Eleições 2014: Os melhores vídeos da ressaca eleitoral

31/10/2014

Via Jornalismo Wando

A ressaca eleitoral foi pesada. A dificuldade em aceitar o resultado das urnas promoveu uma verdadeira pororoca de chorume nas redes sociais.

Tem psolista pedindo impeachment de Alckmin, um governador reeleito no 1º turno com folga. Tem os cidadãos de bem alucinados pedindo impeachment da presidenta Dilma com base nas informações de Veja – o magazine que inventou o boimate e confunde Tolstói com Toy Story. Enfim, o espírito democrático anda mais escasso que água em São Paulo.

E hoje eu trago para vocês uma seleta de bobagens audiovisuais que emergiram do volume morto da campanha eleitoral.

A Deborah Salomão, jornalista, modelo, comentarista política de Facebook e ex-legendete (assistente de palco do Legendários), foi ao YouTube para demonstrar todo o seu apreço pelo sufrágio universal e pelos pobres que ousaram escolher um candidato diferente do dela:

A sinceridade da jornalista espantou algumas pessoas, que acusaram-na – vejam só que absurdo! – de “odiar pobres”. Uma evidente injustiça que Deborah não poderia deixar quieto:

Entenderam? Deborah não odeia pessoas pobres. Os menos escolarizados é que entenderam tudo errado.

A jornalista inclusive exibe com orgulho uma pobre contratada para auxiliá-la na limpeza de casa. Mais do que uma funcionária, Geralda é considerada a mãe de criação de Deborah. Essa terceirização da educação dos filhos nos moldes coloniais é sempre muita bonita. E o resultado é sempre maravilhoso.

Já Danilo Gentili, o humorista do SBT que conta piadas de negros e judeus, mas só pede desculpas pros judeus (desculpa, Sílvio Santos!), antecipou o resultado do TSE e divulgou a vitória de Aécio. De quebra, ainda tirou um baratinho da ex-futura desempregada Dilma:

Danilo_Gentili12_Eleicoes

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Uma fonte quente, quentíssima, quase pelando.

Mas, mesmo após o resultado final, Gentili não perdeu o rebolado e convocou o povo para o impeachment de Dilma. Essa talvez tenha sido a melhor piada da sua carreira:

Essa democracia é chata demais quando nosso candidato não ganha, né, Danilão? (Fonte: Cantareira.)

Mas tem mais traquinagem. Dessa vez vem da Globo News, o canal supostamente mais imparcial e isento da TV brasileira. Mesmo com o PIB nordestino crescendo mais que o triplo da média nacional, nossos iluminados globais teimam em insinuar que o povo da região se vendeu por causa do Bolsa Família.

Diogo Mainardi, o homem que declaradamente não suporta o Brasil, os brasileiros e por isso mora em Veneza, mandou seu singelo recado:

Essa gente escolarizada é de uma categoria impressionante. É curioso notar que os habitantes do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, estados em que Dilma também venceu Aécio, foram poupados dos comentários jocosos desses intelectuais. Por que será?

Mas o vídeo de maior repercussão, sem dúvidas, foi o que mostra a participação de José Sarney na festa da democracia. O coronel maranhense chegou para votar com o adesivo de Dilma colado do peito, mas, no aconchego da urna, acreditando que o voto é secreto, Sarney apertou com força o 45. As imagens não mentem:

Percebam a tranquilidade do velho Sarney. A tranquilidade de quem tem a certeza de que será governista, não importando o resultado. É tucano na cama, mas petralha na sociedade.

Qual terá sido o voto de dr. Paulo Maluf?

Eleições acirraram a luta de classes no país, diz filósofo

31/10/2014

Marcos_Nobre01_Unicamp

Via Folha on-line

“A eleição acirrou a luta de classes. Estamos num momento em que a democracia brasileira tem que se decidir se vai se aprofundar ou se vai continuar patinando. As instituições até agora funcionaram para bloquear a diminuição da desigualdade no país. É a ideia de que todo mundo tem de andar em bloco para que todos fiquem mais ou menos onde estão.”

