Médicos fantasmas do SUS são alvo de investigações

02/08/2015

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Patrícia Britto, via Folha em 30/7/2015

Médicos chegam, batem ponto na entrada e vão embora. Atendem em clínicas particulares quando deveriam estar em hospitais públicos. Registram mais horas trabalhadas do que as horas que existem em uma semana ou são vistos no exterior no dia em que “bateram ponto”.

Em ao menos nove Estados e no Distrito Federal, órgãos como Tribunais de Contas, Polícia Federal e Ministérios Públicos identificaram e investigam casos de médicos “fantasmas”, que pouco ou nem aparecem no trabalho. Em muitos casos, com a conivência do poder público.

A maioria cita fraudes no registro de ponto, agravando as filas de pacientes que buscam atendimento no SUS.

Só em junho de 2014, auditoria do Tribunal de Contas do Distrito Federal identificou 25.735 faltas indevidas de funcionários da saúde, uma média de 15 por servidor – desde jornadas divergentes da escala prevista até médicos que trabalham em um local e batem ponto em outro. O controle da frequência é falho: em quase metade das unidades, não é eletrônico.

Em Santa Catarina e no Paraná, operações da PF desvendaram esquemas de médicos que não atuavam em hospitais universitários para atender em clínicas particulares.

Em junho, 27 médicos do Hospital Universitário catarinense foram indiciados sob suspeita de fraudes nas folhas de ponto. O salário médio no local é de R$20 mil.

A PF identificou um médico que estava em viagem à Europa no mesmo dia em que “bateu ponto”. Outro registrou 169 horas trabalhadas em uma semana – algo impossível mesmo se ele trabalhasse 24 horas por dia.

No Paraná, dez médicos do Hospital de Clínicas da UFPR, com frequência média de 7% e salários de R$4 mil a R$20 mil, foram indiciados há dois meses sob suspeita de descumprirem a carga horária.

As fraudes nas folhas de ponto, com entradas e saídas falsas, foram descobertas após auditoria da CGU (Controladoria Geral da União) perceber a baixa produtividade.

Improbidade
Em Presidente Prudente (SP), a Promotoria filmou médicos que entravam em uma unidade de saúde, batiam ponto em frente à sala da administração e iam embora.

O secretário municipal de Saúde, um administrador da unidade e cinco médicos respondem a ação por improbidade administrativa – a Promotoria diz que a fraude era consentida pelos chefes.

Em 2013, uma médica do Samu de Ferraz de Vasconcelos (Grande SP) foi presa em flagrante sob suspeita de usar dedos de silicone para fraude no ponto biométrico de 11 médicos e de 20 enfermeiros que não compareciam aos plantões. Oito foram exonerados pela prefeitura – que aguarda conclusão de inquérito.

Fiscalização do TCU (Tribunal de Contas da União) em 116 hospitais do país em 2013 também apontou fraudes em outros Estados – incluindo GO, PA, PB, PE e MT.

O órgão apontou que, em Goiás, por exemplo, gestores permitem “que os profissionais realizem outras atividades durante sua jornada de trabalho, sendo convocados caso haja necessidade”.

O presidente da Federação Nacional dos Médicos, Otto Baptista, afirma que os casos são isolados, mas acabam propostos por gestores para evitar perder profissionais, insatisfeitos com os salários.

“O médico que cumpre carga horária reduzida tem a anuência da direção”, diz. “Se for para imputar ao médico a responsabilidade, terá que imputar a quem propôs: diretor, secretário e também prefeito.”

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Gestão tucana: Alckmin omite dados para pesquisa sobre sistema prisional

02/08/2015

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Laura Lewer, via Folha em 30/7/2015

São Paulo foi o único Estado a não fornecer dados de seus presídios para o balanço semestral do Infopen (Sistema Integrado de Informações Penitenciárias) lançado em junho passado pelo Ministério da Justiça.

São Paulo tem a maior população prisional do país: são 219.053 presos – cerca de 36% da população carcerária brasileira –, segundo balanço mais recente.

A gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB) não enviou os formulários com as informações solicitadas pelo Depen (Departamento Penitenciário Nacional) dentro do prazo, que expirou em março deste ano. Segundo o órgão, os Estados tiveram seis meses para compilar os dados e enviar.

A diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, afirmou que todos os Estados enviaram os dados, exceto São Paulo, que forneceu os de apenas algumas unidades. “Não chegou nem a 50% dos dados que pedimos. Não fazia sentido incluirmos algo parcial”, diz.

Para não prejudicar os dados totais, como população prisional do país e número de vagas, por exemplo, o Infopen incluiu informações que estavam no site da Secretaria de Administração Presidiária de São Paulo. Os dados a respeito de presos estrangeiros foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. As informações, contudo, sobre doenças como HIV, hepatite e tuberculose, além de outras questões, ficaram sem resposta.

