Presidente do PSB se diz preocupado com economistas de Marina

20/09/2014

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Via Jornal GGN

Depois de o ex-presidente Lula dizer que a equipe econômica de Marina Silva deveria ser “proibida de falar bobagem”, agora é a vez do dirigente nacional do PSB, Roberto Amaral, mostrar insatisfação com as propostas e os especialistas que surgem na mídia quase que diariamente.

De acordo com o colunista Ilimar Franco, Amaral e os socialistas estão “inconformados com a quantidade de gurus econômicos que se apresentam como formuladores de Marina Silva. O presidente do partido resume: ‘Estou preocupado com a quantidade de especialistas e consultores que a imprensa está descobrindo na nossa campanha’.

“Ele afirma que surgem nomes ‘desconhecidos por nós’ e ‘um novo coautor do programa da Marina’. E destaca que o economista Celso Furtado, nacional desenvolvimentista, é o formulador do partido. Amaral sentencia: ‘O PSB tem profunda admiração pela obra e pelo pensamento de Celso Furtado. Morto, não há substituto à altura’.”

A fala de Amaral é uma resposta à entrevista publicada pelo jornal O Globo, na segunda-feira, dia 14, com Alexandre Rands – um dos principais assessores econômicos de Eduardo Campos e, consequentemente, colaborador de Marina no capítulo que trata do setor.

Na reportagem, Rands falou que Dilma Rousseff (PT) trata o empresariado como “prostitutas”. Ele admitiu que as propostas de Marina só farão com que o Brasil cresça mais do que cresce hoje a partir de 2018, e apontou que a autonomia do Banco Central será um modo de dizer à presidente da República, independente de quem ela (ou ele) for, que “cada um cuida do seu quadrado”. O PSB disse que é “historicamente” contra essa proposta.

Rands ainda disse que são questionáveis as contribuições de Celso Furtado para a economia do País. A declaração custou uma nota de reparação da assessoria de imprensa de Marina, que afirmou que as opiniões de Rands são pessoais e não representam a campanha.

Na terça-feira, dia 15, o ex-presidente Lula também reagiu à entrevista de Rands. O petista disse que se fosse Marina, “proibiria os economistas de falar, porque cada um que fala, fala mais bobagem do que o outro”. “Ela vai acabar mostrando o que pode acontecer de ruim em um programa de governo feito a quinhentas mãos”, acrescentou.

Para Lula, Marina terceirizou o que agora propõe à sociedade brasileira. “Se tem uma coisa que não dá para terceirizar é a presidência da República. Ou você assume ou não assume. Esse negócio de pedir para cada um falar um pedacinho das coisas que vão acontecer nesse País não é certo. Afinal de contas, o País é grande, mas não é uma colcha de retalhos que pode ser subdividido em centenas de interesses”, disparou.

Antonio Lassance: Sete homens e um escândalo

20/09/2014

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Quase a metade dos nomes listados na delação premiada do ex-diretor da Petrobras é de políticos ligados à campanha de Aécio Neves e Marina Silva.

Antonio Lassance

Se o escândalo contra a Petrobras era para ser a bala de prata desta eleição, o tiro saiu pela culatra. Quase a metade dos nomes listados na delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, é de políticos ligados não à campanha de Dilma Rousseff, mas à de Aécio Neves e Marina Silva. Dos 16 nomes, sete estão contra Dilma, pública, notória e oficialmente.

O detalhe, que é do tamanho de um elefante, tem passado desapercebido na “grande” mídia. Será por quê?

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN), é candidato ao governo do Rio Grande do Norte, apoia Aécio e tem uma chapa formada pelo PSDB, DEM e também pelo PSB.

Romero Jucá, do PMDB de Roraima, declarou apoio e fazia entusiasmada campanha para Aécio. Jucá brigou com Dilma quando foi afastado, em 2012, da liderança do governo no Senado, o cargo quase vitalício que ocupou, pela primeira vez, durante o governo FHC.