As ideias são de Marcos Nobre (foto), doutor em Filosofia pela Unicamp. Para ele, as eleições foram “uma guerra em torno da grade de classes do país”: o que está em jogo é a manutenção ou não dessa grade.

Nobre participou na noite de terça-feira, dia 28/10, de debate sobre eleições no 16º Encontro Nacional da Anpof (Associação Nacional de Pós-Graduação de Filosofia) que ocorre nesta semana em Campos do Jordão (SP). Para ele, “as revoltas de junho abriram um horizonte que parecia fechado, e essas eleições já são expressão de que alguma coisa mudou no sistema político”.

Uma das coisas mais extraordinárias de 2014 “é que a direita trocou os blindados do Exército por blindados privados – esses carros enormes, que parecem militares, e que têm o adesivo do Aécio”.

Sua fala arrancou aplausos e risos da plateia (mais de 350 pessoas) que lotou a sala.

“Fico feliz que exista uma direita no Brasil que ache que a rua é dela. É um avanço democrático enorme, mas pode haver formas de convivência na rua menos brutais. A direita descobriu que a rua é dela também em junho de 2013, quando a esquerda também descobriu que pode ter mobilização de massa”, disse.

Alguém perguntou sobre o ódio na eleição: “Estou contente que esse ódio tenha aparecido nesta eleição, porque não aguentava a pasmaceira de antes. É uma coisa que deve ser cultivada. Não devemos recuar de medo, dizendo que isso é muito perigoso. É preciso ver esse ódio como manifestação de uma sociedade que quer aprofundar sua democracia. Redemocratizar demorou 30 e poucos anos; democratizar espero que demore séculos. Mas junho de 2013 foi um bom começo”.

Nobre expôs sua tese sobre o peemedebismo, nome que dá ao bloco conservador no país. Reunindo múltiplas forças políticas e formando um bloco hipermajoritário no Congresso e na sociedade, o peemedebismo surgiu como forma de afastar golpes do início da redemocratização. O processo de impeachment, em 1992, reforçou a ideia da necessidade do blocão, sem oposição forte, para garantir a governabilidade –uma marca do governo FHC.

Para ele, Lula ocupou esse bloco pela esquerda, desidratando a oposição: “O sistema político funciona num grande condomínio peemedebista: é sempre o mesmo bloco, o que muda é o síndico”. Em 2014, porém, a polarização está de volta: “Voltamos a ter pelo menos a disputa, para valer, pelo posto de síndico”.

Você viu o que fizeram com o prefeito Fernando Haddad na Avenida Paulista?

31/10/2014

Via Open.sar

No domingo, dia 26/10, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad chegou caminhando à Avenida Paulista, logo após o anúncio da reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Então uma multidão veio em sua direção… Observe o que aconteceu. Quase mataram ele… de tanto carinho.

Brasil é um dos poucos que diminuíram as diferenças sociais

31/10/2014

Desigualdade02

Via Exame

Enquanto a desigualdade entre ricos e pobres tem sido ampliada na maior parte do planeta, no Brasil tem ocorrido o oposto, apesar de o país continuar entre os mais desiguais do mundo.

É o que aponta o relatório “Equilibre o jogo: É hora de acabar com a desigualdade extrema”, divulgado na quarta-feira, dia 29/10, pela Oxfam – organização não governamental que desenvolve campanhas e programas de combate à pobreza em todo o mundo.

“O Brasil tem apresentado um padrão diferenciado, e está entre os poucos países que estão tendo sucesso em diminuir a diferença entre os mais ricos e os mais pobres”, disse o diretor da Oxfam no Brasil, Simon Ticehurst, à Agência Brasil.

Ele acrescentou que, entre os Brics [bloco que agrega também Rússia, Índia, China e África do Sul], “o Brasil é o único que está conseguindo reduzir a desigualdade. E, dentro do G20, é o que está tendo maior sucesso nessa empreitada, ao lado do México e da Coreia do Sul, que, apesar dos avanços, figuram em um patamar inferior ao do Brasil [no que se refere a diminuição das desigualdades]”.

De acordo com ele, entre os fatores que colocam o país nessa situação estão os programas de transferência de renda como o Bolsa Família, iniciativa que, inclusive, tem sido adotada por outros países, lembra ele.

