A indecência de alguns decentes

30/01/2015
Gilmar_Mendes19_Demostenes

Os decentes Gilmar Mendes e Demóstenes Torres.

O brasileiro sente-se inseguro na sua pele. Uma de suas formas de se sentir seguro é afirmar-se decente, muito decente, e mais que isso: só ele é ético, os outros não.

Renato Janine Ribeiro, via Esquerda Caviar

Um dia, no tempo da grande inflação, tomei um táxi, para uma distância relativamente curta. O motorista falou mal de toda a desonestidade que campeava no Brasil. Tinha plena consciência do que acontecia de errado. Todas as suas palavras respiravam uma intensa preocupação com a ética. Quando chegamos a nosso destino, ele pegou a tabela – naquela época o custo era expresso em URVs, ORTNs, unidades de valor que nem mesmo eram a moeda corrente – e fez a conversão num preço que, notei, estava errado. Ele tinha puxado para cima o que eu lhe devia. Não reagi, porque era mais tímido do que hoje, na época havia alguns motoristas agressivos e, afinal, não era tanto dinheiro. Mas fiquei matutando. Por que tanta ênfase na ética, a ponto de ser seu único assunto – e, depois disso, uma conduta tão antiética? Eram dois extremos convivendo na mesma pessoa, ao mesmo tempo.

Penso que aí está uma das chaves para entender nosso país. Vivemos desta contradição.

Não foi à toa que em 1989 o Brasil elegeu um presidente com base só na pregação contra a corrupção – o qual depois seria afastado como corrupto. Na sua campanha não falou em política econômica, mas apenas no combate intransigente aos marajás, funcionários que ganhavam salários excessivamente altos em sua Alagoas. Fernando Collor de Mello se tornou em 1992 o único presidente da República processado e condenado por corrupção, no tribunal competente, no caso o Senado – do qual, ironicamente, ele hoje é membro. Passam-se anos, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, constrói forte fama junto à direita brasileira como paladino da ética. Dá várias capas à revista Veja, que o celebra como exemplo de homem público – até que se descobre que está envolvido em questões eticamente condenáveis e é cassado por seus pares, em 2012, embora ainda hoje não tenha sido condenado na Justiça comum.

A pergunta fica: por que tanta mentira? Explica-se isso apenas por uma propensão pessoal, ou é uma máscara escolhida de propósito?

Minha hipótese é que a identidade brasileira é frágil. O brasileiro sente-se inseguro na sua pele. Uma de suas formas de se sentir seguro é afirmar-se decente, muito decente, e mais que isso: só ele é ético, os outros não. O país não dá certo porque sou o único direito no meio de bandidos.

Talvez seja hora de tomarmos mais cuidado com todos os que se proclamam campeões da decência ou da luta contra a corrupção e o crime. Afinal, sabemos desde Freud que muitas vezes, quando alguém insiste demais num tema, é porque afirma o contrário do que é ou do que acredita. Na verdade, desde o Tartufo de Molière, sabemos que muito puritano é na verdade um devasso enrustido. Da mesma forma, pregadores da decência podem apenas estar mascarando sua desonestidade. Alguns deles não hesitam em mentir – o que, na cena pública, é uma das ações mais antiéticas que se possa cometer. Prestar atenção nos exageros do autoelogio reduz nossas chances de nos enganarmos. Ética não é brincadeira.

Renato Janine Ribeiro é professor titular de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo. Escreve quinzenalmente no caderno PrOA.

Está chegando o dia: Rio Tietê perderá o cheiro ruim até 2015, diz governo

29/01/2015

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Governo diz, ainda, que trecho da capital poderá ter até “peixes mais resistentes”. Para ambientalista, no entanto, única espécie que poderia sobreviver é um peixe que respira com a cabeça fora do rio.

Ricardo Gallo, via Folha de S.Paulo de 19 de setembro de 2012

O governo de SP disse ontem [18/9/2012] que o rio Tietê não terá mais cheiro ruim e poderá ter até peixes em 2015 em toda a região metropolitana, em razão do trabalho de despoluição que está sendo feito.