Ao finalmente romper com um governo e ir para a oposição, Jucá declarou que o fazia por razões ideológicas e “acusou” Dilma de ser socialista.

O senador Francisco Dornelles (PP/RJ) liderou a resistência que tentou impedir o apoio de seu partido a Dilma. Depois, organizou a dissidência do Diretório do Rio de Janeiro, que apoia Aécio.

A mesma coisa fez João Pizzolatti, que é presidente do PP de Santa Catarina e articulou o apoio desse diretório a Aécio. O PP/SC também fez barba, cabelo e bigode: além de estar com Aécio, o chapão de Pizzolatti inclui a aliança com as candidaturas de Paulo Bauer a governador, pelo PSDB, e de Paulo Bornhausen ao Senado, pelo PSB.

Eduardo Cunha, deputado federal pelo PMDB/RJ, dispensa maiores apresentações. É o inimigo público nº 1 de Dilma dentro do PMDB e foi o principal articulador do apoio majoritário desse partido, no Rio, ao candidato Aécio Neves.

Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, embora publicamente tenha feito declarações favoráveis a Dilma, patrocina a aliança conhecida como “Aezão”, ou seja, a adesão dos tucanos à candidatura do governador Pezão (PMDB), que é candidato à reeleição. Em troca, a maior parte do PMDB fluminense garantiu apoio governista à combalida campanha de Aécio naquele estado.

Eduardo Campos (PSB) – também citado na delação –, como é notório, saiu candidato à presidência da República, levou o PSB para a oposição ao governo Dilma, aliou-se a Marina Silva e organizou as dobradinhas com Aécio em vários estados.

A propósito, até o momento, a defesa de Campos tem ficado restrita a alguns membros do PSB. Marina nem mesmo se deu ao trabalho de rechaçar prontamente as denúncias feitas contra uma pessoa de quem ela se dizia firme aliada por uma nova política.

A enigmática frase da candidata – de que “não queremos ver Eduardo morrer duas vezes” – mostrou que, até mesmo em relação a Eduardo Campos, Marina Silva está mais que propensa, de novo, a mudar de ideia.

Uma simples conferida na lista deixa claro que o escândalo foi qualquer coisa, menos algo feito com o claro propósito de ajudar a campanha de Dilma.

Antonio Lassance é cientista político.

O tucano José Arthur Gianotti e o fim do PSDB

20/09/2014

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Filósofo respeitado, tucano de quatro costados, José Arthur Gianotti deu entrevista reveladora para o Estadão de hoje [14/9], em que praticamente sela o fim do PSDB.

Luis Nassif, via Jornal GGN

O jornal o apresenta como “tucanoide” (simpatizante) e muito próximo a Fernando Henrique Cardoso. É muito mais que isso.

Na verdade, sua amizade maior é com José Serra. É o que explica o fato de considerar Serra “muito à esquerda” de Geraldo Alckmin e prever que ele será um dos síndicos da falência do partido. Com um pouco de distanciamento, Gianotti aceitaria que a pá de cal no PSDB foi a campanha vergonhosa de 2010, que deixou o partido com a cara abjeta de Serra.

Em relação aos demais pontos, seu diagnóstico é preciso.

Aliás, o quadro que desenha é a chamada crônica de uma morte anunciada. Desde 2008 venho apontando esse quadro de deterioração intelectual do PSDB.

Apenas por amizade, Gianotti não menciona os responsáveis. É evidente que a responsabilidade maior recai sobre a pessoa a quem o partido confiou a liderança intelectual e política: Fernando Henrique Cardoso.

