Paulo Moreira Leite: Dilma tem mais a ganhar no horário político

21/08/2014

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Paulo Moreira Leite em seu blog

O início da propaganda política, na terça-feira, dia 19, abre uma etapa decisiva da campanha eleitoral de 2014. A importância do horário político não deriva do excesso de magia da publicidade mas das carências e omissões do jornalismo brasileiro.

Minha opinião é que o horário político irá permitir a Dilma Rousseff ampliar suas intenções de voto. As últimas pesquisas já mostraram que a presidente está em recuperação junto ao eleitorado. Conforme o Datafolha, ela cresceu 6 pontos na avaliação positiva – e diminuiu 6 pontos na negativa. Estes novos números não apareceram nas intenções de voto, o que é estranho mas pode ser compreensível. O mesmo eleitor que passou a reconhecer méritos no seu governo ainda quer mais um tempo para traduzir essa opinião em intenção de voto. Resta ver como essa melhora de avaliação será traduzida nos próximos levantamentos.

Outro aspecto envolve uma espécie de compensação. Não se trata, apenas, de um maior tempo na tevê, o que só costuma ajudar quem tem o que mostrar.

Tratados de forma benigna – para falar o mínimo – pela maioria dos meios de comunicação, a maioria dos candidatos de oposição não deve esperar maiores benefícios a sua imagem em função da propaganda. Há uma certa continuidade entre os dois discursos, mesmo lembrando que são linguagens diferentes. No caso de Dilma, a candidata pode se beneficiar do efeito surpresa, de uma certa novidade. Seu governo não é uma sucessão de maravilhas e pode ser criticado por falhas e defeitos. Mas é, com toda certeza, muito melhor do que o retrato produzido pelos meios de comunicação até aqui.

Não vamos nos iludir. Vivemos num país onde a sociedade não tem direito aos serviços de um jornalismo plural e equilibrado, capaz de respeitar os fatos e retratar a realidade do país de forma isenta. O Brasil está entre as dez maiores economias do mundo, conheceu progressos sociais aplaudidos em toda parte mas tenta-se manter sua população no cativeiro da informação dirigida, da opinião sob encomenda, do pensamento único e da análise unilateral.

Empenhados abertamente em impedir uma quarta vitória consecutiva do bloco Lula-Dilma, que realizou pequenas, quem sabe ínfimas, mas necessárias mudanças numa estrutura de quase cinco séculos, nossos jornais, revistas e emissoras de tevê inverteram a fórmula consagrada no lançamento do Plano Real por um ministro do PSDB. Mostram o que é ruim e escondem o que é bom.

Foi possível assistir a uma amostra da postura padrão de nossas emissoras na entrevista de Dilma Rousseff ontem, ao Jornal Nacional. Num esforço para prestar contas a 55,7 milhões de brasileiros que lhe deram seu voto há quatro anos – desculpe, mas não acho que uma presidente é igual a garota propaganda de marca de sabonete – Dilma ouviu questões quilométricas e foi recriminada porque não dava respostas curtas. Várias vezes teve a palavra cortada pelos entrevistadores, a tal ponto que foi obrigada a continuar uma resposta na pergunta seguinte. Chegou a ser advertida de que deveria guardar tempo porque os jornalistas queriam mudar de assunto antes do programa acabar.

Os brasileiros chegam a campanha presidencial depois de passar os últimos meses sendo ameaçados por uma hiperinflação que deveria vir e não veio, por uma Copa que não deveria ser mas foi, por um desemprego que iria explodir mas permanece entre os menores do mundo. A população não sabe o que aconteceu com o programa Mais Médicos. Não foi informada sobre o avanço de obras de infraestrutura de valor histórico, a começar pela transposição do São Francisco, a Transnordestina.

Ouve falar que é preciso investir em educação mas não teve direito a saber o que é Pronatec nem tem um balanço do ProUni.

O jornalismo em vigor na maioria das emissoras brasileiras mudou o caráter do horário político. Ele oferece, hoje, informações sobre seu país que o noticiário padrão só apresenta de forma distorcida ou simplesmente omite.

