Leandro Fortes: A marcha dos hipócritas

21/03/2015

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Leandro Fortes, via Sul 21

Primeiro, vamos combinar uma coisa: se você votou em Aécio Neves, nas eleições passadas, você não está preocupado com corrupção.

Você nem liga para isso, admita.

Aécio usou dinheiro público para construir um aeroporto nas terras da família dele e deu a chave do lugar, um patrimônio estadual, para um tio.

Aécio garantiu o repasse de dinheiro público do estado de Minas Gerais, cerca de R$1,2 milhão, a três rádios e um jornal ligados à família dele.

Isso é corrupção.

Então, você que votou em Aécio, pare com essa hipocrisia de que foi às ruas se manifestar porque não aguenta mais corrupção.

É mentira.

Você foi à rua porque, derrotado nas eleições passadas, viu, outra vez, naufragar o modelo de país que 12 anos de governos do PT viraram de cabeça para baixo.

Você foi para a rua porque, classe média remediada, precisa absorver com volúpia o discurso das classes dominantes e, assim, ser aceito por elas.

Você foi para a rua porque você odeia cotas raciais, e não apenas porque elas modificaram a estrutura de entrada no ensino superior ou no serviço público.

Você odeia as cotas raciais porque elas expõem o seu racismo, esse que você só esconde porque tem medo de ser execrado em público ou nas redes sociais. Ou preso.

Você foi para a rua porque, apesar de viver e comer bem, é um analfabeto político nutrido à base de uma ração de ódio, intolerância e veneno editorial administrada por grupos de comunicação que contam com você para se perpetuar como oligopólios.

Foram eles, esses meios de comunicação, emprenhados de dinheiro público desde sempre, que encheram a sua alma de veneno, que tocaram você como gado para a rua, com direito a banda de música e selfies com atores e atrizes de corpo sarado e cabecinha miúda.

Não tem nada a ver com corrupção. Admita. Você nunca deu a mínima para corrupção.

Você votou em Fernando Collor, no PFL, no DEM, no PP, em Maluf, em deputados fisiológicos, em senadores vis, em governadores idem.

Você votou no PSDB a vida toda, mesmo sabendo que Fernando Henrique comprou a reeleição para, então, vender o patrimônio do país a preço de banana.

Ainda assim, você foi para a rua bradar contra a corrupção.

E, para isso, você nem ligou de estar, ombro a ombro, com dementes que defendem o golpe militar, a homofobia, o racismo, a violência contra crianças e animais.

Você foi para a rua com fascistas, nazistas e sociopatas das mais diversas cepas.

Você se lambuzou com eles porque quis, porque não suporta mais as cotas, as bolsas, a mistura social, os pobres nos aeroportos, os negros nas faculdades, as mulheres de cabeça erguida, os gays como pais naturais.

Você odeia esse mundo laico, plural, multigênero, democraticamente caótico, onde a gente invisível passou a ser vista – e vista como gente.

Você foi, não foi, para a rua pedir nada.

Você só foi fingir que odeia a corrupção para esconder o óbvio.

De que você foi para a rua porque, no fundo, você só sabe odiar.

Leandro Fortes é jornalista.

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A camiseta de Caiado é um monumento ao ódio

21/03/2015
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Médico ortopedista e família: a próxima camiseta será com a meia perna de Roberto Carlos?

Kiko Nogueira, via DCM

A crise tem sido um terreno fértil para as estrepolias hediondas de figuras das quais se podia esperar quase tudo, como Aécio, Serra, Aloysio, Eduardo Cunha.

Com o aumento de volume da histeria, especialmente na manifestação de 15 de março, um personagem vem sobrando ainda mais na paisagem: Ronaldo Caiado.

Se Aécio, que alguém já definiu como “O Probo” (rsss), abusa de seus recursos histriônicos para falar em cassação de partidos corruptos – o PSDB fica de fora? – e outras balelas, Caiado consegue ser um pouco mais leviano, como gosta o colega do PSDB.

No dia do protesto anti-Dilma, o senador do DEM por Goiás apareceu na Avenida Paulista com uma camiseta amarela com o slogan “Basta!” e a estampa de uma mão esquerda com quatro dedos suja de petróleo.

A alusão infame à deficiência de Lula é uma espécie de salvo conduto, uma legitimação da cafajestagem, da falta de limites que tem caracterizado esse pessoal. Não só ele, mas toda a sua família estava uniformizada daquela maneira, como se fosse algo totalmente normal. (Alguém sugeriu nas redes sociais que ele fizesse uma série: a segunda com meia perna do Roberto Carlos e daí por diante).

Quer dizer, não é normal para um ser humano, mas o Lula não se encaixa na categoria. Vindo de um médico ortopedista seria ainda mais chocante, não se tratasse de Ronaldo Caiado. Em sua cavalgada, ele não se vexa em compartilhar vídeos e “denúncias” dos Revoltados Online.