O Projeto Tietê, iniciado em 1992, está na terceira fase e consiste em ampliar o tratamento e a coleta de esgoto.

Segundo o governo, ao final dessa etapa, haverá “alguma vida aquática” entre Suzano e Pirapora do Bom Jesus, no trecho que corta a capital e onde não há oxigênio.

De acordo com Dilma Pena, presidente da Sabesp, estatal que gerencia o projeto, será possível ver no Tietê “peixes mais resistentes”.

Malu Ribeiro, coordenadora da Rede de Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, discorda. Para ela, o único peixe que pode sobreviver no trecho do Tietê na capital é o caborja, espécie que não depende do oxigênio da água para viver – ele põe a cabeça fora do rio para respirar.

Outros tipos de peixe que chegarem a essa parte do Tietê inevitavelmente morrerão, afirma a ambientalista. A SOS Mata Atlântica é uma das idealizadoras do Projeto Tietê.

Para tirar o mau cheiro do Tietê, o governo de SP quer ampliar o nível de oxigênio do rio, combatendo o despejo de lixo e sujeira.

Em 2015, o índice de coleta de esgoto na Grande São Paulo deverá subir dos atuais 84% para 87% e o de tratamento, de 70% para 84%, segundo a Sabesp, que atua em 32 das 38 cidades da região. Até 2020, o Estado planeja levar a 100% o tratamento e a coleta de esgoto nestes municípios.

O cronograma original era concluir a universalização até 2018. Segundo a Sabesp, o prazo foi estendido para 2020 pela necessidade de contrair financiamentos e firmar contratos com órgãos internacionais. A universalização está prevista na quarta fase do projeto Tietê, depois de 2015.

Ontem, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que, ao concluir o atual mandato, em 2014, deixará contratos de financiamento encaminhados para permitir a execução nos anos seguintes.

A terceira fase do Projeto Tietê custou US$1,8 bilhão, diz.

Panamby
Alckmin vistoriou ontem [18/9/2012] as obras de uma rede que ligará o esgoto de 80 mil moradores, entre os quais o do condomínio de luxo Panamby, além do Real Parque e Vila Andrade (zona oeste), a uma estação de tratamento em Barueri. A conclusão será no primeiro semestre de 2013, segundo o governo.

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Tucanalhas: 20 anos enganando os paulistas.

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29/01/2015

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Luis Nassif

Está no TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) a mais contundente acusação ao governo Geraldo Alckmin pelo descaso com que conduziu a questão da água de São Paulo.

Trata-se da Ação Civil Pública Ambiental, com pedido de tutela antecipada – isto é, de permitir decisões antes do julgamento final – proposta pelo Ministério Público Federal de São Paulo e pelo Ministério Público Estadual.

Não é ainda uma ação de responsabilização civil ou criminal. Por enquanto, é apenas uma iniciativa drástica para enfrentar a mais grave crise hídrica da história do Estado. Mas o acúmulo de provas e evidências levantado não deixará outra alternativa do que responsabilizar respectivamente o governador Geraldo Alckmin, o presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), os dirigentes da Agência Nacional de Água (ANA) e do Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) pela crise hídrica do Estado assim como suas consequências futuras.

Em 6 de agosto de 2004, uma portaria da ANA assegurou dez anos a mais de concessão a Sabesp, definindo as vazões médias mensais de captação para fins de abastecimento urbano da Região Metropolitana de São Paulo e medidas que deveriam ser tomadas para reduzir a vulnerabilidade do sistema Cantareira.

Alckmin_Agua34_MPNenhuma das obras previstas na outorga foi feita. O que se seguiu foi uma gestão de alto risco na Cantareira. A outorga do sistema à Sabesp impôs a obrigatoriedade da observância das chamadas “Curvas de Aversão a Risco” (CAR). Permite definir limites de retirada de água do sistema de forma segura, sem comprometer os 24 meses subsequentes.de forma a manter uma reserva estratégica ou volume mínimo ao final do período hidrológico seco.