É ali que se pode encontrar o contraponto ao pensamento único.

Tenho certeza de que muitos eleitores serão surpreendidos com novidades que irão aparecer durante a propaganda política. Irão descobrir um país que desconheciam.

Muitas pessoas acham o horário político uma chatice insuportável – eu concordo muitas vezes – mas convém lembrar: é só ali que candidatos a governar o país têm direito a palavra sem restrições de qualquer natureza. Seu limite é o tempo, que varia conforme a representatividade eleitoral de cada um, o que é um critério bastante razoável, vamos combinar.

Também é ali que o eleitor exerce direitos que deveriam ser elementares numa escolha democrática: ouvir os candidatos, conhecer suas realizações e propostas, comparar. É, a rigor, uma liberdade com poucos paralelos no mundo, onde a propaganda política deve ser paga, e cada minuto precisa ser comprado como qualquer anuncio comercial – o que assegura ao poder econômico privado um papel determinante sobre o debate político, os rumos da democracia e do futuro dos cidadãos e suas famílias.

Conquista do país após a democratização, a propaganda política é alvo permanente de ataques das próprias emissoras, o que chega a ser espantoso. Elas não têm prejuízo, recebendo uma espécie de indenização pelo dinheiro que, em teoria, iriam de receber caso pudessem explorar aquele horário com propaganda.

Titulares de uma concessão pública, há emissoras que empatam seus ganhos e perdas durante a campanha. Algumas até recebem, como indenização, mais do que teriam direito no mercado – pois jamais seriam capazes de faturar o prejuízo declarado.

Mas não se conformam, o que só revela a dificuldade de conviver num ambiente no qual a população tem o direito de ouvir, sem intermediários, a voz daqueles que são representantes dos poderes soberanos da nação.

Antonio Lassance: Dilma livrou-se bem das joelhadas e mordidas do JN

21/08/2014

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Antonio Lassance

De todos os candidatos que participaram, até o momento, das entrevistas do Jornal Nacional, da Rede Globo, Dilma conseguiu realizar duas façanhas em que os outros falharam: conduziu o debate e dele saiu sem levar para casa qualquer acusação de ter se valido do cargo para beneficiar a si própria ou para ajudar qualquer parente.

Aécio teve que gastar um bom tempo de sua entrevista falando sobre o aeroporto nas terras que eram de seu tio.

Campos abaixou a cabeça com as perguntas sobre a lista de parentes indicados para cargos importantes.

Com Dilma, William Bonner chegou a mendigar: “nós precisamos falar de economia, hein?”, falou com olhos de Gato de Botas do Shrek para suplicar que a candidata mudasse de assunto no meio da resposta sobre saúde.

A candidata saiu-se bem ao repetir os mantras que já viraram bons carimbos contra os adversários, como o do “engavetador geral da República” e o do “enfrentamos a crise sem gerar desemprego e arrocho salarial”.

Mas Dilma poderia ter se saído melhor na pergunta sobre o “mensalão”.

Presidente da República pode e deve eximir-se de criticar o Judiciário, mas deve externar claramente qual é sua noção de justiça e, principalmente, o que entende por isonomia.

O mantra do “[eu] respeito a decisão do Supremo” deveria vir acompanhado de um desejo sincero de que o mesmo rigor usado no processo da AP 470 tivesse sido empregado em outros casos, independentemente do partido.

Como candidata, poderia ajudar a esclarecer a opinião pública quanto ao fato de que boa parte da birra do PT com esse julgamento é a de que ele foi um ponto fora da curva.

Estão aí o mensalão do PSDB e o do DEM para comprovar. Essas denúncias ficam por aí, pulando de galho em galho e esperando alguém para, finalmente, quebrar um galhão e esconder tudo no fundo de um a gaveta – como vinha acontecendo no caso do Metrô de São Paulo, descaradamente, a ponto de irritar a Justiça da Suíça que investigou o assunto e evidenciou crimes.

Confrontado com o mensalão do PSDB, Aécio usou, com um sorriso no rosto, a falta de condenação a Azeredo, Pimenta da Veiga e Cia Ltda. como se isso fosse atestado de bons antecedentes.