Além disso, ao promover “aumento constante e um pouco acima da inflação” do salário mínimo, o Brasil protege os setores mais baixos da economia.

O salário mínimo nacional cresceu quase 50% em termos reais, entre 1995 e 2011, e contribuiu para declínio paralelo das situações de pobreza e desigualdade, informou Ticehurst.

Outro ponto favorável, que tem melhorado a situação do país, é a ampliação e melhoria do acesso a serviços básicos públicos, em especial à saúde e à educação.

“Investir em serviços públicos gratuitos é algo essencial para diminuir a distância entre ricos e pobres. Nesse sentido, vale ressaltar que privatizar saúde e educação implica em dificuldades para a ascensão social das pessoas”, argumentou.

Apesar de ter melhorado, nos últimos anos, a distribuição de riquezas, o Brasil continua entre os países mais desiguais do mundo.

“Há ainda muito por fazer”, ressalta Ticehurst, lembrando que “se antes o desafio era universalizar, agora o desafio é dar qualidade a esses serviços”.

“Houve avanços no combate à pobreza e desigualdade, mas para continuar melhorando é necessário aprimorar as políticas sociais e os serviços básicos, principalmente em termos de qualidade. Além disso, é preciso rever a questão tributária e fiscal, de forma a mudar do atual sistema regressivo para um progressivo, no qual quem tem mais contribui mais e quem tem menos contribui menos”.

Aécio e a trapaça com o instituto Veritás: O obscuro mundo das pesquisas eleitorais

31/10/2014

Aecio_Leviano01

Paulo Nogueira, via DCM

Me lembro bem. Me marcou e me deixou intrigado. Duas vezes, nos debates do 2º turno, Aécio disse para Dilma que pesquisas mostravam que em seu estado as coisas tinham virado. Ele afirmou que estava na frente em Minas, onde seu candidato a governador perdeu no 1º turno.

Agora, enfim, está esclarecida minha dúvida.

A pesquisa, do Instituto Veritás, era comprovadamente enganosa. A notícia está no site da Folha, não com destaque. Está escondida. (É outra arma da grande mídia: esconder notícias que não agradam. O Globo escondeu em seu site a informação de que a PF desconfia de motivações eleitorais por trás da alegada afirmação do doleiro de que Dilma e Lula sabiam do caso Petrobras.)

O dono do instituto confirmou para a Folha, bem como o estatístico. A culpa não é do mordomo.

O instituto fez uma pesquisa nacional e os dados de Minas eram fundamentados em entrevistas insuficientes para dar a eles consistência. Isso foi dito à campanha de Aécio, conta a Folha. Mesmo assim, a informação foi usada, e Aécio a esgrimiu contra Dilma nos debates.

No Twitter, ao comentar o assunto, alguém foi preciso. “Aécio, o senhor foi LE-VI-A-NO.”

Ele que parece ter gostado de chamar adversárias de levianas quando o assunto era o aeroporto familiar, não hesitou em usar números sabidamente enganosos.

Este caso mostra o “mar de lama”, para usar uma expressão de Lacerda revivida por Aécio, das pesquisas. Elas têm sido usadas sobretudo para manipular os eleitores mais crédulos e mais suscetíveis de mistificação.

Muita gente, sabe-se, quer “ganhar” a eleição, votar no vencedor. Ao ver um candidato na frente, acaba escolhendo-o.

O instituto Sensus se superou: deu sempre diferenças exuberantes – e falsas — para Aécio no 2º turno. A mídia não se furtou, claro, a divulgar pesquisas anti-Dilma.

A revista Época, por exemplo, anunciou, triunfal, que tinha a primeira pesquisa do 2º turno, feita por um certo instituto do Paraná. Por esse levantamento, Aécio já estava virtualmente eleito.

Há que jogar luzes sobre o obscuro mundo das pesquisas.

Esperar que as grandes empresas de mídia façam isso é impossível, dados os interesses que elas têm em números pretensamente científicos que as ajudem a erguer candidatos de sua preferência, como Aécio.

Mas nós, do DCM, vamos fazer isso. Nosso próximo projeto de crowdfunding será exatamente este: o obscuro universo das pesquisas eleitorais.


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