Diz a ação: “Se seguidas corretamente, essas regras teriam prevenido o agravamento da crise hídrica no Sistema Cantareira, possibilitando um nível de segurança de 95% podendo chegar a 99%”.

Essas curvas foram elaboradas para uma reserva estratégica de 5% (limite mínimo a ser mantido nos reservatórios) e um cenário hidrológico similar ao do biênio 1953/1954. Correspondem a um nível mínimo de segurança a ser obedecido.

Muitas vezes a ANA autorizou vazões maiores que os “Limites de Vazão da Retirada” determinadas pelas curvas de aversão ao risco.

Para driblar as restrições impostas pela “Curva de Aversão ao Risco”, a ANA e o Daee apelaram para uma metodologia não reconhecida cientificamente, de nome “Banco de Águas”, utilizada apenas no Brasil. Funciona como um banco de horas. Teoricamente, se a Sabesp não retira a quantidade de água autorizada, fica com um “crédito” para ser utilizado a qualquer momento, independentemente da situação das bacias. Além de rejeitar a nova metodologia, os promotores identificaram “gritantes disparidades” entre o tratamento dispensado à Sabesp e à bacia do rio Piracicaba.

Essa jabuticaba metodológica impediu a aplicação da CAR. Pior: desde 2012 a Sabesp e o governo do estado já sabiam dos problemas climáticos. Na época, já se identificava como a pior estiagem registrada desde 1930, com vazão dos afluentes inferior às vazões mínimas registradas em 1953. E nada se fez, em um episódio de irresponsabilidade coletiva.

A Sabesp começou a agir apenas a partir de março de 2014, “de forma insuficiente e tardia”, segundo os promotores. Em 7 de julho de 2014, outra aberração da ANA e do Daee, uma resolução conjunta substituindo as regras e condições previstas na outorga de 2004. Afastaram os Comitês de Bacias e passaram a empalmar, sozinhos, as decisões. As atribuições do Comitê de Bacias são normas constitucionais. Ambos os órgãos alegaram uma crise hídrica – que eles próprios provocaram – para afastar os comitês.

“Paralelamente, foram os dois anos nos quais se obteve os maiores lucros líquidos da história da Companhia e de distribuição de dividendos, valendo observar que, neste período, o Sistema Cantareira foi responsável por 73,2% da receita bruta operacional da empresa, denotando a superexploração daquele sistema produtor que não mais conseguiu se recuperar diante da gravidade do atual evento climático de escassez”, diz a ação.

No seu relatório de gestão de janeiro de 2014, a Sabesp admitia que “todas as estratégias foram adotadas para concomitantemente no intuito de evitar a adoção do rodízio, pelo constrangimento que esta solução causa à população. No entanto, o rodízio deve ser planejado em face da situação crítica de armazenamento de água nos mananciais do sistema Cantareira […] para evitar o colapso de seus mananciais”.

“Todavia”, constata a ação dos MPs, “o rodízio acabou sendo descartado pela alta gerência da Sabesp e pelo GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO (sic, em caixa alta), que, assumindo o risco do colapso de seus mananciais, deixou de adotar medidas de contingências efetivas, restringindo-se apenas a um “programa de incentivo”.

Os links das ações são os seguintes: Ação MPF/MPE Cantareira, Ação Cantareira Liminar e Suspensão da Liminar.

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Alckmin pode não ter solução para a água, mas já tem estratégia de mídia

29/01/2015

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Cíntia Alves, via Jornal GGN

Na manhã de quinta-feira, dia 29/1, o internauta que visitou a página principal do portal da Folha de S.Paulo com alguma dose de crítica, pensou: “Uau, parece que a Folha descobriu a crise de água em São Paulo!”, ao passo em que todos os outros jornais, nos últimos tempos, oscilaram entre amenizar o assunto ou aguardar um ensaio de apagão de energia para por todos os problemas e gestores (os estaduais e o nacional) em um mesmo balaio.