Na sexta-feira, dia 20/3, foi para cima do governador goiano Marconi Perillo, seu arqui-inimigo, por causa dos elogios deste a Dilma em visita ao estado. “Se diz estadista, republicano e não oposição. Quer dizer que ele acha o PSDB golpista? Para finalizar, oportunista é o único adjetivo que veste Marconi. Assim como todo político corrupto”, disse.

Ninguém pode acusá-lo, porém, de incoerência. Se os tucanos foram gradativa e firmemente para a direita, Caiado sempre esteve lá, bonitinho. Ficou conhecido no fim dos anos 80 como o grande nome da UDR, a União Democrática Ruralista. Elegeu-se deputado federal pela primeira vez no ano seguinte e então filou-se ao PFL. Em outubro, levou 1,28 milhão de votos.

Em 1989, chegou a disputar a eleição presidencial pelo extinto nanico PSD, quando amealhou 0,68% dos votos. Aparecia na televisão de chapéu, montado num cavalo branco. Desfilou dessa maneira ridícula em Brasília. “Meus inimigos eram… o Lula”, afirma ele, que apoiou Collor e votou contra o impeachment.

Bem, seus adversários ainda são… o Lula. Aos 65 anos, Caiado é a prova viva e contumaz de que a sabedoria não vem com os anos, mas o rancor e a falta de decoro e civilidade podem aumentar exponencialmente, a ponto de o sujeito se vestir com isso e sair por aí.

Moniz Bandeira: EUA promovem desestabilização na América Latina

21/03/2015
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Moniz Bandeira: “EUA promovem desestabilização de democracias na América Latina.”

Lido no Viomundo

O cientista político e historiador Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira denunciou na terça-feira, dia 17/3, que os Estados Unidos, por meio de órgãos como CIA, NSA (Agência Nacional de Segurança) e ONGs a eles vinculadas, continuam na tentativa de desestabilizar governos de esquerda e progressistas da América Latina, como os da Venezuela, Argentina e Brasil.

Em entrevista ao PT na Câmara, por e-mail, Moniz Bandeira disse que “evidentemente há atores, profissionais muito bem pagos, que atuam tanto na Venezuela, Argentina e Brasil, integrantes ou não de ONGs, a serviço da Usaid, National Endowment for Democracy (NED) e outras entidades americanas”, para desestabilizar esses países, com a utilização de instrumentos que incluem protestos de rua.

“As demonstrações de 2013 e as últimas, contra a eleição da presidente Dilma Rousseff, não foram evidentemente espontâneas”, disse o cientista político.

“Os atores, com o suporte externo, fomentam e encorajam a aguda luta de classe no Brasil, intensificada desde que um líder sindical, Lula, foi eleito presidente da República. Os jornais aqui na Alemanha salientaram que a maior parte dos que participaram nas manifestações de domingo, dia 15, era gente da classe média alta para cima, dos endinheirados”, disse Moniz Bandeira, que reside na Alemanha e é autor de vários livros sobre as relações Brasil–EUA.

No caso do Brasil especificamente, citou iniciativas do PT e aliados que contrariam Washington, como a criação do Banco do Brics, uma alternativa ao FMI e ao Banco Mundial e o regime de partilha para o pré-sal, que conferiu papel estratégico à Petrobras, descocando as petroleiras estrangeiras. Ele lembrou também que a presidenta Dilma foi espionada pela NSA e não se alinhou com os EUA em outras questões de política internacional, entre as quais a dos países da América Latina.

Eis a entrevista:

O líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), comentou nas redes sociais que a CIA tem atuado nas tentativas de desestabilização de governos democráticos na América Latina. Como o senhor avalia isso, diante de vários episódios históricos que mostram os EUA por trás da desestabilização de governos de esquerda e progressistas?
Washington há muito tempo está a criar ONGs com o fito de promover demonstrações empreendidas, com recursos canalizados através da Usaid, National Endowment for Democracy (NED) e CIA; Open Society Foundation (OSF), do bilionário George Soros, Freedom House, International Republican Institute (IRI), sob a direção do senador John McCain etc. Elas trabalham diretamente com o setor privado, municípios e cidadãos, como estudantes, recrutados para fazerem cursos nos EUA. Assim o fizeram nos países da Eurásia, onde de 1989 ao ano 2000 foram criadas mais de 500.000, a maioria das quais na Ucrânia. Outras foram organizadas no Oriente Médio para fazer a Primavera Árabe.

