberto Rzezinski e Huck na empresa de ingressos.

Accioly é investigado em uma das frentes abertas contra Cabral e já teve de depor à Polícia Federal. Sua relação com Roberto é citada pelos investigadores no pedido de prisões enviado a Bretas. Accioly é dono de uma rede de academias no Rio, a Bodytech.

Entre os sócios da rede está o Banco BTG, de André Esteves, preso no fim de 2015, acusado de tentar obstruir as investigações da Lava-Jato, e liberado pelo ministro Teori Zavascki, inclusive de prisão domiciliar.

Outro sócio da Bodytech é o técnico de vôlei Bernardinho. Em 2013, o técnico entrou no PSDB, a pedido de Aécio, que sonhava em tê-lo como cabo eleitoral no Rio em 2014. Em fevereiro de 2017, trocou de partido, agora é do Novo, do banqueiro presidenciável João Amoedo.

Na época, Bernardinho disse à Folha: “O grande problema do Brasil é a falta de liderança. Porque o líder é aquele que não permite transgressões. Nós, hoje, ansiamos por líderes e lamentamos a ausência deles, porque somos o país das transgressões”.

Com seus salários milionários, inclusive no exterior, artistas e esportistas são fontes de dólares para o sistema financeiro paralelo. Um dos doleiros recém-enjaulados, Sérgio Mizrahy, fez negócios com o jogador Emerson Sheik, de carreira internacional e hoje no Corinthians.

Segundo Juca Bala e Tony, quando voltou a jogar no Brasil, Sheik vendeu US$500 mil a Mizrahy, através de uma conta na Ásia, para receber reais aqui e usá-los na compra de um apartamento. Essa operação, de algum modo, passou pelos delatores, daí que está registrada no ST e Bakdrop. Nos sistemas, Mizrahy é chamado de “Mizha”. Em colunas sociais cariocas, de “consultor financeiro”. Pelos investigadores, de “agiota”.

Fornecer reais em espécie em troca de dólares seria a principal atividade dele no sistema financeiro paralelo. Os delatores dizem tê-lo conhecido nos anos 1990. Tony recorreu a ele para obter reais depois de uma factoring, a Zibert Fomento Mercantil, fechar as portas.

Esse tipo de firma é uma das fontes de grana viva para o câmbio negro. Áreas de comércio popular, como a Rua 25 de Março em São Paulo, também, motivo de a PF estar à caça de um doleiro que teve a prisão decretada, Wu-Yu Sheng, chinês que teria fugido para Miami após a Lava-Jato, em 2014.

Padaria seria outra fonte de cash, daí que uma das contas usadas por Mizha para movimentar grana era em nome de uma, a Padaria e Mercearia Maracanã. Um relatório do Coaf aponta um saque de R$100 mil, em espécie, em 17 de agosto de 2012, de uma conta de Mizha no Bradesco.

Temer ao lado de Yunes, receptor de R$10 milhões. Foto: Fábio Guinalz/Fotoarena.

O agiota teria o costume de entregar reais dentro de seu apartamento na Avenida Vieira Souto, 272, em Ipanema. Versão confirmada por um colaborador de Juca Bala e Tony, cuja função era recolher grana e também virou delator, José Carlos Alves Rigaud.

Em 2016, o imóvel teve um festão de aniversário para Mizrahy, a contar com José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-Globo. O agiota, segundo o Ministério Público, “tem vínculo estreito com a Escola de Samba Grande Rio, aparentemente utilizando, inclusive, contas bancárias da própria agremiação para realizar lavagem de dinheiro”.

É a escola do coração dos artistas globais. Um desses, Stepan Nercessian, foi à festa de Mizrahy em 2016. Nercessian enveredou pela política, foi vereador pelo PPS de 2004 a 2010, depois deputado federal até 2014, daí apoiou o impeachment de Dilma Rousseff, a quem certa vez definiu com um trocadilho: “Uma estadista: estadistante de tudo”.

Nem sempre o dinheiro vivo de Mizrahy era entregue no apê de Ipanema. Também “foi coletado no Ibope”, pois o agiota é amigo do fundador do instituto, Carlos Augusto Montenegro, segundo Tony.

Ao contrário de Mizrahy, a principal função de Oswaldo Prado Sanches no sistema financeiro paralelo era arranjar dólares. Sanches, que foi preso e teve negado um habeas corpus para ser solto, botou na praça cerca de US$15,5 milhões entre 2011 e 2016, através de uma conta mantida em Nova Iorque, no banco Morgan Stanley. Onde ele arrumava a moeda de Tio Sam?

No Grupo Bozano, hoje em dia um banco de investimentos do qual é sócio o economista liberal Paulo Guedes, anunciado pelo presidenciável da extrema-direita Jair Bolsonaro, do PSL, como seu ministro da Fazenda, caso seja eleito em outubro. Nas 423 páginas apresentadas ao juiz Bretas pelo Ministério Público, a expressão “grande cliente” aparece só duas vezes, uma delas para se referir ao Bozano.

Marcelo Bretas tratou a ação como se agisse contra um esquema montado por Cabral. Foto: Fernando Frazão/AgBr.