Curiosamente, na mesma quinta-feira, a Folha destaca em sua home um texto assinado por Marcio Aith, subsecretário de Comunicação do governo de São Paulo, capitaneado por Geraldo Alckmin (PSDB). É Aith quem faz na Folha uma crítica à grande imprensa revelando, ao mesmo tempo, a estratégia de mídia a ser adotada por Alckmin – que já está de olho na próxima disputa presidencial – mais à frente.

A estratégia consiste em dizer que Alckmin, diferentemente de outros gestores, descobriu as dificuldades que enfrenta hoje com o colapso dos sistemas Cantareira e Alto Tietê há muito mais tempo que Dilma Rousseff (PT) o fez em relação aos obstáculos com hidrelétricas, ou os governadores Fernando Pimentel (PT) e Pezão (PMDB), com os mananciais de Minas Gerais e Rio de Janeiro, respectivamente.

Alckmin e a Sabesp, segundo Aith, chamam a atenção da população de São Paulo para a grave estiagem provocada pelo mau humor de São Pedro desde janeiro de 2014. O governador e a empresa de saneamento não ficaram inertes face a tragédia anunciada. É injusto, portanto, colocar o governador paulista no mesmo bolo em que está Dilma, Pimentel, Pezão e outros gestores que não se anteciparam aos fatos.

É o que diz o artigo de Aith:

“Nem sempre a imprensa consegue distinguir os fatos que deveria apurar dos argumentos que bailam em torno deles, frequentemente interessados. No caso das crises hídrica e energética, esta Folha, apesar de suas múltiplas vozes, confortou-se com uma ideia fixa: governos federal e estadual são igualmente culpados. Infelizmente, por mais confortável que possa parecer a alguns editorialistas, colunistas e repórteres deste jornal, tal argumento enfrenta o obstáculo de fatos. Há um ano, no dia 27 de janeiro de 2014, um comercial veiculado pela Sabesp informava: ‘O Sistema Cantareira está com o nível mais baixo dos últimos dez anos. A falta de chuvas em dezembro –o menor índice dos últimos 84 anos– agravou o problema, deixando o sistema com apenas 24% da capacidade’.”

E seguiu Aith a citar campanhas da Sabesp, antes de dizer que, um ano depois,

“[…] a dimensão nacional do problema foi escancarada por um apagão elétrico em 11 Estados da Federação e pelo agravamento da crise hídrica em Minas Gerais e no Rio. Ministros e agentes reguladores federais, sem abandonarem o discurso hostil a São Paulo, passaram a exprimir um novo consenso, idêntico ao qual chegou esta Folha: o de que todas as crises e governos cabem num só saco.”

Para o governo Alckmin, tal argumento “deriva de certa covardia jornalística, de grande cinismo, e não resiste aos fatos. Até dezembro de 2013, nenhum estudo meteorológico previu a atual crise, muito menos a sua gravidade.”

Mas desde 2004, quando das discussões sobre a outorga do Cantareira, existem estudos que alertam o governo do Estado sobre a necessidade de reduzir a dependência da Região Metropolitana de São Paulo em relação ao Sistema Cantareira. Era preciso investir em obras para potencializar outros mananciais, a exemplo do que Alckmin só agora planeja fazer com a Billings, ao sabor da crise, no improviso, sendo que o reservatório artificial existe desde a década de 1930 e é alvo de regulamentação e debates ambientais pelo governo estadual ao menos desde a gestão José Serra (PSDB). As obras que o Palácio dos Bandeirantes e a Sabesp conseguiram tirar do papel, com certo atraso, só ficarão prontas entre 2016 e 2018.