A estratégia é aproveitar as contradições domésticas do país, os problemas internos, a fim de agravá-los, gerar turbulência e caos até derrubar o governo sem recorrer a golpes militares. Na Ucrânia, dentro do projeto TechCamp, instrutores, a serviço da Embaixada dos EUA, então chefiada pelo embaixador Geoffrey R. Pyatt, estavam a preparar, desde pelo menos 2012, especialistas, profissionais em guerra de informação e descrédito das instituições do Estado, a usar o potencial revolucionário da mídia moderna – subvencionando a imprensa escrita e falada, tevês e sites na Internet – para a manipulação da opinião pública, e organização de protestos, com o objetivo de subverter a ordem estabelecida no país e derrubar o presidente Viktor Yanukovych as demonstrações contra o presidente Yanukovych, em fevereiro de 2014. Essa estratégia baseia-se nas doutrinas do professor Gene Sharp e de political defiance, i. e., o desafio político, termo usado pelo coronel Robert Helvey, especialista da Joint Military Attache School (JMAS), operada pela Defence Intelligence Agency (DIA), para descrever como derrubar um governo e conquistar o controle das instituições, mediante o planejamento das operações e mobilização popular no ataque às fontes de poder nos países hostis aos interesses e valores do Ocidente (Estados Unidos). Essa estratégia pautou em larga medida a política de regime change, a subversão em outros países, sem golpe militar, incrementada pelo presidente George W. Bush, desde as chamadas “revoluções coloridas” na Europa e Eurásia, assim como na África do Norte e no Oriente Médio. Explico, em detalhes e com provas, como essa estratégia se desenvolve em meu livro A Segunda Guerra Fria, e, no momento estou a pesquisar e escrever outra obra – A desordem mundial – onde aprofundo o estudo do que ocorreu e ocorre em vários países, sobretudo na Ucrânia.

Além da CIA, como os EUA atuam contra os governos de esquerda da América Latina?
Não se trata de uma questão ideológica, mas de governos que não se submetem às diretrizes de Washington. Uma potência mundial, como os EUA, é mais perigosa quando está a perder a hegemonia do que quando expandia seu Império. E o monopólio que adquiriu após a 2ª Guerra Mundial de produzir a moeda internacional de reserva – o dólar – está a ser desafiado pela China, Rússia e também o Brasil, que está associado a esses países na criação do banco internacional de desenvolvimento, como alternativa para o FMI, Banco Mundial etc. Ademais, a presidenta Dilma Rousseff denunciou na ONU a espionagem da NSA, não comprou os aviões-caça dos EUA, mas da Suécia, não entregou o pré-sal às petrolíferas americanas e não se alinhou com os Estados Unidos em outras questões de política internacional, entre as quais a dos países da América Latina.

O governo da Venezuela tem denunciado a participação de Washington em tentativas de golpe. O mesmo poderia estar acontecendo em relação ao Brasil?
Evidentemente há atores, profissionais muito bem pagos, que atuam tanto na Venezuela, Argentina e Brasil, integrantes ou não de ONGs, a serviço da Usaid, National Endowment for Democracy (NED) e outras entidades americanas. Não sem razão o presidente Vladimir Putin determinou que todas as ONGs fossem registradas e indicassem a origem de seus recursos e como são gastos. O Brasil devia fazer algo semelhante. As demonstrações de 2013 e as últimas, contra a eleição da presidente Dilma Rousseff, não foram evidentemente espontâneas. Os atores, com o suporte externo, fomentam e encorajam a aguda luta de classe no Brasil, intensificada desde que um líder sindical, Lula, foi eleito presidente da República. Os jornais aqui na Alemanha salientaram que a maior parte dos que participaram das manifestações de domingo, dia 15, era gente da classe média alta para cima, dos endinheirados.

Que interesses de Washington seriam contrariados, pelo governo do PT, para justificar a participação da CIA e de grupos empresariais de direita, como os irmãos Koch [ramo petroleiro], no financiamento de mobilizações contra Dilma? O pré-sal, por exemplo?
Os interesses são vários como expliquei acima. É muito estranho como começou a Operação Lava-Jato, partir de uma denúncia “premiada”, com ampla participação da imprensa, sem que documentos comprobatórios aparecessem. O grande presidente Getúlio Vargas já havia denunciado, na sua carta-testamento, que “a campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. […] Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculizada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente”.

Como o senhor interpreta o surgimento de grupos de direita no Brasil, com agenda totalmente alinhada aos interesses dos EUA?
Grupos de direita estão no Brasil como em outros países. E despertaram com a crise econômica deflagrada em 2007-2008 e que até hoje permanece, em vários países, como o Brasil, onde irrompeu com mais atraso que na Europa. E a direita sempre foi fomentada pelos interesses de Wall Street e do complexo industrial nos EUA, que é ceivado pela corrupção, e onde a porta giratória – executivos de empresas/secretários do governo – nunca deixa de funcionar, em todas as administrações.