O candidato do PSDB transformou impunidade em salvo-conduto. Isso pode?

Se a ideia de Dilma é repetir o que ela mesma já disse sobre o assunto, ainda falta uma frase: a de que a AP 470 não pode entrar para a história como um julgamento que teve “dois pesos e umas 19 medidas”.

Trensalão tucano: José Serra é intimado pela PF a depor sobre cartel de trens em São Paulo

21/08/2014

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A Polícia Federal quer entender se o ex-governador, hoje candidato ao Senado pelo PSDB, favoreceu multinacionais.

Via CartaCapital

O ex-governador de São Paulo e candidato a senador pelo mesmo estado, José Serra (PSDB), foi intimado pela Polícia Federal a depor sobre os contatos que manteve com as empresas ligadas ao cartel do Metrô paulista. O cartel aconteceu entre os anos de 1998 e 2008, período que coincidiu com o mandato de Serra como governador (2007 a 2010). A informação é do jornal Folha de S.Paulo.

A PF quer descobrir se Serra facilitou de forma irregular a atuação das empresas Alstom e CAF. A denúncia de cartel partiu da empresa da multinacional Siemens, como parte do acordo de leniência no qual a empresa assumiu ter participado de arranjos anticompetitivos em licitações de trens e Metrô no estado. O cartel teria superfaturado 11 licitações no valor de R$2,8 bilhões, gerando R$850 milhões de prejuízo aos cofres públicos. Segundo o inquérito da PF conduzido pelo delegado Milton Fornazari Júnior, 3 das 11 licitações teriam ocorrido no governo de Serra.

Além de José Serra, outras 44 pessoas serão ouvidas, entre elas o ex-secretário dos Transportes Metropolitanos José Luiz Portella, o atual presidente da CPTM Mário Bandeira e o ex-presidente do Metrô Sérgio Avelleda. Segundo informa a Folha, o depoimento de Serra está marcado para o dia 7 de outubro, dois dias após o primeiro turno das eleições.

O jornal ainda informa que a assessoria de Serra disse “estranhar muito a inclusão do nome dele nesse inquérito às vésperas da eleição sobretudo depois que o Ministério Público Estadual, e até o procurador-geral de Justiça, arquivaram a mesma investigação” e que o vazamento do documento da convocação de Serra para depor teria motivação política.

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Marina, a desagregadora, faz sua primeira vítima

21/08/2014

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Marina impõe condições e relação PSB-Rede tem sinais de irritação no pós-Campos. Acordo prevê que ex-senadora deixe partido mesmo se eleita e que não suba em palanques de estados nos quais não concorda com alianças. “Marina é candidata da Rede com o apoio do PSB”, ironiza deputado.

Hylda Cavalcanti, via Rede Brasil Atual

A reunião para oficializar Marina Silva como substituta de Eduardo Campos serviu para tornar públicas as dificuldades de conciliação para que a ex-ministra seja a candidata do PSB à Presidência da República. O grupo de Marina manteve durante a negociação em Brasília as condições que ao longo dos últimos meses irritaram muitos integrantes da sigla, na qual está alojada temporariamente, à espera de que sua Rede Sustentabilidade consiga o número necessário de assinaturas para ser reconhecida pela Justiça Eleitoral. As imposições fizeram com que o debate, na Fundação João Mangabeira, se arrastasse ao longo de toda a tarde, em alguns momentos em salas separadas. Só no começo da noite saiu o anúncio oficial sobre a nova chapa, que deve ser registrada até sábado (23).

A relação com a Rede foi um dos pontos de honra da negociação: segundo informações de bastidores, ficou acertado previamente, antes do início da reunião, que, caso Marina Silva seja eleita, não precisará permanecer no PSB.

Em outra questão fundamental, Marina disse a integrantes do grupo de Campos que manterá os acordos regionais costurados pelo político, morto na semana passada em acidente aéreo, mas que não mudará as imposições feitas por ela ao PSB. A principal questão diz respeito à presença da ex-senadora em palanques de estados nos quais não gostaria de fazer campanha. Entre os casos está São Paulo, onde Marina discorda da aliança com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tem como vice um dos principais líderes dos socialistas, o deputado federal Márcio França. Nestes casos, ficou acertado que a presença do partido será garantida pelo vice na chapa presidencial, o deputado federal Beto Albuquerque (RS).