A ausência de São Paulo na pesquisa, segundo Samira, é prejudicial de diversas formas, “principalmente do ponto de vista da transparência e da formulação de políticas públicas. Como você vai melhorar se não sabe qual é o diagnóstico?”, questiona. Ela diz que nenhuma informação solicitada era sigilosa, já que todos os outros Estados as forneceram.

Questionada sobre o motivo de não recolher as informações solicitadas, a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo informou que seu único posicionamento sobre o caso é o de que “todos os dados que eventualmente forem necessários estão disponíveis nesta secretaria”.

Em nota, o Depen afirma que “o preenchimento dos formulários foi aberto simultaneamente para todos os Estados, havendo prorrogação de prazos, e adequação de formato do instrumento de coleta a fim de permitir a resposta por todos os entes da Federação”.

Infopen
O Infopen coleta estatísticas sobre o sistema penitenciário brasileiro com o objetivo de diagnosticar a realidade prisional do país. A partir dos dados, políticas públicas podem ser criadas e aperfeiçoadas.

No balanço mais recente, o Depen se uniu ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública para criar uma metodologia mais detalhada e coletar dados de todas as unidades prisionais do país, em vez dos dados brutos de cada Estado.

Um formulário padrão foi enviado para cada unidade, que deveria respondê-lo e passá-lo para a secretaria de administração penitenciária de seu respectivo Estado, que validaria as informações.

O governo de São Paulo diz que outros Estados como o Rio de Janeiro, o Paraná, Tocantins, além do Distrito Federal, também não enviaram dados completos para pesquisa.

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O fascismo não virá, ele já está

02/08/2015

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Alberto Kopittke, via Sul21 em 30/7/2015

Observação inicial: escrevo esse texto “inspirado” pelo vídeo de um jovem que agoniza baleado no chão sendo xingado e que está disponível na minha página do Facebook. O vídeo possui centenas de comentários de apoio e celebração.

O fascismo não é a chegada de um líder de massas ou um partido, com um projeto totalitário ao poder. Ele é antes de tudo um estado de espírito da sociedade.

As imagens de Hitler e dos campos de concentração têm a importância fundamental de nos alertar até onde uma sociedade pode chegar, independente do seu chamado “grau de desenvolvimento” cultural. No entanto, essas imagens fortíssimas de seres humanos sendo exterminados em massa acabam por encobrir as formas menos “agudas” dessa faceta do comportamento humano.

Hannah Arendt sempre chamou a atenção que o mais perigoso do fascismo era a forma como as pessoas – sejam elas juízes, políticos, jornalistas, professores ou de qualquer outro tipo de profissão – aceitam passivamente a escalada de ódio, até que começam a participar dos seus mecanismos, como se não houvesse alternativas entre silenciar ou aderir.

O fascismo se manifesta no cotidiano de formas muito mais tênues, que não precisam de homens vestindo uniformes e marchando pelas ruas, e não é dirigido apenas contra judeus. Ele é a implosão da capacidade de dialogar sobre os problemas da sociedade e da capacidade de conviver com as diferenças. Em seu lugar entram o que Zaffaroni chamou de discursos justificadores, que justificam e preparam o ambiente para as manifestações de ódio e extermínio contra os “inimigos”.

O pior resultado da atual crise política, é que o Brasil vive, mais uma vez, uma clara escalada do sentimento fascista. As pessoas sentem ódio, crescem os linchamentos públicos e aumenta o apoio a atitudes de “justiçamento” e tortura praticadas pelo aparato público.

Todas as forças democráticas têm responsabilidade sobre isso. O PT e o governo Dilma têm responsabilidade por ter interrompido as políticas públicas de prevenção a violência que estavam em curso e no seu lugar não ter colocado nenhum programa de grande escala ao longo de cinco anos. Com isso, as forças autoritárias passaram a se apresentar como alternativa para a redução da violência do Brasil.

FHC, os tucanos e o alto empresariado têm responsabilidade ao aceitarem partilhar a oposição ao PT com segmentos assumidamente fascistas e autoritários.

Ambos têm responsabilidade por não denunciarem o perigoso crescimento dos setores que misturam discursos religiosos fundamentalistas com ocupação de espaços políticos.

A grande mídia tem responsabilidade por não denunciar claramente o discurso do ódio e muitas vezes o difundir nos seus programas sensacionalistas e na falta de qualidade no debate sobre Segurança Pública.

A discussão sobre o fascismo não tem nada a ver com ser de esquerda ou de direita. Em ser liberal ou socialista. Em ser petista ou tucano. Em ser cristão ou ateu. Todas as linhas ideológicas e religiosas já serviram, num lugar ou outro, de justificativa para a barbárie. Trata-se de demarcar claramente a defesa dos princípios do estado democrático de direito e denunciar todos os discursos que justificam sua violação.