Há, entre os organizadores dos protestos, gente francamente favorável à privatização da Petrobras e das riquezas nacionais, com um evidente complexo de vira-latas diante dos interesses estrangeiros. Como analisar esse movimento à luz da história brasileira? De novo o nacionalismo versus entreguismo?
Está claro que, por trás da Operação Lava-Jato, o objetivo é desmoralizar a Petrobras e as empresas estatais, de modo a criar as condições para privatizá-las. Porém, estou certo de que as Forças Armadas não permitirão, não intervirão no processo político nem há fundamentos para golpe de Estado, mediante impeachment da presidenta Dilma Rousseff, contra a qual não há qualquer prova de corrupção, fraude eleitoral etc., elemento sempre usado na liturgia subversiva das entidades e líderes políticos que a Usaid, NED e outras entidades dos EUA patrocinam.

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Cid Gomes mitou em sua missão suicida

20/03/2015
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Cid Gomes disse, na cara dos deputados da base aliada, o que muitos brasileiros gostariam de ter dito.

Kiko Nogueira, via DCM

Cid Gomes mitou em sua missão suicida na Câmara. Por alguns longos minutos falou o que todo o mundo sabe e pegou de surpresa os que esperavam um ato de contrição.

Gomes fora convocado pelo Legislativo para “explicar” uma declaração dada na Universidade Federal do Pará, numa clara demonstração de intimidação. “Tem lá uns 400 deputados, 300 deputados que quanto pior melhor para eles”, contou numa palestra. “Eles querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais dele, aprovarem as emendas impositivas”.

Em vez de desculpas, partiu para cima. Saiu do plenário já demitido, depois de um massacre que culminou com Sérgio Zveiter (do PSD/RJ, que se livrou de uma ação por abuso de poder econômico e utilização indevida de meios de comunicação) o chamando de “palhaço”. Sintomaticamente, quem anunciou a saída de Gomes foi Eduardo Cunha.

Em seus instantes de sincericídio, o ex-ministro da Educação conseguiu dizer o seguinte:

“Sempre tive respeito pelo Parlamento. Isso não quer dizer que eu concorde com a postura de alguns, de vários, de muitos que mesmo estando no governo, com seus partidos participando no governo, tenham uma postura de oportunismo”.

Mentira?

“Partidos de oposição têm o dever de fazer oposição. Partidos de situação têm o dever de ser situação ou então larguem o osso, saiam do governo”.

Mentira?

“Prefiro ser acusado por ele de mal-educado do que ser acusado como ele de achaque”, afirmou ainda, apontado o dedo para Cunha.

Na sequência, os deputados fizeram fila para lhe bater, sob o comando do presidente da Câmara, visivelmente consternado (o rosto de Cunha adquire um tom aflitivamente rosado sob tensão). Lembraram até da sogra de Gomes.

De volta à tribuna, ele atacou:

“Uns tinham cinco e agora têm sete [ministérios]. Logo vão querer a presidência. Tenho convicção de que Dilma é vítima de setores da sociedade, como políticos e empresários”.

Leonardo Picciani – cujo patrimônio declarado foi de R$365.624,60 em 2000 para R$9.885.603,00 –, líder do PMDB, ficou feliz com o desfecho da história: “Não esperávamos outra atitude que não fosse essa [a demissão]. O que ele demonstrou aqui foi falta de formação democrática, de formação republicana. Ele saiu daqui como um fanfarrão”, disse o fanfarrão.

Não saberemos como Cid Gomes teria se saído como ministro, mas no papel de manifestante contra a corrupção ele deu uma aula.

Drone da Folha de S.Paulo cai e fere duas pessoas no ato de 15 de março

20/03/2015
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Reprodução do Facebook.

O equipamento era utilizado pelo jornal para cobrir as manifestações do domingo, dia 15/3, em São Paulo. Dois empresários se machucaram e precisaram ser socorridos

Via SpressoSP

Um drone contratado pelo jornal Folha de S.Paulo para a cobertura do ato de domingo, dia 15/3, em São Paulo, caiu e feriu duas pessoas. As informações são da própria Folha.

A empresária Viviane Quass, de 32 anos, teve cortes na testa e na cabeça. Seu cunhado, o também empresário João Carlos Pereira dos Santos, de 36, foi atingido no rosto e no ombro. Ambos foram socorridos ao Hospital Nove de Julho, próximo ao local da manifestação, e liberados uma hora depois do acidente.

Na nota sobre o caso, a Folha destacou que o equipamento não é de sua propriedade, mas sim da empresa Caraca Imagens, que o analisará para identificar as causas da queda. As vítimas disseram que pretendem levar à Justiça a proprietária do drone.

Locatário do objeto, o jornal se limitou a informar, na figura do editor-executivo Sérgio Dávila, que “se coloca à disposição” de Quass e Santos e que “lamenta o acidente”.

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