Partiu de França uma das ironias quanto à postura do grupo da ex-senadora. “Marina Silva é candidata da Rede com o apoio do PSB”, ironizou. O deputado deu a entender que, diante do acordo fechado para a reconstrução de uma candidatura própria após o falecimento de Eduardo Campos, essa foi a solução possível.

“Ela é uma candidata da Rede com apoio do PSB e nós sempre deixamos isso claro desde o início. Não tem problema, pois o PSB incorporou os militantes da Rede. Faz parte. Assim como não tem problema em ela montar sua equipe de campanha com pessoas da sua confiança”, acrescentou o deputado.

Marina exigiu que integrantes de seu grupo de confiança, como o do ex-tucano Walter Feldman, que foi secretário da Casa Civil de Mario Covas, de quem Alckmin foi vice. O deputado, porta-voz da Rede, deve assumir função de coordenação, e outros integrantes do grupo da ex-senadora devem lidar com a parte financeira.

“Ficou definido que não haverá desconforto. Marina não fará tudo o que já não iria fazer”, acrescentou o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, ao explicar que, conforme o que ficou acordado na reunião, a ex-senadora mantém o que tinha sido acertado anteriormente com Eduardo Campos.

“O que se exige”

Já Beto Albuquerque, numa tentativa de demonstrar pacificação de ânimos, afirmou que “Marina e Beto não vão fazer o que querem, vão fazer o que o Brasil exige, precisa e que está no nosso programa”. A situação também foi defendida pelo líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg, como normal. “Alianças conjuntas só acontecem quando os candidatos se sentem confortáveis. Marina fará campanha com o partido. Não vamos obrigá-la a fazer algo que ela não se sinta à vontade”, enfatizou.

Alguns encontros tidos como mais delicados para o PSB foram tratados em separado, no início da tarde. Foi o caso, por exemplo, de representantes da coalizão em Santa Catarina, que tem como candidato ao Senado pelo partido o senador Paulo Bornhausen. Filho de Jorge Bornhausen, cacique do antigo PFL e depois do DEM, o nome de Paulo nunca agradou a Marina Silva. Coube a Beto Albuquerque ter longa reunião com ele sobre como ficam as eleições naquele estado após a morte de Eduardo Campos.

Candidata da Rede

Apesar destas questões que estão sendo resolvidas caso a caso, vários socialistas acreditam que a própria forma como está sendo redefinida a chapa do PSB já pode ser considerada uma vitória. Isto porque, dos 14 palanques estaduais articulados pelo ex-governador Eduardo Campos, tinha sido decidido anteriormente que seis não contariam com a participação de Marina Silva. As resistências mais fortes da ex-senadora são as candidaturas estaduais de Geraldo Alckmin, em São Paulo, e de Beto Richa, no Paraná.

“Só o fato de ela não subir no palanque com o Suplicy (senador Eduardo Suplicy), como se cogitava anteriormente, já mostra que houve um consenso, mesmo que não seja o mais perfeito”, ressaltou um ex-governador do partido.

Acordo em Pernambuco

Outra notícia de bastidores é de que, para consolidar Beto Albuquerque como vice-presidente, os integrantes do diretório do PSB em Pernambuco – que são ligados a Campos – também fecharam um acordo com Roberto Amaral e outros membros da cúpula do partido: o de que o diretório nacional passe a contar com um nome que seja pernambucano, para participar diretamente das tomadas de decisão daqui por diante, e manter o comando que vinha sendo traçado no estado pelo ex-governador. Muito provavelmente, este nome é o atual prefeito de Recife, Geraldo Júlio, mas isso ainda não foi confirmado.