Estes fatos – que o GGN aponta com base em reportagens aqui lançadas, bem como opiniões de especialistas consultados ao longo do último ano – não importam, pois, na visão do subsecretário de Alckmin,

“[…] o Estado de São Paulo foi pioneiro no esforço de racionalização do uso da água, adotando o sistema de bônus e ônus antes de qualquer Estado. Interligou sistemas, aumentou a captação do Alto Tietê, do Guarapiranga e do Rio Grande. Iniciou obras estruturais e trouxe inovação – caso das membranas de tratamento da água de reuso, por meio da nanotecnologia. O que fizeram outros no mesmo período?”

Que fizeram Dilma, Pimentel, Pezão, perguntará Alckmin no próximo debate eleitoral.

Aith ainda deixa um recado para a Folha: pegue mais pesado com os gestores que, diferente de Alckmin, estão de braços cruzados.

“Tratar igualmente os desiguais, numa espécie de jornalismo compensatório, agride o fundamento da isenção porque agride a verdade. A imprensa realmente isenta tem o rabo preso com os fatos, o que sempre será do interesse do leitor, do internauta, do telespectador, do ouvinte etc. O governo de São Paulo está fazendo a sua parte. A sua lista de ações é matéria de fato, não de opinião.”

Jogada ensaiada
Marcio Aith, segundo lembrou Luciano Costa Martins (Observatório da Imprensa), fez carreira na própria Folha, “onde chegou a editor de Economia, e foi editor-executivo da revista Veja antes de se tornar coordenador de comunicação da campanha do ex-governador José Serra à Presidência da República em 2010”.

Para Martins, o artigo de Aith na Folha não passa de uma jogada combinada entre o assessor de Alckmin com o jornal dos Frias e um colunista da revista Veja.

“Basicamente, trata-se de uma operação casada, na qual o colunista de Veja ‘levanta a bola’ e o responsável pela comunicação do governo paulista chuta em gol, sob o patrocínio da Folha de S.Paulo. Os dois [Aith e o colunista] criticam a imprensa brasileira por atribuir responsabilidades iguais a Geraldo Alckmin e a Dilma Rousseff pela falta de água, argumentando que o governador paulista vem tomando as medidas necessárias para amenizar o problema, enquanto a presidente estimulou o consumo de energia ao baratear as tarifas em 2012.”

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“Médicos padrão Fifa”: Em São Paulo, mais da metade dos recém-formados em medicina é reprovada na prova do CRM

29/01/2015
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“Médicos padrão Fifa.”

Mesmo reprovados na prova, os doutores podem trabalhar (vixe!) amparados em lei.

Cláudia Collucci, via Folha on-line

Mais da metade (55%) dos recém-formados em medicina no Estado de São Paulo foram reprovados na 3ª edição do exame que se tornou obrigatório para quem deseja atuar em território paulista. É o que mostra resultado do “provão” do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), que será divulgado na quinta-feira, dia 29/1.

Dos 2.891 recém-formados, só 45% acertaram mais de 60% do conteúdo da prova – critério mínimo definido pelo Cremesp. Entre as escolas médicas públicas, o índice de reprovação foi de 33%. Entre as particulares, a taxa foi quase o dobro, 65,1%.

O percentual de reprovados no exame de 2014 é bastante semelhante aos dois anos anteriores, quando o exame se tornou obrigatório, o que confirma a persistência de baixa qualidade do ensino médico.

Do total de inscritos, 468 fizeram cursos de medicina em outros Estados brasileiros. Entre os egressos de escolas privadas, o índice de reprovação foi de 78%. Por força de lei, no entanto, o mau desempenho nessa prova não impede o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM).

A prova foi composta por 120 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas de respostas, e abrangeu as principais áreas da medicina, como clínica médica, pediatria, ginecologia e cirurgia médica.

As médias mais baixas foram obtidas em clínica médica (52%), o que demonstra que os futuros médicos continuam saindo das faculdades sem conhecimento suficiente para a solução de problemas frequentes no cotidiano, como atendimento inicial de vítima de acidente de carro ou de tiro, pneumonia, pancreatite ou pedra na vesícula.

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