Serra não existiria sem FHC. A campanha abjeta de 2010 – que liquidou com os resquícios de legitimação do partido – não existiria sem FHC. Comandado por Serra, o estilo esgoto do jornalismo tucano foi diretamente estimulado por FHC. Assim como a debandada de intelectuais tucanos, que poderiam ter contribuído para algum arejamento do partido, mas que, a partir de um determinado momento, não tiveram estômago para permanecer na trincheira, depois que o partido deixou-se conduzir pela ultradireita escatológica.

A partir de então, o PSDB abandonou qualquer veleidade intelectual. Sua cara ficou sendo a da agressividade mais vazia, de políticos menores atuando apenas em representações moralistoides, e do jornalismo de esgoto comandado por Serra.

Aqui, os principais pontos da entrevista de Gianotti:

Sobre o espaço da socialdemocracia
Quando o PT veio para o centro, roubou o discurso da socialdemocracia do PSDB. Tornou-se o grande interlocutor com as forças capitalistas e populares, que era projeto da socialdemocracia.

Sobre o espaço da oposição
O PSDB não conseguiu se viabilizar como oposição organizada. Quando não se tem a oposição organizada, em geral quem ocupa esse espaço é uma dissidência da própria base aliada, como ocorreu com Eduardo Campos e Marina Silva, ex-ministros do governo Lula.

Por que o PSDB falhou?
Porque não teve discurso. Restará um partido estilhaçado, mas com alguns governadores e senadores fortes. Aécio ficou com imagem meio ambígua. Agora ele precisa sair correndo para Minas Gerais para salvar a candidatura que apoia. Não conseguiu firmar uma liderança realmente decisiva,

O comando do PSDB
Aécio voltará a ser o que sempre foi: uma liderança do PSDB, mas não mais a ponta da pirâmide. Ideologicamente, o partido terá duas pontas: o Alckmin bem mais à direita e Serra bem mais à esquerda.

Sobre Marina, Collor e Jânio
Marina lembra Jânio e Collor na medida em que vem alguém religiosamente para salvar a pátria e depois tem uma enorme complicação na montagem de governo. A Marina não é um Collor, mas no sistema ela estava isolada. Não soube organizar o partido dela, a Rede, foi obrigada a se aliar a Eduardo Campos. Quando o avião cai, ela se acha predestinada a salvar a pátria e começa com esse discurso. A partir do desastre, ela lembra Jânio e Collor ao dizer que veio para salvar a pátria.

Sobre o antipetismo e o PSDB
O antipetismo está bem instalado na política brasileira. É hoje uma tremenda força. Aécio vai compreender que para fazer o antipetismo é preciso que ele apoie Marina.

Sobre a bancada evangélica

Quando há uma crise do Estado, os conflitos religiosos aparecem. Quando não há uma estrutura de poder central organizando a sociedade, Deus aparece como o centralizador. O avanço evangélico é um sintoma da crise do Estado.

As manifestações de junho

Não formam líderes porque movimento popular desse tipo é como fogo fátuo. Ele surge e desaparece. Essas redes sociais são extremamente importantes mas não criam líderes. As lideranças políticas são, na verdade, formadas pelo processo partidário.

A crise do Estado
Temos uma série crise de Estado. Uma crise de Estado acontece quando você decide em cima e a decisão não chega embaixo. E o Estado, desta forma, não funciona. Já temos uma crise de decisão. Ela continua se Dilma ou Marina vencerem. Não há esse risco com Aécio, porque ele não vai ganhar.

São Paulo sem água, tragédia e crime

20/09/2014

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Crônicas do Motta

A inércia do paulista e de suas autoridades em relação ao colapso no fornecimento de água é algo inédito na história do país. Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso sabe o que vai acontecer em breve, muito breve: não faltará água apenas nas residências para tarefas essenciais como tomar banho, cozinhar, dar descarga nos vasos sanitários, lavar roupa, mas também – e isso é o mais importante – indústrias, estabelecimentos de serviço e o comércio ficarão impossibilitados de trabalhar.

Sem trabalho, ou mesmo trabalhando a meia força, haverá queda na produção e desemprego em massa. Que se espalhará pelo Brasil todo.