Também tem sido bastante abordada nos últimos dias a necessidade de Marina Silva passar a ter liberdade para conversar melhor nos estados que a apoiam com mais intensidade do que apoiariam a candidatura de Campos. “Ela precisa transitar de forma mais ampla que dentro dos acordos regionais”, colocou o deputado Alfredo Sirkis (RJ). Segundo ele, é importante que a ex-senadora passe a observar e tratar de situações diferentes em estados onde tenha potencial de crescimento junto ao eleitorado, como é o caso do Rio de Janeiro.

O nazilacerdismo de Arnaldo Jabor

20/08/2014

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Miguel do Rosário em seu O Cafezinho

Na terça-feira (19), o dia começou difícil por causa do veneno injetado por Arnaldo Jabor no debate público. Rasgando fantasias democráticas, ele faz um discurso abertamente golpista, com uma defesa enfática da violência política.

Ele diz que não se trata de uma eleição comum, mas de um embate entre democratas e não-democratas. Igualzinho ao que falavam os golpistas de 64. Alguém deveria lembrar a Jabor que a empresa para a qual ele trabalha pediu desculpas por apoiar o golpe de 64. Ora, pediu desculpas e, no ano em que se completam 50 anos do golpe, volta a criminalizar a política exatamente como fez em 1964?

Há tempos que Jabor é golpista. Afinal, esta é a característica política mais profunda, arraigada e orgânica da Globo, e ele é âncora do Jornal da Globo, comentarista da CBN e colunista mondo cane do Segundo Caderno.

Jabor é o porta-voz da Globo, assim como Reinaldo Azevedo é da Veja.

Dois Black Blocs da direita. Com todo o respeito aos Black Blocs, que são cordeirinhos perto dessas raposas.

O caso de Jabor, no entanto, me parece o mais grave, o mais patológico. Seu artigo de hoje [20/8] é um caso psiquiátrico de imaturidade própria de bilionários golpistas de terceiro mundo. Jabor quer reviver o lacerdismo, mas lhe falta a autenticidade de Carlos Lacerda, que nunca negou a política. Lacerda filiou-se a um partido, disputou eleição e depois cometeu o erro, trágico para ele mesmo, de apoiar o golpe de 64.

Recentemente, em entrevista para o programa de Nassif na TV Brasil, o professor Wanderley Guilherme falou um pouco sobre Lacerda. Observou que o jornalista e político não era movido por ódio. O lacerdismo original tinha paixão, não ódio. Lacerda não era apenas um clown de segundo caderno. Foi governador, construiu escolas, fez túneis, articulava-se politicamente. Tinha seu próprio jornal. Não era lacaio de nenhum barão da mídia.

Seu erro foi mergulhar de cabeça na onda de fascismo midiático que se alevantou. Dava entrevistas nas quais falava todo o tipo de mentira e grosserias contra o governo João Goulart. Lembro de uma, que li num microfilme da Biblioteca Nacional, em que Lacerda afirma que Goulart preparava um golpe bolchevique em 15 dias. Loucura total. O governo Goulart não preparava nenhum golpe, quanto mais um golpe comunista.

A violência que assistimos hoje de setores midiáticos contra Dilma é a mesma que havia contra Vargas e Jango. Jabor não disfarça o seu golpismo. Ele compara o PT a Jango e emula o discurso golpista de 1963 e 1964.

Fala de Vargas e Brizola, e diz que não precisamos de varguismo e brizolismo.

Precisamos de quê? De Margareth Thatcher? De Ronald Reagan?

O que precisamos hoje é exatamente de Vargas e Brizola. Grandes lideranças políticas, preocupados com o povo e que viveram, no inverno de suas vidas, experiências democráticas vitoriosas para o conjunto dos trabalhadores.

Ele fala em “desastre econômico”, o que nos faz voltar à guerra da informação. Ora, não há desastre econômico nenhum.

O governo FHC, que Jabor louva tanto, entregou um país quebrado à Lula. A dívida externa parecia impagável. O desemprego galopava. A inflação estava várias vezes maior que agora. Éramos um país que devia ao FMI, ao Banco Mundial, ao mundo inteiro, e hoje nós temos reservas de quase US$400 bilhões e articulamos a criação de um banco internacional, o banco dos Brics, que é maior que o Bird e o Banco Mundial.