Sanches é diretor do Bozano, grupo com o qual Juca Bala e Tony contaram ter feito negócios desde os anos 1990. O pagamento pelos dólares fornecidos pelo Bozano por intermédio de Sanches era em dinheiro vivo em alguns endereços no Rio. Por exemplo, na Rua Visconde de Ouro Preto, número 5, 10º andar, no bairro de Botafogo.

É o endereço indicado à Receita Federal pela Companhia Bozano, aberta em 1972 e tida como ativa pelo “Leão” desde 2005. Rigaud, o maleiro dos delatores, disse ter ido também à Avenida Rio Branco, no Centro, onde fica o Edifício Banco Bozano Simonsen, prédio batizado com o nome daquela que um dia foi a principal empresa do conglomerado Bozano.

O bilionário patriarca do grupo, Julio Bozano, de 80 anos, participou de privatizações na era FHC, vendeu seu banco ao Santander em 2000 e saiu de cena. Voltou ao mercado financeiro em 2013, em sociedade com outros gestores de grana alheia.

Entre eles, Guedes, que deixou uma empresa que tinha criado, a BR Investimentos, ser incorporada pelo grupo. Desse novo arranjo societário nasceu a Bozano Partners. Sanches foi um dos três participantes da Assembleia-Geral constituidora da Partners.

Esta é uma espécie de guarda-chuva formal da Bozano Investimentos, empresa da qual Guedes é sócio e membro dos comitês executivo e estratégico.

Nos sistemas de Tony e Juca Bala, Sanches tem o codinome “Barbeador”, alusão ao fato de ser de uma empresa cujo nome também é o de espuma de barbear. Ali há registro de um negócio selado com “Barbeador”, em 30 de junho de 2015, no valor de US$250 mil.

Outro peso contra Sanches e o Bozano está na Junta Comercial do Rio. O endereço “Rua Visconde de Ouro Preto, número 5, 10o andar” é o de uma firma de Sanches, a Kadon Empreendimentos, e foi, até julho de 2006, sede das empresas Bozano Shoppings e Bozano Centers.

Como a relação de Guedes com o Bozano começou em 2013 e como as informações obtidas pelos investigadores mostram “Barbeador” a operar com doleiros até 2016, Bolsonaro está na pior, para quem parece disposto a dizer na campanha que é o único candidato honesto. Isso, claro, se as investigações avançarem e não forem seletivas.

Bancos fornecem também cérebros e clientes ao sistema financeiro paralelo. Entre os doleiros presos está Chaaya Moghrabi, atuante em São Paulo e conhecido por Monza. Foi do Banco Safra, “onde conseguiu uma grande carteira de clientes” para o esquema, segundo Tony.

Outro encarcerado é Diego Renzo Candola, o Zorro, ex-Deutsche Bank e ex-Credit Suisse no Brasil, um especialista em abrir contas em paraísos fiscais, como Liechtenstein. Aliás, uma unidade do Bradesco em outro paraíso, Luxemburgo, é citada várias vezes como destino de grana a outro doleiro preso, Richard Otterloo, sócio de um sujeito, Raul Srour, acusado de intermediar propina ao PSDB de São Paulo no caso do “trensalão”.

“As instituições financeiras devem atuar para evitar o resultado ilícito, nos termos do que discorre, por exemplo, a Lei das S/A, sob pena de responderem criminalmente por omissão penalmente relevante, como se autoras e/ou partícipes fossem do crime realizado. Elas têm de ser investigadas quando fluxos ilegais trafegaram por elas”, diz De Sanctis.

Quando não passa por bancos, uma montanha de dinheiro do sistema financeiro paralelo circula pelas ruas do País à luz do dia. É espantoso que as autoridades não tenham descoberto antes ou tenham feito vista grossa, e encarado tudo como algo normal.

Ou a explicação seria outra? Parte da grana da rede de doleiros era levada de um canto a outro do Brasil por uma empresa de transporte de valores do Rio, a Trans Expert. Um dos doleiros presos, Carlos Alberto Braga de Castro, o Algodão, foi tesoureiro dela no passado, e depois montou uma casa de câmbio.

O dono de fato da transportadora, conforme suspeitas mais antigas dos investigadores, é um policial civil aposentado. Bingo! Trata-se de David Augusto Sampaio, um sujeito bem relacionado com o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani, parceirão de Sérgio Cabral.

A Trans Expert levava grana viva em carros de passeio, por exemplo, a Porto Alegre, território de uma família de doleiros que também acaba de ser encarcerada, os Albernaz. A principal atividade dos irmãos Paulo, Antonio e Athos, segundo Juca Bala e Tony, era vender moeda americana no exterior e arrecadar reais aqui, para entregá-los à Odebrecht e esta usar a bufunfa em subornos.

Em outras ocasiões, a verba ia para capital gaúcha a partir de Brasília, pelas mãos de outro doleiro preso, Francisco Araújo Costa Júnior, o Jubra. Os delatores contaram ter sido apresentados a Jubra pelo doleiro Lúcio Funaro, este mais conhecido. Os vínculos entre Porto Alegre, Brasília,

Funaro e doleiros são uma combinação picante para Michel Temer e seu chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, gaúcho. Temer e Padilha foram anfitriões, em 2010, de um jantar no Palácio do Jaburu com Marcelo Odebrecht, do qual surgiram R$10 milhões em doações da empreiteira ao MDB. Um receptor confesso do dinheiro do jantar foi José Yunes, amigo e ex-assessor de Temer.


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