As primeiras notícias sobre essa terrível estiagem saíram no fim do ano passado. Em janeiro publiquei uma “crônica” sobre o assunto.

Os jornalões, timidamente, entraram no assunto.

O maior receio deles, porém, nunca foi a consequência econômica e social do colapso no abastecimento, o seu tremendo impacto no dia a dia das pessoas, mas a possibilidade de que medidas sérias e necessárias – como um racionamento – pudessem prejudicar o desempenho eleitoral do governador Alckmin.

Os jornalões, o governador e as autoridades que se calaram – e se calam – diante dessa tragédia anunciada, se estivessem vivendo em algum país do Primeiro Mundo, que tanto dizem admirar, estariam, no mínimo, sendo processados criminalmente pelo que fizeram – ou, no caso, deixaram de fazer.

Alckmin será provavelmente reeleito, já que os eleitores não foram devidamente informados sobre o que o futuro lhes reserva. Em vez de fatos, a máquina tucana bombardeou os cidadãos do Estado com as mais pueris mentiras.

As chuvas de setembro aliviariam a situação – o volume de chuvas está sendo irrisório neste mês.

A captação de água do “volume morto” do Cantareira será suficiente para manter o abastecimento normal – Cantareira está com cerca de 8% da capacidade, volume morto incluído.

A maior mentira, porém, foi negar o racionamento – já que ele, na prática existe, mas só para bairros periféricos da capital, mais pobres.

Alckmin disse outro dia que bebe água da torneira. Como não sabemos seus hábitos privados, vamos acreditar nele. E deduzir que esse veneno que anda ingerindo é a causa de sua insanidade, de sua irresponsabilidade, de tanta incompetência.

Quanto aos seus eleitores… É, eles terão muito tempo para se arrepender do voto.

Humor: FHC diz que leu a Veja

20/09/2014

Veja_PT01Miguel do Rosário, via Tijolaço

Bem, um pouco de humor não faz mal a ninguém. E FHC se tornou uma espécie de bufão da política brasileira.

Há uma série de declarações dele feitas numa das festinhas realizada por João Dória Jr., o mesmo que produz concursos de Poodle para madames paulistas.

Todas as suas frases, como que saídas de um personagem de Eça de Queiroz, são engraçadas.

As campeãs seguem abaixo:

E logo subiu o tom, até um pouco acima do que costuma adotar nessas ocasiões. “Eu acordei há alguns dias e li as revistas [semanais de informação]. Eu sou uma pessoa de energia. Mas confesso a vocês que fiquei golpeado [ao ler reportagens sobre supostos desvios na Petrobras].”

Hum, quer dizer que o senhor Cardoso sentiu-se golpeado depois de ler a Veja?

Pois bem, ontem entregaram na minha portaria o livro O Brasil Privatizado, do Aloysio Biondi, com apresentação de Janio de Freitas e prefácio de Amaury Ribeiro Jr., relançado há alguns dias pela Geração Editorial.

FHC, outrora um acadêmico respeitado, deveria valorizar materiais que vem acompanhados de documentos, como jamais é o caso da Veja.

Mas é o caso do livro de Biondi.

Pensando bem, melhor que FHC não leia.

Se ele se sentiu “golpeado” lendo as histórias de carochinha da Veja, não creio que terá condições psicológicas de enfrentar uma leitura baseada em documentos autênticos, como é o livro de Biondi.

O fato de seu nome estar presente em toda parte, já que foi ele o grande artífice das privatizações corruptas que tanto prejuízo trouxeram ao Brasil durante seu governo, também não deve fazer bem à sua saúde, se ele lesse o livro.

Faria bem à saúde do brasileiro, contudo, se não tivéssemos uma mídia tão corrompida, e que insistisse mais nas denúncias e no esclarecimento do que realmente aconteceu na privataria tucana.


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