O desemprego é o mais baixo da história. Os salários, os mais altos. Nunca houve tal quantidade de obras de infraestrutura. Que raio de desastre econômico é esse?

A mídia cria um Brasil paralelo, irreal, onde só acontece o que ela quer nos fazer acreditar que acontece.

Eu moro numa rua centenária e decadente do centro do Rio. Até pouco tempo, mesmo sendo otimista em relação ao Brasil, não botava muita fé nos destinos dessa parte do centro. De um ano para cá, todavia, iniciou-se a construção de seis hotéis em minha rua. Seis hotéis! Com empresas boas, do ramo. O projeto mais próximo do meu prédio é um Íbis.

Considerando o quarteirão, são dezenas de obras, um barulho infernal que inferniza minhas manhãs outrora tranquilas. Essa é a “crise que vivemos”.

Saí para dar uma caminhada hoje, e não parava de ouvir barulho de obras. O bairro inteiro está se transformando rapidamente.

De uns anos para cá, surgiram dezenas, centenas, de novas academias de ginástica no bairro, salões de beleza, praticamente todos os bares reformaram suas instalações, ou foram comprados por novos investidores.

Os anúncios de emprego nas paredes dos bares hoje são comuns e às vezes permanecem lá por semanas.

Ontem [19/9] o Ministério do Trabalho divulgou o resultado do emprego formal até 2013. Confirmamos a teoria de que a geração de empregos novos começa a cair a partir de 2010, junto com a taxa de desemprego, pela razão óbvia de que, com menos desemprego, há menos mão-de-obra ociosa para gerar saldo de vagas.

Mesmo assim, houve um aumento em 2013 sobre o ano anterior, o que reflete a entrada de gente no mercado de trabalho que já tinha desistido de procurar emprego.

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A mídia quer apenas fazer sensacionalismo com os problemas da saúde, mas não mostra os avanços na área. Não há programas médicos respeitáveis em nossa mídia, apesar de que, atualmente, a informação é fundamental para se prever inúmeras doenças. O Ministério da Saúde, e as secretárias estaduais, apenas conseguem veicular propagandas essenciais pagando preços cheios das tabelas de publicidade.

Na entrevista de Dilma no Jornal Nacional, o ponto que eu mais gostei foi quando ela fala de saúde pública. Num momento de interrupção de sua fala por Bonner, a Dilma lembra do sistema público de ambulância, o Samu, implantado nacionalmente pelo governo federal, ainda na gestão Lula.

Dilma mencionou o Samu atropeladamente, porque os entrevistadores não a deixavam falar. Ela conseguiu falar, porém, do Mais Médicos. Poderia ter falado também do Brasil Sorridente.

Na minutagem, registrou-se que Bonner ocupou mais de 40% do tempo da entrevista, interrompendo e atacando a presidenta.

Ele e Poeta foram grosseiros com todos os candidatos. Mas com Dilma, a postura foi de ódio deliberado, explícito.

A primeira pergunta foi uma tentativa de explorar a principal vitória da mídia contra o PT: o “mensalão”, um problema menor de caixa 2 que foi ampliado para se tornar um grande caso de corrupção.

O maior do Brasil? O maior da história da república?

O julgamento do “mensalão” foi um golpe da mídia.

Não interessa se os juízes foram nomeados pelo PT. Eles se venderam à mídia. Ayres Brito é um caso emblemático. Dias depois de sair da presidência do STF, assinou prefácio do livro de Merval Pereira, o colunista mais engajado na farsa que foi a Ação Penal 470. Em seguida, obteve uma sinecura no Instituto Innovare, que pertence à Globo.

Sobre Joaquim Barbosa, sem comentários. Melhor virar essa página.

O “mensalão” foi uma jogada genial da mídia, porque gerou um tensionamento que radicalizou o debate. Os partidos envolvidos foram emparedados pelo moralismo midiático, pela lógica de linchamento, pelo sensacionalismo fascista.

A mídia promoveu uma injustiça e agora tenta faturar com as manifestações de protesto contra as arbitrariedades cometidas.