É absolutamente incerto o futuro político do Brasil. Nessa incerteza, os comportamentos de ódio ocorrem livremente no cotidiano, com cada vez mais apoio e aplauso. Quem demonstra contrariedade com as diversas manifestações de barbárie é chamado de fraco, de defensor de bandidos e passa a ser ameaçado.

Não é preciso que algum facínora suba a rampa do Palácio do Planalto, pelo voto ou pelas armas, para que o fascismo chegue no Brasil.

O fascismo não chegará. Ele já está.

Alberto Kopittke é advogado e vereador de Porto Alegre.

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Não chame um nazista de nazista: A reação da extrema-direita a uma nota de jornal

02/08/2015
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Querem a volta do Integralismo e das forças armadas. Pode?

Kiko Nogueira, via DCM em 30/7/2015

A extrema-direita brasileira adjetiva todo e qualquer cidadão com o qual tenha divergências, reais ou imaginárias, de “comunista”. Eu sou comunista. Você. Sua mãe. Seu cunhado. Qualquer ser vivente que não concorde, digamos, com uma manifestação coxa é, cuspido e escarrado, um vermelho e deve se mudar para Cuba.

Agora, experimente chamá-los de “nazistas”. Experimente, ainda, dizer que alguns – alguns – desses grupos direitistas usam símbolos nazistas. A reação a uma nota na coluna do jornalista Ilimar Franco no Globo dá a dimensão das convicções democráticas desses grupelhos.

Ao comentar o desempenho de Jair Bolsonaro numa pesquisa eleitoral da MDA, ele escreveu o seguinte:

O Movimento Brasil Livre, o Revoltados Online e o S.O.S. Forças Armadas, vinculados ao que se define como direita, foram a vanguarda e usaram as redes sociais para chamar o protesto de 15 de março. Pregam contra o comunismo, pelo combate à corrupção e contra a interferência do Estado na economia. O Revoltados elegeu Jair Bolsonaro como maior porta-voz de suas ideias. O S.O.S. prega a intervenção militar. Todas essas organizações vão às ruas atacando as cotas, os nordestinos, os sem-teto e alguns usam símbolos como a suástica nazista. A corrupção (nos governos do PT) e o descrédito do Congresso e dos partidos (pesquisa MDA) criam a química perfeita para o ressurgimento dessa força.

A histeria coletiva diante de uma observação expressada em mirradas linhas inundou a internet de uma indignação desproporcional, que só pode significar o seguinte: acusamos o golpe.

Um certo Renan Santos, co-líder do Movimento Brasil Livre juntamente com Kim Kataguiri, gravou um vídeo – ou melhor, um “pronunciamento oficial” – em que aparece apoplético, sugerindo que o jornalista deveria ter sido censurado.

“Não aconteceu nada. A equipe editorial do jornal (?!?), a equipe de produção (?!?) deixaram passar numa boa”, grita. Santos acusa Ilimar de ser um “militante escondido”. “Você vai ter que nos engolir”, ameaça, babando, para emendar numa conversa maluca e no aviso de que Ilimar será processado.

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Exemplo internacional de inclusão social, Bolsa Família é apresentado na Suíça

02/08/2015

Bolsa_Familia01

Secretário Nacional de Renda de Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome vai detalhar avanços do programa em reunião da Organização Internacional do Trabalho, em Genebra.

Via Portal Brasil em 30/7/2015

Exemplo internacional de sucesso das políticas de combate à pobreza do Brasil, o Programa Bolsa Família teve seus resultados apresentados na quinta-feira, dia 30/7, em Genebra, na Suíça, durante encontro promovido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Os avanços do programa serão detalhados pelo secretário nacional de Renda de Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Helmut Schwarzer.

“O Bolsa Família vai além da redução da pobreza monetária no curto prazo. O programa apresenta reconhecido impacto por meio das condicionalidades na área de saúde e educação”, afirma o secretário. Segundo Schwarzer, o programa de transferência de renda é citado em relatórios da agência da ONU como uma boa prática de inclusão social e redução das desigualdades.

“O piso de proteção social é um conceito que a OIT desenvolveu e o Bolsa Família foi um dos casos que serviu de inspiração para mostrar que é possível expandir sistemas de proteção social para a população mais pobre”, aponta o secretário.

Os direitos das populações indígenas e tradicionais – o convênio 169 da OIT, ratificado pelo Brasil – também serão discutidos. “Para nós é interessante avaliar com técnicos da OIT de que forma esse convênio pode ser útil para aperfeiçoar o programa Bolsa Família na sua relação com esses povos”, afirma Schwarzer.

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