Mas Dilma se saiu bem, ao se eximir de fazer qualquer comentário, pois qualquer coisa que dissesse seria usada contra ela.

“Tenho minhas próprias opiniões, mas enquanto for presidente, não falarei nada”, defendeu-se.

À presidenta cabe evitar conflito entre Executivo e Judiciário.

A agressividade quase descontrolada dos entrevistadores soou risível. Não é a primeira vez que Bonner age como cão raivoso diante de Dilma Rousseff.

Dilma cresce sempre que é atacada diretamente.

A raiva hidrófoba de Bonner é a mesma que vemos em âncoras de extrema-direita de tevês fechadas nos Estados Unidos, que dão suas opiniões na Fox e concorrem a cargos políticos pelo partido republicano. Mas que não entrevistam presidentes.

Sobre os programas que tiveram início hoje, evitarei comentários sobre os de Eduardo Campos e Aécio. Sobre o primeiro, por respeito à tragédia. Sobre o segundo, porque é ruim demais. Se o PSDB ganhar, será com a força da Globo, não com a de seu marketing, pesado, opressivo, apresentando um Aécio esquisitão, olhando o nada. Bem o tipo do qual esperaríamos a implementação de medidas “impopulares”.

O de Dilma reflete um equilíbrio bem mais rico, mais delicado, entre conteúdo e emoção, política e marketing, do que em 2010, provavelmente em virtude de maior atenção da equipe para o debate nas redes sociais.

Entretanto, assistindo todos os programas, dei-me conta de uma coisa. Por que os partidos não têm espaço o ano inteiro nas tevês abertas? Por que as concessões públicas, que recebem bilhões de reais por ano em recursos estatais, não dão espaço para os parlamentos, executivo, judiciário, ministério público, sociedade civil, exporem seus projetos?

É necessário haver oposição, claro, e por isso mesmo cabe lhes outorgar, às forças de oposição, autonomia para criticarem o governo diretamente, sem o intermédio de mídias corrompidas ou ligadas, por laços de família ou comerciais, a ocupantes de cargos políticos.

Aliás, em seu artigo, Jabor fala da aliança do PT com os oligarcas do PMDB nordestino. Hipocrisia pura. Esses oligarcas só têm força porque contam com o apoio da Rede Globo em seus estados. Muitos são donos de canais de tevê que repassam o sinal da Vênus.

Um dos políticos mencionados por Jabor, o senador Romério Jucá, líder do governo até 2012, acaba de abrir seu voto: Aécio Neves. Todos os outros representam setores políticos do conservadorismo aliados aos grandes meios de comunicação. Não me espantaria nada se votassem todos em Aécio. A direita brasileira, por medo do fantasma “bolivariano”, sempre se aproxima da Globo e do PSDB.

Ingrato, esse Jabor. São justamente essas figuras que travam qualquer debate sobre a democratização da mídia, e o fazem porque o status quo lhes beneficia. Eles são donos ou amigos dos donos da mídia em seus estados. São o lobby da Globo no Congresso.

O discurso contra o pessimismo de Dilma, por sua vez, só adquirirá um sentido completo se ele se desdobrar numa crítica à falta de um sistema de informação democrático. Só será compreendido plenamente pela população, se for feito em conjunto com uma convocação para que indivíduos e empresas tenham uma visão crítica da mídia, e procurem formar sua opinião a partir de fontes variadas.

Entretanto, já ficou claro, para qualquer analista econômico, que as profecias estão se auto realizando. O nervosismo eleitoral, a radicalização ideológica natural à polarização, travam decisões de investimento. Momentos de polarização política cobram um preço alto, mas passam.

Também não é difícil prever que, definido o resultado eleitoral, seja qual for, os investimentos privados aumentarão com força, livres da insegurança causada pelo terrorismo político e econômico da mídia.

Compare os programas, para a gente debater no blog.

1º Programa eleitoral de Dilma Rousseff – clique aqui

1º Programa eleitoral de Aécio Neves – clique aqui

1º Programa eleitoral do PSB – clique aqui


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